Logística empresarial: uma visão da micro, pequena e média empresa

O volume de micro, pequenas e médias empresas no Brasil é avassalador, chegando a 99% da força total, isto se considerarmos somente as duas primeiras porções. Com isto em mente, podemos observar a mola propulsora de negócios, fontes de renda e empregos produzidos por esta força eletromotriz do mercado Nacional. Digno de nota, é que a maioria absoluta de toda esta gama de organizações operam no âmbito da intuição administrativa, com intenções e medidas baseadas na visão do próprio dono, na experiência, no exemplo de mercado que eles vislumbram e nas relações diárias dos seus tratos. Não raras vezes, vemos ausências de aparatos formais, técnicas gerenciais e metodologias científicas administrativas aplicadas no gerenciamento dessas empresas.Com fulcro na Logística Empresarial que emanam dessas organizações, dedica-se esta matéria a esclarecer a visão atualizada dessa dinâmica e elucidar algumas dificuldades, sob uma ótica holística, seus reflexos e possíveis direcionamentos no intuito de atenuarem-se as perdas e prejuízos decorrentes das inúmeras anomalias de gestão, indicando vetores de sucesso e de risco para o empreendedor.

Preliminarmente, ao abordarmos o termo Logística é relevante conhecer que sua origem se deu na esfera militar, pois sua finalidade é gerar condições plenas para as tropas movimentarem-se no espaço e em tempo apropriado no afã de realizarem suas missões. De acordo com Ferreira (2004, p. 1225) temos logística como:

“Parte da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material para fins operativos e administrativos (...)”.

Gerenciamento de projetos entre outras práticas administrativas foram derivadas da arte dos combates, então, sua evolução ao mundo civil empresarial tornou-se uma conseqüência incontestável ao longo dos anos. No Brasil atual existem mais de 6 milhões de micro e pequenas empresas que totalizavam 99% dos negócios do país, segundo a pesquisa feita pelo SEBRAE em parceria com o DIEESE, entre 2000 e 2011. Sabe-se nesse relato que 51% delas encontravam-se na região Sudeste, aproximadamente 24% estariam na região Sul e outros 15% no Nordeste. Somente na região Norte figuravam 3,5%, enquanto 7% concentravam-se no Centro-Oeste. Há que ter em mente que o volume de micro, pequenas e médias empresas no Brasil é avassalador. Torna-se mais impressionante ainda se considerarmos somente as primeiras porções. Analogamente, podemos observar a mola propulsora de negócios, fontes de renda e empregos produzidos por esta força eletromotriz do mercado nacional que são essas organizações.
                         
Com fulcro na Logística Empresarial que emanam dessas organizações, dedica-se esta matéria a elucidar algumas dificuldades capitais, sob uma ótica holística, seus reflexos e possíveis direcionamentos no intuito do conhecimento das perdas e prejuízos decorrentes dessa dinâmica, constituindo-se em anomalias de gestão. “Vivemos na era do conhecimento e da informação”, segundo aludiu o professor e escritor Peter Drucker (2000), logo, a evolução tecnológica cresce vertiginosamente em nosso meio, trazendo melhorias a todos os setores que se possa imaginar, fator este primordial para os processos logísticos. O trabalho procurou ser desenvolvido com linguagem intelegível ao interessado e teve como pilares de sustentação as análises de referenciais teóricos e / ou fontes bibliográficas, partindo da estruturação de conceitos e práticas para, então, ampliar-se o entendimento a respeito do tema.

O CONCEITO ATUALIZADO

Ao nos direcionarmos à Logística Empresarial, encontraremos algumas confusões acerca do seu conceito, haja vista o inter-relacionamento entre os assuntos suprimentos, mobilidade, fornecimento e rede, contudo, sob a luz da ótica moderna e globalizada devemos desmitificar que não se trata apenas de transporte, como outrora, e sim de uma área específica da ciência da administração dedicada a organizar os procesos de produção de produtos, serviços e obras de uma determinada empresa com intuito claro de ganho nas suas operações, aumentando a eficiência do trabalho realizado e, consequentemente, a demanda dos produtos e / ou obras e serviços finais. SALLES (2000, p 57) destaca o seguinte conceito: “Logística é a busca de otimização das atividades de processamento de pedidos, dimensionamento e controle de estoques, transporte, armazenagem e manuseio de materiais, projetos de embalagem, compras e gerenciamento de informações correlatas às atividades de forma a prover valor e melhor nível de serviço ao cliente. A busca pelo ótimo dessas atividades é orientada para a racionalização máxima do fluxo do produto / serviço, do ponto de origem ao ponto do consumo final”.

Com essa idéia em mente, a logística empresarial acaba sendo fator estratégico responsável por quatro funções básicas do processo de produção, a saber: as de aquisição ( compras de todo o necessário para produzir), movimentação ( preparações, produção, deslocamentos e transporte), armazenamento (local apropriado, espaço e quantidades) e entrega de produtos e / ou serviços (distribuição correta com meios adequados em tempo hábil). Uma vez envolvido em tal empreendimento logístico, também propõe caminhos para melhorar a operação individual de produção da empresa, qualquer que seja sua natureza, de maneira que aumente a eficiência do trabalho como um todo. Uma rápida passada pela área logística de uma empresa, provavelmente veremos pessoas lidando com planilhas de excel avançadas, plataformas de controle de estoque e negociações com fornecedores entre outros diversos controles correlatos.

