Formação de uma sociedade - A escolha dos sócios

Entre as várias questões que surgem quando se pensa em formar uma sociedade está a escolha dos sócios.

Ao pensar em abrir um escritório, o advogado começa o seu negócio normalmente com foco nos clientes. Muitas vezes já tem alguns clientes na carteira – amigos ou parentes – que, ao saberem que ele se formou, começam a lhe passar alguns pequenos casos.

 Então, junto com alguns colegas de faculdade amigos ou parentes, ele encontra terreno fértil para pensar em ser um empreendedor e, mesmo sem uma reunião formal para realizar um plano de negócios ou de estabelecer objetivos e metas, os advogados resolvem começar sua jornada.

O interessante neste primeiro passo é que os sócios pensam somente no crescimento e desenvolvimento do escritório de forma genérica, se esquecendo que os problemas nunca aparecem enquanto o negócio está crescendo, mas sim quando surgem as primeiras dificuldades.

Daí começa o primeiro problema: a escolha dos sócios.

Uma sociedade funcionará bem caso a relação entre os envolvidos transcorra de maneira profissional. O Affectio societatis é um elemento essencial na relação, mas uma atuação profissional fará com que esta sociedade tenha possibilidade de sucesso. Afinal, seguir regras estabelecidas e os objetivos traçados será uma forma de ter certeza que todos estão fazendo força na mesma direção.

Por isso, percebe-se que se não houver uma reunião formal para estabelecer regras mínimas de gestão e ter claros os objetivos dos sócios com relação a sociedade, a chance de frustrações futuras são enormes. Além disso, reuniões periódicas para acompanhar os indicadores dos objetivos e metas traçadas são fundamentais para corrigir eventuais desvios de rotas.

Já realizei trabalhos em sociedades que os sócios tinham expectativas diferentes. Um queria desenvolver a sociedade. O outro queria ganhar o mínimo necessário para pagar as contas e poder ir para casa cedo. A chance desta sociedade chegar a algum lugar era mínima. Como foi.

Por isso, não escolha os sócios pelos melhores amigos apenas. Talvez você tenha extrema dificuldade de cobrar deles profissionalismo em certos momentos e isto será ruim, tanto para sociedade, bem como para a amizade de vocês.

Algumas dicas:   

  • É muito interessante escolher profissionais complementares ao seu conhecimento - a não ser que sua área seja muito específica e você seja um especialista. Este complemento pode variar desde: conhecimento de gestão de negócio; capacidade de ser o investidor inicial; áreas de atuações diferentes; fazer parte de grupos sociais que possam ser interessantes para o desenvolvimento da sociedade; ter mais capacidade comercial; entre outras.

  • Não tenha receio de escolher sócios melhores que você. Isso será um estímulo ao seu próprio crescimento.
  • Tente atrair pessoas que têm ideias e valores profissionais parecidos com os seus. Isto facilitará o trabalho do dia-a-dia.

  • Cobranças por resultado são bem-vindas. Não considere que uma cobrança é pessoal.

  • Aceite as diferenças e particularidades pessoais do seu sócio. Foque na relação profissional. Aponte apenas as situações que você acredita que podem afetar o negócio.

    Como última dica, passo o ensinamento de um sócio de um escritório que dizia a seguinte frase sobre contratação: “nunca contrate alguém que você não possa demitir”. Isto também serve para o sócio.

 

 

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