Eu não tenho plano "B"

Se soubéssemos com clareza onde a estrada vai dar, talvez não teria tanta graça e não seria tão desafiador percorrer este caminho

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Eu nunca pensei em empreender. Nunca passou pela minha cabeça efetivamente montar algo e viver desta iniciativa. Sim, como todo mundo, já sonhei com projetos miraculosos que pudessem me tirar da zona de empregado e me passasse para o lado de lá, do dono da firma.

Projetos que ficavam no campo das ideias por se tratarem de iniciativas longe da minha realidade e das minhas condições. Mesmo assim, alimentava-as sempre com o interesse de um dia conquistar a tão desejada liberdade. Aquela liberdade de poder ficar em casa e não precisar dar satisfação para o seu chefe. De poder viajar em feriados prolongados sem ter que matar algum ente familiar sadio ou arrumar uma virose de ultima hora.

Pois bem, neste ano minha empresa completou cinco anos. Passamos pelas estatísticas que de cada dez empreendimentos pelo menos sete deles não passarão dos cinco anos. Não sei se estou no caminho certo, mas sei que estou no único caminho. E não é por falta de opção. Estar no único caminho é uma escolha.

No meu caso isto torna-se mais evidente, quando ao perceber que poderia ficar sem emprego, me aventurei ao único e melhor caminho que se apresentou à minha frente: empreender. Hesitei várias vezes. Com minhas inseguranças, sem ter certeza se era isto que eu queria mesmo.

Meu cartão de visitas anterior várias vezes me traiu, quando um colega, cliente ou parceiro me tratava como um ex de alguma coisa. Mesmo assim me mantive firme no propósito.

Certa vez, um ex-chefe numa das empresas que trabalhei me disse que quem tem plano B, não tem nenhum plano. E isto me perturbou quando resolvi empreender como uma única opção.

Em alguns momentos do meu périplo, fui acometido por convites daqueles que só aparecem quando você está trabalhando ou fazendo algo. E recusei. Não de uma maneira tão convincente. Aliás o primeiro a convencer era eu próprio. Pois a insegurança sempre me rondava e transformava meu projeto numa angústia.

Mas ao lembrar daquele ex-chefe, segurava-me em meu propósito. Hoje eu tenho certeza do caminho que escolhi, que se iniciou como uma única opção. E ainda posso afirmar que continua sendo a única opção. Outras iniciativas virão com certeza, mas nenhuma delas estará desconectada do que faço hoje. Porque foi uma escolha. E me propus a plantar, aprender, e quem sabe colher.

Você pode mudar de plano. Mas seja qual for, ele precisa ser o seu plano A. Pois quando perdemos esta essência que é acreditar para depois arregaçar a manga e trabalhar, perdemos o propósito. Eu acredito, todos os dias, no meu único plano. E com um propósito claro, que é contagiar as pessoas a acreditarem em seus planos "A".

Se soubéssemos com clareza onde a estrada vai dar, talvez não teria tanta graça e não seria tão desafiador percorrer este caminho. Eu não tenho plano B. Nunca tive. É esta crença que me faz acordar todos os dias. A minha moeda de troca comigo, com minha família e com meus parceiros e amigos é ter a certeza que esta é a minha opção. Minha única opção. Quais são seus planos para o ano novo?

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Tags: carreira empreendedorismo plano a plano b