Se não for agora, quando?

Quantas coisas você já conseguiu empurrar com a barriga por medo de errar, de fazer as coisas de maneira diferente do que você faz? Quantas coisas boas você já deixou de acrescentar ao seu inventário de realizações por medo de tentar algo novo? Quantas vezes você já abriu mão do sonho por conta da estabilidade que suga toda sua energia?

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A pergunta do título em questão é atribuída a Hilel, um rabino que viveu durante o reinado dos imperadores Herodes e Augusto, quando Israel pertencia ao antigo Império Romano, no início do primeiro milênio.

Apesar de simples, incomoda. Faz você pensar em quantas coisas já deixou de fazer por não querer enfrentar a dor, por medo de desafios, por desconhecimento do assunto e, na maioria das vezes, por uma simples questão de procrastinação.

É difícil admitir esse hábito que, em parte, pode ser confundido com preguiça, indisciplina, desinteresse pelas coisas que você sabe que precisa fazer, mas não tem a mínima vontade de começar.

Existem algumas razões para isso: se não é prioridade, provavelmente, não é importante; se não é importante, jamais terá a prioridade necessária; o tempo não ajuda uma vez que você não estabelece prioridades; se a prioridade não existe, para que perder tempo com isso?

Viu como é fácil encontrar respostas? O ser humano é mestre em desculpas, justificativas e tudo o que for possível alegar para não admitir que o problema reside, na maioria das vezes, nele mesmo e, ainda que por um instante, desculpas doem menos do que deixar a zona de conforto para botar a mão na massa.

A questão é mais simples do que se imagina: quando é que você vai parar de arranjar belas desculpas ou justificativas para começar a produzir algo capaz de tornar sua vida mais rica, mais produtiva e desafiadora, e a vida das pessoas que convivem contigo mais fácil?

Na prática, quando a água bater no pescoço ou quando a dor bater à sua porta, a menos que você comece a modificar os seus hábitos e modelos mentais hoje mesmo. Não é fácil quebrar um hábito, quer seja a velha mania da desculpa, quer seja a da mentira.

As mentiras mais devastadoras não são aquelas que contamos para os outros, mas as que contamos para nós mesmos, segundo Nathaniel Branden, psicoterapeuta norteamericano, e isso tem um alto preço a ser pago: o preço da insignificância.

Quantas coisas você já conseguiu empurrar com a barriga por medo de errar, de fazer as coisas de maneira diferente do que você faz? Quantas coisas boas você já deixou de acrescentar ao seu inventário de realizações por medo de tentar algo novo? Quantas vezes você já abriu mão do sonho por conta da estabilidade que suga toda sua energia?

Nas palavras de Seth Godin, guru de marketing, é o seu cérebro reptiliano exercendo, com força máxima, o poder de torná-lo insignificante diante das coisas mínimas da vida, cujo poder de mudança está em suas mãos.

Portanto, o ser humano não é carente de ideias, ao contrário, ideias surgem e desaparecem todos os dias em meio a um turbilhão de ideias que tomam conta do seu cérebro enquanto ele se perde em desculpas: não posso, não quero, não devo, não é para mim.

Nas palavras de Jim Collins, em seu maravilhoso best setller Feitas para Durar, esperar por uma boa ideia é a pior ideia que você pode ter, portanto, não espere, simplesmente faça, supere o medo, a dor, a desculpa.

Por experiência própria, posso afirmar que não existe caminho certo ou errado, mas existem caminhos que nos levam a lugares desconhecidos, às vezes bons, às vezes ruins.

De volta à questão principal do texto, se não fora agora, quando? Quando é que você vai tirar aquela ideia do papel? Quando é que você vai ligar para os seus pais e pedir perdão? Quando é que você vai começar a planejar o seu negócio? Quando é que você vai fazer exercícios? Quando é que você pedir demissão do emprego atual e canalizar energia para algo capaz de torná-lo uma pessoa mais alegre, mais digna, mais humana, mais viva?

Entendo, a realidade é o que ela é, não o que você gostaria que fosse. Pior ainda, o Brasil é um país hostil para quem não possui emprego fixo e para quem deseja empreender, então, o modelo mental prevalece: melhor um pássaro na mão do que dois voando.

Se pensa assim, perdeu tempo em ler esse artigo e esqueça o que eu disse. A única coisa que você não deve esquecer é a pergunta mais cruel que alguém costuma fazer para si mesmo quando passa dos sessenta ou setenta anos: por que é que eu não fiz isso antes?

A resposta será ainda mais cruel: eu poderia ter feito isso! Acredite, tanto a pergunta quanto a resposta hão de castiga-lo até o fim dos seus dias. O tempo passa muito rápido e, quando você menos espera, a velhice surge num estalar de dedos, carregada de autocrítica e não há tempo para mais nada.

Um dia, quando você se aposentar, quando as crianças saírem de férias, quando os filhos se formarem, quando seus pais se forem, quando as preocupações terminarem, quando o país melhorar, quem sabe, se Deus quiser, você tenta.

Contudo, lembre-se de que, quanto mais próximo da velhice, menor a energia, o vigor físico, a força de vontade e a motivação dos áureos tempos em que você, pensava em tudo e não realizava nada.

A única pergunta que você deve fazer, caso queira progredir na vida é: se não for agora, quando?

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