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Desafios da gestão em empresas familiares

Saber equilibrar relacionamentos no âmbito familiar e empresarial é peça chave para se obter sucesso na gestão de empresas familiares.

Quando se envolve trabalho e família, um desafio se instaura: conciliar emoção e razão, relação pessoal e relação profissional. Pois bem, apesar de esforços contínuos, nem sempre todas as partes conseguem se alinhar a este propósito e muitas das vezes, a gestão sofre impactos visíveis, que de certa forma culminam para a redução do desempenho a níveis alarmantes.

A linha entre relações familiares e gestão empresarial saudáveis é tênue. Muitas das vezes conflitos familiares implicam nas relações interpessoais no âmbito da empresa e se reflete nas decisões do dia a dia. Em alguns casos, a gestão é levada a um caminho x, em detrimento de um caminho y, que em tese, seria a melhor opção, apenas para que os interesses de um gestor em específico sejam atendidos. Nestes casos, o diálogo é precário e a tomada de decisão é fraca. Fazendo com que a organização enverede por caminhos não seguros, que poderão provocar instabilidades futuras nas mais diversas vertentes de gestão.

Relacionamentos interpessoais são algo complexo, que envolvem acima de tudo respeito mútuo. O fato de pessoas de um mesmo convívio familiar se envolverem na administração de um negócio é fato desencadeador de conflitos à medida que os indivíduos estão acostumados com certo nível de intimidade em família que não podem manifestar de forma ampla na empresa. Alguns paradigmas também devem ser quebrados, do sentido de que padrões observados na família não devem ser mantidos na companhia. Por exemplo, na relação familiar, existe a tendência de pessoas mais jovens se submeterem à ordens e conselhos de familiares mais experientes, ao passo que na maioria das vezes suas decisões prevalecem. Na gestão empresarial, porém, tudo muda, pois quem detém maior autoridade não é o mais velho, mas sim o que possui o maior nível de conhecimento e informações sobre o negócio, o que pode ou não coincidir com o mais experiente da família. Quando isso não acontece, é bem difícil que uma pessoa mais jovem possa executar suas ideias e influenciar a tomada de decisões na empresa, pois em casa este não é o padrão estabelecido.

Também podemos citar como exemplo quando os gestores mantém um relacionamento conjugal. Crises no casamento tem a tendência natural de influenciar a gestão da empresa, pois os problemas internos passam a consumir a capacidade intelectual e cognitiva dos donos, que então passam grande parte do tempo pensando em resolver estes conflitos e então deixam a gestão da empresa subjugada. Outra vertente é quando os problemas conjugais interferem até mesmo respeito mútuo que deve haver entre as partes, expondo os demais colaboradores a momentos de grande constrangimento quando são travados violentos conflitos verbais que nada se relacionam com a rotina da empresa, mas sim com as deficitárias relações familiares, o que acaba por gerar problemas clássicos, como burburinho e desmotivação.

Logo, a análise que se faz é: até que ponto o convívio familiar pode influenciar negativamente na condução dos negócios? Não há como responder a essa questão, pois tudo dependerá do nível de maturidade e responsabilidade de cada pessoa com o gerenciamento de sua empresa. A gestão desse tipo é algo bem delicado, pois as relações de confiança e cooperação que muitas das vezes motiva o início de tais negócios, pode de transformar em algo desastroso quando as pessoas se fecham à mudanças e não estão dispostas a quebrar antigos paradigmas. Uma auto avaliação se faz constante e esta pode até mesmo contar com a ajuda de pessoal especializado, tais como de psicólogos, para que conflitos de naturezas diversas possam ser sanados ainda na raiz e assim a empresa possa absorver apenas as partes boas de uma empresa familiar, dentre elas as já citadas confiança, cooperação e também descontração, companheirismo e visão compartilhada.

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