Psicologia organizacional

Compreender a diversidade que compõe os recursos humanos das organizações é imprescindível para manter as empresas competitivas no mercado

A diversidade existente entre os indivíduos em uma mesma comunidade revela a gama de características e peculiaridades passíveis de consideração, no momento em que nos propomos a compreender o comportamento humano dentro das organizações.

Cada indivíduo possui seus próprios anseios e desejos durante sua vida; assim, é preciso entender que estas particularidades definem a postura comportamental adotada por ele ao longo de sua jornada, procurando alcançar seus objetivos, sejam estes profissionais, sociais, emocionais.

Uma das questões primordiais sobre o comportamento do indivíduo no contexto das organizações se refere às habilidades intelectuais e físicas dos trabalhadores. Estas habilidades variam de acordo com a função exercida dentro das organizações.

Em Elgenneni apud Robbins (2006) tem-se a habilidade intelectual dividida em seis dimensões: aptidão para números, compreensão verbal, rapidez de percepção, raciocínio indutivo, raciocínio dedutivo e visualização espacial. A habilidade física, por sua vez, divide-se em nove tipos: força dinâmica, força no tronco, força estática, força explosiva, flexibilidade de extensão, flexibilidade dinâmica, coordenação motora, equilíbrio e resistência.

Outro fator importante é a personalidade de cada trabalhador.

Existem alguns fatores que são determinantes na personalidade de uma pessoa. Nossa personalidade começa a se formar desde a infância e segue durante nossa vida. Os fatores determinantes da personalidade são: a hereditariedade, o ambiente e a situação (ELGENNENI, 2010, p.93).

Percebe-se, portanto, que o comportamento baseado na personalidade pode sofrer mudanças situacionais, uma vez que os indivíduos tendem a se adaptar-se às diversidades enfrentadas no decorrer de suas vidas e, principalmente, no contexto empresarial. Vale lembrar que estas reações podem ser consideradas positivas ou negativas, sob o ponto de vista do empregador.

A motivação, por sua vez, é objeto de estudos por vários estudiosos de administração. Compreender o que realmente motiva as pessoas e determina seu comportamento é muito relevante para o sucesso organizacional.

Uma das teorias mais conhecidas acerca da motivação humana é a Pirâmide de Necessidades de Maslow. A teoria das motivações proposta por Maslow classifica as necessidades humanas conforme uma escala variável entre fisiológicas e de auto-realização. As necessidades fisiológicas e de segurança são consideradas primárias, uma vez que necessitam ser sanadas para que o indivíduo passe a ter novas necessidades. Essas novas necessidades, denominadas secundárias, são compostas por necessidades sociais, de estima e de auto-realização.

De acordo com Elgenneni (2010), ainda existem as Teorias X e Y, de Douglas McGregor; a teoria dos dois fatores, de Herzberg; a teoria da expectância, de Vroom; a teoria da avaliação cognitiva, de Deci; a teoria de fluxo, de Csikszentmihaly; a teoria do estabelecimento de metas, de Locke; a teoria da aprendizagem social, de Bandura; e a teoria da autorregulação, de Kanfer. Todas estas teorias explicam, a seu modo, o comportamento humano baseado na motivação.

O comportamento dos indivíduos também se modifica no contexto individual e no grupo do qual fazem parte.

O comportamento intragrupo influencia o resultado do seu desempenho. A estrutura do grupo e o seu funcionamento influem no comportamento das pessoas que o compõem. Assim, fatores como motivação e expectativas do grupo influenciam esse comportamento (ELGENNENI, 2010, p.117).

É importante ressaltar as diferenças existentes entre grupos e equipes. As equipes são impostas pela própria organização, através da contratação de funcionários capacitados de acordo com o padrão e o nível exigidos pela empresa. Os grupos, por sua vez, possuem caráter informal, sendo formados a partir da afinidade existe entre os indivíduos, seja esta afinidade de ordem de gênero, por idade, por função etc.

Dentro do contexto da formação de grupos a partir de equipes pré estabelecidas, a função do líder se torna muito importante. A posição de responsabilidade imposta pelo líder precisa estar de acordo com o esperado pelos funcionários; do contrário, haverá problemas na comunicação entre chefia e subordinados, gerando impasses no âmbito organizacional.

Elgenneni (2010) coloca diversos tipos de liderança desenvolvidos nas organizações, baseados em teorias de estudiosos do assunto. As principais teorias são as dos traços de lideranças e as comportamentais, que se diferem no sentido da origem desta liderança. A primeira teoria defende que os traços e características dos líderes são pessoais, peculiares de cada indivíduo. Já a teoria comportamental acredita que o líder pode se posicionar conforme o relacionamento que deseja com seus subordinados ou, ainda conforme as tarefas que necessitam ser realizadas.

Dentro do contexto do comportamento humano no ambiente de trabalho, vale ressaltar a relevância do denominado clima ou cultura organizacional, uma vez que ele exerce grande influência sobre as relações interpessoais existentes na organização.

A cultura tem várias funções em uma organização. Ela tem o papel de diferenciar uma organização de outra, mesmo que façam parte do mesmo contexto; proporcionar um senso de identidade às pessoas que fazem parte dela, uma vez que as pessoas se relacionam umas com as outras e podem se espelhar umas nas outras [...] (ELGENNENI, 2010, p.152).

Clima organizacional, por sua vez, é a qualidade do ambiente psicológico de uma organização, em decorrência do estado motivacional das pessoas. O clima organizacional pode ser positivo e favorável, quando é receptivo e agradável, ou negativo e desfavorável, quando é frio e desagradável.

Cada empresa possui uma realidade própria onde a cultura e o clima organizacional sofrem influências de diversos fatores. Entretanto, é preciso estar “antenado” com as tendências mundiais, havendo a necessidade de adequação da estrutura organizacional às novas tecnologias, as quais tendem a tornar cada vez mais rápidas as transações de todos os tipos.

O papel do líder e seu estilo de liderança, por sua vez, são fundamentais para desenvolver a satisfação dos funcionários no trabalho. Contribuem para a motivação da equipe, o comprometimento dos funcionários, a confiança na empresa, a segurança e o sentimento de valorização do funcionário conquistado através de feedback, respeito e credibilidade.

A liderança esta entre uma das principais causas de satisfação no trabalho. Bons líderes criam todas as condições possíveis para que os ambientes de trabalho sejam lugares aprazíveis e nos quais as pessoas possam desenvolver e realizar seus potenciais.

A rapidez e agilidades necessárias no ambiente do trabalho geram outro fator relevante no ambiente organizacional: o estresse. O estresse pode se dar por fatores individuais (como saúde, sintomas psicológicos e comportamentais) além de fatores organizacionais (demandas de tarefas, interpessoais etc.)

De todo modo, o comportamento humano, seja individual ou dentro de grupos, merece toda a atenção, pois é a partir dele que se determinam as relações dentro da organização, produzindo pontos positivos ou negativos para os objetivos a serem alcançados pela empresa.

 REFERÊNCIAS

CHIAVENATO, Idalberto. Administração geral e pública. 2ª edição. Rio De Janeiro: Campus, 2008.

ELGENNENI, Sara Maria de Melo. Psicologia organizacional: administração III. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.

 

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