Em tempos passados tínhamos todos esses controles mencionados elaborados e atualizados manualmente. Agora imagine a dificuldade de execução com o tempo necessário para organizar o gerenciamento todo. Lidava-se então com processos lentos, muito trabalhosos que atrasavam a cadeia de acontecimentos da administração, fazendo-a deixar de aumentar sua capacidade produtiva e gerar mais lucros. Nesse formato a T I – Tecnologia da Informação veio preencher esta lacuna de forma esplendorosa, pois nos dias atuais dispomos de ferramentas ajustadas a cada tipo de negócio a fim de otimizar todo o complexo e suprir a gestão com informações necessárias a saúde da empresa e sua prosperidade.

Na realidade, são muitos números de análises, métodos com tempos de fabricação e índices de qualidade para se identificar e ponderar. Não menos relevante, auxilia os donos das empresas a terem a maior eficiência comprovada nos seus processos gerenciais, além de ser uma forma de destacar a atividade da organização no mercado competitivo onde está inserida.

A DIFICULDADE DA MICRO, PEQUENA E MÉDIA EMPRESA

A gestão da micro, pequena e média empresa envolve muito mais coragem que se possa imaginar, uma vez que o mundo ao redor delas é extremamente dinâmico, tempestuoso e com grau altíssimo de complexidade que a transforma em um desafio digno dos, incontestavelmente, fortes. Nesse diapasão podemos citar a luta diária para sobreviver e crescer dentro de um prazo relativamente curto no intuito de consolidar-se financeiramente no mercado e, daí, a continuar a enfrentar o futuro com mais propriedade, porém, para tanto é necessário buscar uma gestão bem realizada e, então, haver prosperidade. Apenas a título de maior ilustração, o cenário por trás dessas organizações nos arremete ao profundo exercício diário de circuito, àquele que praticávamos no colégio no âmbito de educação física escolar, ou seja, vemos claramente duas formações de atividades distintas em um trabalho simbiótico, sendo que a primeira implica força, velocidade, resistência e suas qualidades múltiplas, tratando principalmente da atividade muscular do conjunto. Com efeito, este primeiro grupo está intimamente ligado ao segundo, que abrange habilidade, agilidade e mobilidade, predominando o processo de locomoção.

Outrossim, no contexto empresarial, têm-se tenacidade e continuidade de movimentação com totalidade da energia dispendida devendo ser direcionada à Administração na empresa inteira, em tempo integral, pois descuidar-se dos menores incidentes ou problemas durante o percurso ( em analogia a cada exercício do circuito de educação física), implicará em grande prejuízo durante o processo gerencial e, por conseguinte, impactará no seu resultado final.

Associado a tantas dificuldades da gestão, o cotidiano da micro, pequena e média empresa, não raras vezes, se depara com a falta de recursos monetários, quer seja o diminuto capital social empregado até o essencial capital de giro para o desenvolvimento empresarial. Como se não fosse o suficiente, temos o dilúvio de problemas oriundos de uma crise econômica, por exemplo, onde o objetivo primário do gestor é focado em sobreviver, relegando-se outras premissas como expandir e diversificar os negócios, seja com novos produtos ou serviços. Nesse quesito, sobrevivência, encontramos pequenos négócios que ultrapassaram as estatísticas de manutenção, passaram por percalços e continuam ativos nos seus nichos, pois reciclaram-se em vários momentos afim de driblarem as contrariedades e se manterem a duras penas no mercado. Sabe-se lá como e com tantas dúvidas e problemas enfrentaram para que seu empreendimento se mantivesse operante. 

REQUISITOS IMPORTANTES NA LOGÍSTICA EMPRESARIAL

O saber, segundo o dicionário, significa conhecer algo; ser ou estar informado de alguma coisa, logo, necessitamos do conhecimento das coisas para entendê-las e poder lidar com elas na melhor forma possível. Um estudo sobre a escolaridade dos empreendedores no Brasil entre 2001 e 2014, publicado pelo Data Sebrae, mostrou que dependendo do grau de instrução, dependem também seus resultados de gestão e, por conseguinte, do nível de remuneração obtidos. Há, portanto, uma relação íntima e proporcional entre instrução e êxito nos negócios. O documento revela que quanto mais preparado é o dono da organização, maior será seu tempo de sobrevivência, daí, maior será sua renda. O perfil dos empreendedores também assinala que menos anos dedicados aos estudos retratam àqueles que operam suas atividades por necessidades surgidas, que não possuem o necessário tempo para construir uma visão analítica do negócio, pois o tempo urge, investiram recursos próprios conquistados com muito suor e, naturalmente, eles têm pressa nos resultados, enquanto aos que atribuíram mais tempo na vida ao conhecimento, tendem a iniciarem seus planos de empresariado pelas oportunidades que-se-lhes apresentam, com maior disponibilidade, propiciando estudo mais minucioso de todo o complexo.

