DAYANA MAZINI, UMA EMPREENDEDORA SOCIAL

Artigo sobre Dayana Mazini, uma administradora focada no empreendedorismo social e sua atuação no Brasil e no México.

Dayana foi convidada para falar sobre a sua história de vida como estudante do curso de Administração da FEI e empreendedora social. Ficou emocionada com o convite. Subiu ao palco e lembrou-se da família, dos tempos de criança. O nome Dayana, como todas as Dayanas do Brasil, foi mesmo por causa da princesa inglesa e, talvez, porque nasceu loirinha. A sua família, como o nome indica, descende de imigrantes italianos que se estabeleceram na região no final do século XIX ou no início do século passado. Esses imigrantes trabalharam duro cultivando batatas em sítios da região. Ela lembrou-se das dificuldades da família, gente simples e trabalhadora que tinha sonhos para os filhos, mas não sabia se conseguiriam realiza-los.
Dayana sempre foi uma estudante aplicada, desde o fundamental. E sentia que tinha a missão de fazer diferença na família e na comunidade. Concluído o segundo grau, sua meta era entrar numa faculdade e ter uma vida melhor. Prestou vestibular para o curso de Administração na FEI porque achou que era uma boa opção para entrar no mercado de trabalho. Para fazer a inscrição precisou contar com o empréstimo de um irmão mais velho. Ela brinca, dizendo que nunca pagou o empréstimo, que na verdade era um presente fraterno.
Aprovada no vestibular tinha agora outro problema. Como pagar a matrícula e as mensalidades? Entrou com pedido de bolsa na instituição e como as condições da família eram muito difíceis, foi aprovada sem maiores dificuldades, obtendo uma bolsa integral. Dayana se esforçou muito para fazer jus à bolsa, fazendo o curso com toda dedicação. Mas sua férrea disposição para fazer a diferença a motivou para criar uma ONG com o objetivo de apoiar pessoas carentes. E foi dessa disposição que criou com outras pessoas a ABRA-TE BRASIL.
Durante o curso conseguiu uma bolsa do Banco Santander para um intercâmbio na Universidade do México. O México, um país que imaginava maravilhoso e repleto de relíquias históricas deixadas pelas civilizações Asteca e Maia, onde teria a oportunidade de aprender outro idioma e conhecer uma nova cultura.
Lá percebeu que era um país bem diferente do que imaginava. Muita pobreza, muita carência. As distâncias sociais bem maiores do que no Brasil. Relatou que os moradores de rua não são apenas mendigos, viciados e crianças abandonadas. São diferentes. São famílias inteiras morando nas ruas. Avós, pais e filhos vivendo em condições degradantes, sem perspectivas de mudança. Uma situação parecida com a da Índia, onde a rua é a habitação de famílias por muitas gerações.
Diante do choque inicial, tomou uma decisão: abriu mão das baladas e passeios com os outros universitários e se engajou numa ONG para ajudar as pessoas carentes. Aprendeu a cultura local a partir da base da pirâmide social, com pessoas abaixo da linha de pobreza. E assim, mesmo sem conhecer o idioma, envolveu-se num trabalho voluntário que a enriqueceu como ser humano.
Durante o seu estágio, conheceu, também, uma pequena comunidade no interior do país. Ela conta que as pessoas desse lugar, um Pueblo, diziam estar satisfeitas, pois não faltava nada para eles. Em verdade estavam felizes com o que tinham, mesmo tomando banho com água fria usando canecas num lugar cercado apenas de folhas de palmeiras. Praticamente não circula dinheiro no local. Quando o telhado de uma casa cai, as pessoas se organizam para ajudar e são recompensadas com um almoço, um frango, um bolo. Neste Pueblo aprendeu que não precisamos de muita coisa para ser felizes e vivermos com dignidade.
A estrutura do curso de Administração é bastante diferente na Universidade do México em relação aos seus conteúdos e grade curricular, mas foi importante para ter uma visão de mundo mais global. Voltou mais madura e disposta a fazer a diferença no Brasil, ajudando outras pessoas.
De volta ao seu país repensou sua carreira profissional. Não tinha mais interesse em trabalhar em uma corporação, conquistar posições de destaque. Queria ajudar pessoas a crescerem e a serem felizes. No final de sua fala, disse que foi difícil encontrar um lugar onde poderia fazer a diferença e transformar o mundo. A JEDA é onde Dayana realiza seu sonho de ajudar o próximo em seu próprio país.
Sua fala calou fundo nos presentes. Talvez algumas pessoas tenham tido a oportunidade de repensar seus próprios valores e entender que não precisamos de muita coisa para sorrir, cantar, amar e, enfim, sermos felizes.

 

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Avalie este artigo:
(0)
Tags: empreendedorismo social