Matopiba - A expansão de uma nova fronteira agrícola

MATOPIBA – Sigla para designar a região fronteiriça dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia

Durante as décadas de 80 e 90, levas de agricultores sulistas, herdeiros de pequenas propriedades no Sul e buscando uma vida melhor, venderam tudo que tinham e se mudaram com a cara, coragem e chimarrão para um dos rincões mais pobres e atrasados do Brasil: o MATOPIBA – Sigla para designar a região fronteiriça dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O preço das terras era bem acessível, o clima com estações secas e chuvosas bem definido e a topografia excelente para o cultivo de culturas como soja, milho e algodão em larga escala. As dificuldades, porém, foram muitas: não havia estradas, água potável, eletricidade, escolas e as primeiras moradias eram feitas de lona. Alguns dormiam no próprio carro. Quando pensavam em desistir, o sonho de uma vida melhor e a vontade de prosperar falavam mais alto e os faziam perseverar. As colheitas e as áreas plantadas se expandiam ano após ano, fazendo com que os sulistas criassem raízes, filhos e vínculos definitivos com a nova terra.

O crescimento foi e ainda é vertiginoso. Nos últimos quatro anos, somente o estado do Tocantins expandiu sua área plantada ao ritmo de 25% ao ano, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Até 2022, segundo projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil plantará cerca de 70 milhões de hectares de lavouras e a expansão da agricultura continuará ocorrendo no bioma Cerrado. Somente a região que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia terá, nesse mesmo período, o total de 10 milhões de hectares, o que representará 16,4% da área plantada e deverá produzir entre 18 a 24 milhões de toneladas de grãos, um aumento médio de 27,8%.

O MATOPIBA possui fazendas que são verdadeiras empresas, administradas de forma profissional, com tecnologia de ponta e altamente produtivas. A região é a quarta maior produtora de grãos do Brasil, sua produção é destinada tanto ao mercado interno quanto ao externo e a expansão prossegue. “ Só iremos parar quando chegar ao mar” – costumam brincar.

Do lado de fora das porteiras, porém, a realidade ainda é dura. A maioria da população nativa é pobre ou muito pobre e as cidades, ainda carentes dos itens mais básicos de infraestrutura, não acompanharam o desenvolvimento do campo. Ainda assim, a situação na atualidade é muito melhor do que em tempos pretéritos. As fazendas e as empresas que vieram empregam milhares de pessoas que antes tinham que buscar trabalho em outras localidades e hoje veem o futuro com confiança e esperança.

Assim como seus antepassados europeus que vieram “ fazer a América”, os sulistas desbravaram uma das áreas mais inóspitas de nosso país, triunfaram e tornaram-se verdadeiros empreendedores do campo. Será que o mar realmente é o limite?

 

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