No Brasil encontram-se as maiores taxas de empreendedorismo mundial. De outra banda, o índice de mortalidade empresarial ao longo dos primeiros cinco anos é, deveras, alarmante por conta, também, do esgotamento intelectual que atingem os proprietários tão somente por desconhecerem a ciência da administração, a relevância do planejamento, da logística empresarial, ou ainda, não saberem equacionarem melhor seus produtos e / ou serviços no mercado específico e, em consequência disso, sucumbem ao fracasso para a infelicidade de todos os envolvidos no empreendimento.

Em se tratando do saber científico, é visível a grande necessidade de haver planejamento dentro de processos e atividades logísticas, quer sejam de apoio, suporte ou utilitários. A logística no seu âmago exige o planejamento, entretanto, a reciprocidade nem sempre se faz verdadeira na rotina da micro, pequena e média organização. É corrente, também, a presença do planejamento nelas, entretanto, sem a mínima observância das premissas, metodologias ou indicadores logísticos, caracterizando-se pobres e sem o foco desejado para o alcance dos objetivos aos quais se propõem. Pesquisas mostram que inúmeros donos de pequenos negócios quando entrevistados sobre o planejamento de suas atividades respondem não dedicarem muita atenção a isto, uma vez que seus negócios fluem no dia-a-dia e, portanto, preferem ocupar-se em outras causas de maior importância, segundo eles. Por mais interessante que possa parecer, alguns sentem-se orgulhosos de conquistarem o status de empreendedor bem sucedido sem qualquer tipo de estudos aprofundados nos seus ramos de atuações, o que constitui-se, na prática, numa verdade incontestável. O que ocorre em um lugar não é certeza de acontecer o mesmo em outro. Com efeito, há que se depreender do exposto que nada pode ser generalizado, absolutamente.

Considerando-se que cada empresa apresenta características próprias, o estudo científico da gestão deve obedecer a uma sequência de eventos já consolidada e que atinja por inteiro o cerne das questões a serem analisadas, tendo em vista que o administrador ver-se-á diante de um quadro ambiental multifatorial e competitivo. Por certo então, adota-se a coleta de dados pertinentes a cada contexto empresarial específico. Cabe salientar, ainda, que muitas empresas operam sem planos formais, não há medidores sobre a produção / serviços, materiais, estocagem ou prioridades. Em adição a isto, vários gestores, muitas vezes, são tão ocupados que não tem tempo para controles, documentos ou relatórios, eles, às vezes, pensam que somente grandes organizações precisam de planejamento e documentações solenes. Uma rápida compulsada em outras empresas consideradas maduras vemos profissionais explanarem que têm obtido bons resultados sem aparatos formais e, por esse motivo, questionam argumentando que podem não ser tão importantes assim.

O conceito de Logística Empresarial contemporânea foi esclarecido de forma que sua compreensão vai além da relevante atividade de transporte como tínhamos no passado, requer envolvimento desde o nascimento do negócio, ou seja, na origem até a entrega no cliente com o grau de satisfação que ele deseja. Durante o desenvolvimento do produto, obra e / ou serviço, seja qual for a natureza da empresa, tudo deve ser acompanhado com minucioso controle e análise crítica da qualidade.

A administração da micro, pequena e média empresa é extremamente dinâmica, porquanto suas atividades têm ritmo acelerado, altíssimo grau de complexidade; competitividade e estão sujeitas a uma trilha cheia de obstáculos como a instabilidade governamental que se abate sobre elas na forma de planos econômicos e pela falta de capital para investimento ou de giro, essenciais para sua permanência no mercado.

Digno de nota é que, no Brasil, a maioria das micro, pequenas e médias organizações operam no âmbito da intuição administrativa, ou seja, com intenções e medidas baseadas na visão do próprio dono, na sua experiência, no exemplo de mercado que eles vislumbram e nas relações diárias dos seus tratos. Não raras vezes, vemos ausência de técnicas gerenciais e metodologias científicas administrativas aplicadas na condução desses empreendimentos, pois nem mesmo aparatos formais são encontrados. Isto tudo, em parte, pode-se atribuir a falta de conhecimento técnico-científico, uma vez que não houve dedicação suficiente aos estudos em momento oportuno por parte dos gestores e, daí, inúmeras dificuldades passam a surgir no entendimento do negócio por inteiro, como a falta de planejamento, a colocação mais vantajosa para seu produto / serviço no mercado, técnicas para otimizar sua capacidade produtiva ou, ainda, análises para maximizar as vendas.

Por derradeiro, há que ter em mente quando se pensa em administrar um negócio, deve-se tomar o máximo de medidas no tocante a tentar dimensionar essa atividade com o intuito claro de identificar e agir o mais breve e corretamente a cada problema encontrado e para tanto torna-se imprescindível ter uma logística empresarial bem executada que trará enormes benefícios, inclusive a vantagem competitiva no mercado, uma vez que a concorrência é brutal e o mais rápido ao agir levará o prêmio. Este artigo teve como premissa, através de relatos práticos e moldes hodiernos, apontar vetores de sucesso e de risco para qualquer empreendedor.

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