Caro leitor, você lerá esse texto até o final e espero que ao menos entenda o que quero dizer. A minha discussão em cima desse tema é muito pequena, a dimensão maior está em você e em mim que busca a felicidade incessantemente, tentando tirá-la de algum lugar do coração, da nossa história, dos nossos valores, dos nossos pensamentos, da nossa razão, da nossa verdade. Sim, muitas vezes para atingirmos um estado de felicidade somos capazes de procurar em tantos lugares e em tantas coisas que nos passa despercebido se aquilo é real ou não. Tudo que nos conforta e nos dá uma saída para a vida e de certa forma se comprova realidade tem fácil acesso ao nosso coração, pois é claro, tudo que nos faz bem e seguros, nos é bem-vindo. Tudo isso é muito bom, concorda? A segurança é uma das melhores sensações que podemos ter. Agora atire a primeira pedra quem nunca teve dúvida, incerteza, medo ou insegurança. Quantas vezes nós não fomos tirados de uma zona de conforto? Quantas vezes nós gostaríamos de chegar a uma conclusão ou resultado e somos impedidos, bloqueados ou reprimidos? Atingir um estágio de auto-realização nesse ciclo motivacional pode se tornar uma tarefa árdua e imprevisível, termos nossas razões e sermos impedidos de vivê-las é difícil. O mais lindo é poder e conseguir chegar a um estado onde o conforto de todos não depende exclusivamente das nossas verdades ou razões. Saber lidar com grande diversidade e reconhecer que no mundo há tantos conceitos a serem estudados nos deixa muito melhor em vez de criarmos nosso próprio universo e tentarmos vivê-lo de acordo apenas com o que nós acreditamos. Nós sempre vamos cair, e cair feio, se nós esperarmos das pessoas apenas aquilo que criamos e acreditamos para nós mesmos. Será que a minha ou a sua verdade permite enxergar as pessoas que estão ao nosso redor? Antes de entrar na minha ou na sua zona de conforto já paramos para pensar se o que defendemos é a melhor razão? Chegamos a questionar? É claro que tudo que criamos na nossa vida reflete na vida de outras pessoas. Já nos imaginamos numa situação onde a nossa verdade, a minha e a sua 'segurança', fere alguém ao nosso redor? O que temos de fazer nesse caso? Insistir no que acreditamos ser absoluto e ter a possibilidade de perder quem amamos? Ou permitir que a pessoa também exponha o que lhe é seguro, a fim de que cheguemos a uma verdade compreensível, justa, inclusiva e amável? Muitas vezes aceitar que o outro expresse a própria felicidade intrínseca é encontrar o nosso maior conforto. Mas nos permitimos a isso? O medo de deixar a nossa verdade pode acabar com a vida de quem está diretamente ligado a nós, se tudo o que fazemos é impor nossas razões. Antes de sugerirmos nossos conceitos, nossas razões, seria extremamente importante que avaliássemos o que os outros acreditam, sentem, pois nem sempre as pessoas concordam conosco, e o que mais dói, embora seja um sofrimento em vão, é saber que elas não são obrigadas a concordar. Vale lembrar, que aceitar também o fato de que não estaremos eternamente presentes na vida das pessoas nos faz ter mais segurança de que podemos errar, aprender, encontrar novos caminhos e até mesmo morrer em paz, por saber que as pessoas ao nosso lado não foram obrigadas a depender de nossas razões ou dos nossos pensamentos para viver. Deixar as pessoas livres para viver é também aprender que felicidade é pessoal e intransferível, e também pode ser compartilhada ao invés de imposta. Nós temos toda a liberdade de encontrar e viver a felicidade da maneira que acreditamos ser a melhor e podemos também aceitar que nem sempre o que me faz bem é necessário ou razão para quem está ao nosso lado. Chegar num nível onde consideramos também o conforto dos que estão ao nosso lado é uma atitude de amor, nítida, aberta e humilde. É nobre e faz tudo muito melhor. Mais Feliz. A final, o que estamos procurando?