A grande lição de proatividade em "Agent Carter"

Se na época do Capitão América Peggy Carter era vital para a organização, depois de derrotar os nazistas e a Hidra, a agente é reduzida a “moça do café”

Divulgação/Marvel

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a suposta morte do capitão Steve Rogers, a agente Peggy Carter se vê esquecida na Reserva Científica Estratégica (SSR). Se na época do Capitão América Peggy era vital para a organização, depois de derrotar os nazistas e a Hidra, a agente é reduzida a “moça do café”. O mundo ganhou novas ameaças e se reconfigurou em outras dinâmicas de poder, mas nenhuma mudança foi grande o suficiente para tornar a vida de uma mulher trabalhadora nos anos 40 mais fácil.

Em Agent Carter, acompanhamos uma Peggy frustrada por ser frequentemente deixada de lado em missões e decisões importantes da SSR. “Durante a guerra, eu tinha um senso de propósito. Responsabilidade. Agora eu conecto as chamadas, mas nunca tenho a chance de fazê-las eu mesma”, confidencia a personagem a uma amiga. A falta de confiança de seus chefes e colegas, entretanto, não a desanima. Na verdade, é aí que entra a graça da série da Marvel: além de não ser o tipo de pessoa que leva um “não” para casa sem ao menos tentar, Peggy Carter não precisa de uma estrelinha dourada para ser uma profissional de alta performance.

Em um ambiente hostil, em que todas as mulheres apenas atendem telefones e anotam pedidos de almoço, a agente dá o seu melhor e usa as circunstâncias ao seu favor. Já no primeiro episódio, vemos o seu modo de lidar com os obstáculos: quando é excluída de um briefing, Peggy entra casualmente na reunião de portas fechadas munida de cafezinhos para seus colegas desavisados, escuta todas as informações que precisa, e então sai em sua própria missão, sem pedir autorização a ninguém.

O segredo de Peggy é que sua motivação não depende de uma equipe unida, de um chefe que reconhece seu potencial, de medidas organizacionais que incentivam o engajamento. Proativa e extremamente competente, a agente desempenha seu trabalho guiada por suas próprias percepções do que é capaz, e se satisfaz com o resultado de seu trabalho bem feito.

Ao final da primeira temporada, quando encerra, com sucesso, uma missão importantíssima, a agente vê os créditos de seu trabalho serem atribuídos a um de seus colegas, que ganha prestígio e uma promoção. Sua tranquilidade diante da injustiça é questionada por um amigo. Como Peggy consegue aguentar aquilo? Ela explica: “Eu não preciso de uma menção honrosa do congresso. Eu não preciso da aprovação do presidente. Eu conheço meu valor. A opinião dos outros realmente não me importa”.

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