O desafio sucessório de cooperativas

Os desafios na continuidade de cooperativas

Sua cooperativa sabe, exatamente onde quer chegar dentro de 10 anos? Os gestores estão preocupados em preparar as novas gerações para assumir funções com capacidade de assegurar a continuidade da cooperativa? Se o presidente ou diretores da cooperativa deixarem de existir a atividade continuará? São perguntas inquietantes que passam a fazer parte da cultura brasileira, algo que já foi verificado como um problema gravíssimo de vitalidade aos negócios na Europa. Motivo: As gerações que estão ocupando o poder têm dificuldades em repassar espaço para novos dirigentes por vários motivos: medo de perder o poder; medo de perder o controle e a observação de que as novas gerações não estão muito interessadas.

Certa vez um dirigente cooperativo se queixava que as novas gerações não estavam nem aí para a atividade. Foi quando alguém perguntou: - Será que os mais velhos estão passando aos jovens o amor pelo negócio ou a queixa de que o negócio é muito trabalhoso, pesado e até mesmo ruim? Assim, os mais novos que não são bobos pensam que não querem este modelo existencial para suas vidas. E, assim, cooperativas, propriedades rurais e outras atividades tendem a ficar órfãs de sucessores.

As alternativas mais viáveis para cooperativas sem perspectiva de sucessão são a formação de jovens líderes e o preparo de gestão de forma Corporativa, ou seja, há reunião mensal de conselhos e tais conselhos deliberam ações para membros executivos. Detalhe: - Gestão corporativa sem conselheiros preparados e com visão administrativa avançada pode ser um perigo. E, diante disso, há necessidade prioritária de um preparo dos conselheiros para entendimento de papéis a exercer e do foco que deve ser dado às reuniões: a assuntos que envolvem o todo do negócio, ou seja, o estratégico e não ficar dando o valioso tempo para atender probleminhas específicos que não resolvem a vida da cooperativa.

Mas o que é exercer ações em cima do estratégico? É, como já citamos, pensar exclusivamente em agir em pontos que mudam a vida da cooperativa: seus resultados, seus riscos e suas novas ações diante de um mundo que está muito mudado. E ai vem outro risco aos conselhos, especialmente os conservadores que são da linha “assim tá bom”. Afinal os próprios conselheiros não são as mesmas pessoas de cinco anos atrás: pensam diferente, agem diferente e muitas vezes querem que sua cooperativa fique congelada no tempo.

Existe uma máxima que aponta que quem não progride, regride. Afinal dá espaço ao concorrente que, tal o volume ampliado de relações comerciais tende, com o tempo, a verdadeiramente, “engolir” os menores que não terão competitividade estrutural e em custos para combatê-los. E, ai, é o início do fim.

O problema maior da mudança diretiva numa cooperativa é a “abertura” de cabeças... Afinal a grande maioria dos dirigentes são bem sucedidos na atividade rural e isso leva a uma elevação da auto-estima que pode gerar o perigoso perfil de entendimento de que “já sabe tudo”, havendo o distanciamento a atualização administrativa, a valorização do conhecimento técnico e aos novos tempos de administração altamente interativa e com compartilhamento de desafios com a equipe, com o chefe dando, verdadeiramente, lugar para o líder.

Como identificar um bom gestor e potencial conselheiro? O foco dele não está no conserto mecânico de um veículo, por exemplo, mas naquilo que muda a vida para bem da organização que representa. Sabe analisar números financeiros e outros relatórios gerenciais. Se não compreende tem a simplicidade de aprender ou buscar quem ensine. Se cerca de pessoas melhores do que ele, não ao contrário. Busca cercar-se de especialistas em diversas áreas para tomar decisões a partir do “escutar” tecnicamente. Está sempre atualizado. Ao contrário do que se imagina não é somente o estudo o fator determinante para o sucesso do Conselheiro (Se tiver sem dúvida melhor). Mais do que isso: independente da escolaridade, a vontade de aprender e a abertura para isso que faz imensa diferença no presente e futuro da cooperativa.

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Tags: Cooperativa Cooperativismo Gestão corporativa em cooperativas