FIFA "amarrou a Égua" no lugar errado

A Copa do Mundo acabou se transformando em uma grande oportunidade de negócios, que o diga os políticos, empreiteiras e demais profissionais envolvidos nas obras superaturadas aos olhos de todos sem ninguém fazer nada sob o pretexto de falta de tempo

Quando alguém teve a infeliz ideia de realizar a Copa do Mundo no Brasil não sabia que poderia gerar tanta confusão e transtorno. Ao final, todos saem perdendo, ou melhor, quase todos. Esperava-se (?) que o “país do futebol” trabalhasse com excelência, dedicação, coerência, ética, clareza e respeito cumprindo assim o cronograma e o que havia sido planejado.

Acreditava-se que o povo simplesmente abraçaria aos visitantes e se orgulharia de ter em sua Pátria a honraria de sediar o tão cobiçado campeonato. Mas o quê deu errado? Se você realmente quer saber é só fazer algumas buscas na internet para encontrar informações estarrecedoras ao mesmo tempo que são interessantes.

Do pouco que sei e vi nos entornos dos Aeroportos, por exemplo, reina o caos. Em Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte e Salvador ir aos Aeroportos se tornou uma aventura. Para chegar a Confins é tanta poeira e transtorno que dá até vontade fazer as viagens de ônibus, carro ou até a pé. Na Bahia, no Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães tive que usar até “Pinguela”. Se você não está familiarizado com a expressão, é chamada de Pinguela uma passagem improvisada para atravessar de um lado para outro, pequenos riachos ou locais altos.

Na maioria das vezes é feita somente de um tronco, sem proteção, onde a pessoa atravessa equilibrando. Essa, a qual me refiro, de Salvador era feita com uma tábua da própria obra. Dos doze Aeroportos, oito não terão suas obras concluídas em tempo. Dos doze Estádios da Copa em seis a internet não funcionará direito, segundo o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo.

Mas isso que mencionei aqui, é somente o pó do pum da Borboleta, parafraseando um antigo Professor do segundo grau que hoje é ensino médio. O Brasil não abraçou a Copa, ao que parece as pessoas não estão mais tão manipuláveis. Como aceitar de bom grado o evento com a saúde em níveis críticos e a segurança à beira de um colapso? Penso que o povo brasileiro acordou de fato depois de um sono profundo de longos anos.

Iludidos pelo poder de compra que aumentou e muito, sobre isso não há discussão, pelo consumismo desenfreado imposto pelas mídias e pelo sistema como um todo, as pessoas ficaram alienadas e alheias a tudo de ruim que tem acontecido em nosso país. Após a chamada Revolta dos Vinte Centavos ocorrida em 2013 as manifestações não pararam mais. Não adianta dizer que está tudo bem, não está tudo bem. Já escrevi isso em artigos anteriores.

É difícil se conformar com estádio de futebol ultrapassando a marca de Bilhão de Reais financiados em parte pelo dinheiro público. O chamado “Legado da Copa” ao que parece, em pouco influenciará no dia-a-dia dos brasileiros. Tínhamos uma grande expectativa de estradas, transportes, hotéis e aeroportos melhores. Havia a esperança que seria feito investimento na saúde e, principalmente na segurança, até por que somos corresponsáveis pelo bem estar dos turistas no período em que aqui permanecerem.

As informações que chegam do Brasil lá fora não são das melhores. Todos os dias aparece uma “novidade”, que é apresentada aos outros países de forma maximizada influenciada pelo conceito pré-existente. A mídia internacional tem desaconselhado ou desestimulado os turistas em relação à visita ao Brasil. As razões são as mais variadas, da insegurança à desonestidade na comercialização de produtos que são inflacionados quando o cliente é de fora.

A Copa do Mundo acabou se transformando em uma grande oportunidade de negócios, que o diga os políticos, empreiteiras e demais profissionais envolvidos nas obras superaturadas aos olhos de todos sem ninguém fazer nada sob o pretexto de falta de tempo. De nada adiantaram as Comissões e Órgãos designados para fiscalizar essas ações e obras. Não coibiram os desvios. O Romário afirmou que seria uma roubalheira sem precedentes na história do país, ao que parece, o Deputado tinha razão. Pelo que li, nenhuma das obras ficou dentro do orçamento inicial.


“Onde fui amarrar minha Égua?” É isso que o presidente da FIFA, Joseph Blatter quer dizer quando fala que organizar a Copa da África do Sul foi bem menos complicado que organizar a Copa do Brasil. “Onde fui amarrar minha égua?” É isso que o Secretário Geral da FIFA, Jérôme Valcke quer dizer quando fala que viveu um inferno ao lidar com as autoridades brasileiras e seu jeito de fazer as coisas. Ainda em 2012 quando afirmou que os organizadores da Copa do Brasil mereciam um chute no traseiro pelo atraso nas obras e na estrutura pública, quiseram execrá-lo, chamando- de deselegante e mal educado. Quiseram até impedi-lo de voltar ao país para ser o interlocutor da entidade máxima do futebol no assunto Copa do Mundo no Brasil.

Sobre a origem do provérbio da Égua, deixarei que cada um pesquise, já que o significado sabemos bem. Fato é que as autoridades com as quais a FIFA negociou, e as outras que vieram depois não cumpriram o que foi combinado e contratado. Incompetência? Irresponsabilidade? Falta de comprometimento? Um misto de tudo isso, no Brasil é assim. Não podemos nos esquecer, que acima de tudo o futebol é um grande negócio e um produto rentável. A FIFA é uma empresa que visa lucros, como qualquer outra e defende os interesses próprios, é o mercado. Ela não é responsável por nada disso que está acontecendo, houve uma negociação, contratos, e alguém do Brasil assinou. Mesmo sendo exímios negociadores, excelentes de Marketing os Gestores da Instituição Futebolística falharam feio, ao não levantarem a ficha do cliente e não fazerem uma pesquisa sobre o perfil das autoridades e modelo de gestão brasileiras.

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