Café Society, de Woody Allen, prova que a produtividade compensa e muito

Aos 80 anos, o diretor lança seu 47º longa, que o consagra como um dos maiores cineastas norte-americanos da atualidade

Divulgação

Conhecido como um dos realizadores mais prolíficos de Hollywood, Woody Allen chega aos 80 anos em plena forma com Café Society. Seu mais novo filme traz o glamour dos anos 30 para essa "tragicomédia" - uma de suas mais fortes marcas como roteirista - e introduz o espectador em um banquete visual e cultural, iluminado pela fotografia do italiano Vittorio Storaro. Tendo aberto o festival de Cannes, o longa tem sido aclamado pela crítica e chegou aos cinemas prometendo sucesso também de público.

A trama se passa na década de 30 e acompanha as andanças de Bobby (Jesse Eisenberg), um jovem judeu do Bronx, Nova York, que se muda para Los Angeles para trabalhar com seu tio (Steve Carell) em um estúdio de cinema. Ali conhece Vonnie (Kristen Stewart) por quem se apaixona, sem saber que ela é amante de seu tio. A partir de então, o longa brinca com sentimentos de melancolia e desilusão, através da jornada amorosa de Bobby, que vai de inocente e esperançoso a um jovem fadado à dureza do mundo real.

 

Por trás do simples e acertado enredo, está um grande Woody Allen, que tece comentários irônicos sobre a família judia, a formação do sonho americano, a virada de um século, o fim de uma era, como tipicamente faz em seus filmes. Dicotomias marcam esse longa-metragem - Nova York x Los Angeles, cristianismo x judaísmo, idas e vindas. Mas o que há de especial aqui?

Em primeiro lugar, Allen prova que trabalhar, trabalhar e trabalhar é o segredo do sucesso. Aos 80 anos, Café Society é seu longa-metragem número 47. Tantos filmes, tantos roteiros, tantos processos de produção e filmagem com certeza ensinaram ao cineasta sobre seus pontos fortes e fracos. E esse autoconhecimento é essencial a qualquer carreira, em qualquer área do mercado. O filme traz de volta a excelência estética na direção e o incomparável talento como roteirista - brilham os diálogos de Allen, por exemplo. Esse acerto é fruto da experiência e produtividade do realizador, que já afirmou em entrevistas o seu desejo de continuar filmando enquanto sua saúde, corpo e mente permitirem.

O longa é também o primeiro em que Allen substitui a película pelas câmeras digitais, o que é um marco em sua carreira de resistência à essa mudança. A exploração de temas comuns em sua trajetória fílmica com esse novo aparato traz um frescor ao filme, que parece ser uma síntese de tudo aquilo que Woody Allen tem de melhor, mas não soa como mais do mesmo. Entre tantos erros e acertos na carreira - inclusive devido à quantidade de roteiros e filmes realizados - Café Society se destaca provando que dedicação e diligência podem sim trazer frutos de grande valor simbólico e sucesso material.

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