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Paris Filmes, Danilo Gentili e a pior hora para ensinar a ser o pior aluno da escola

Comunicação da distribuidora sobre filme já polêmico gerou ainda mais discussões

Reprodução

Desde que foi anunciado, o filme “Como se tornar o pior aluno da escola” vem gerando polêmicas. E aqui adianto logo: não vou falar sobre o que não conheço. Não li o livro de Danilo Gentili que inspirou a produção nem vi o filme. Mas vou falar sobre a confusão mais recente que o longa – ou melhor, sua comunicação – provocou.

A Paris Filmes, responsável pela distribuição da película, tem usado as mídias sociais para cumprir sua missão. Até aí, nada além do burburinho que já vinha gerando. Mas entraram em cena dois outros fatores e parece que a distribuidora não se deu conta.

O primeiro deles foi o caso de Goiânia, em que um estudante que alegava sofrer bullying abriu fogo contra colegas de turma na sala de aula. Isso reacendeu os debates sobre o tema e ofereceu mais munição a quem já criticava o filme, que se apresenta como um “manual politicamente incorreto” de como se comportar na escola.

Alguns dos materiais de divulgação postados pela Paris Filmes foram estes abaixo:

O segundo fator é que a mesma Paris Filmes está promovendo outro filme no Brasil, que tem um discurso justamente oposto ao de “Como se tornar o pior aluno da escola”. Trata-se do longa “Extraordinário”, que conta a história de um menino que tem uma deformação facial e enfrenta muitos desafios para se integrar ao convívio escola. Na comunicação dessa produção, a Paris Filmes usa mensagens e adere a campanhas antibullying, o que levou muitos internautas a questionarem a “esquizofrenia” de posicionamento da marca.

E, sinceramente, esses questionamentos fazem todo sentido. É fato que a Paris Filmes é uma distribuidora que tem em seu catálogo produções com abordagens variadas, focos distintos e mensagens que divergem. Mas a partir do momento em que a empresa assume a voz do filme em comunicações desse tipo, o impacto sobre os espectadores é conflituoso.

Esse caso é um exemplo clássico de falta de feeling, misturado com falta de planejamento e também de bom senso do quem elaborou a campanha. Afinal de contas, independente do momento, aderir ao discurso polêmico do filme é trazer para a marca as chagas que o longa vem produzindo para si. Para quem está no filme, principalmente Danilo Gentili, que escreveu o livro que deu origem ao roteiro e é um dos personagens principais, as polêmicas e acusações só fazem bem. Ele vive disso e é um posicionamento alinhado com sua postura. Mas para a Paris Filmes não.

Tanto é que, no meio da divulgação de um filme seu, a empresa precisou divulgar uma nota dizendo que a produção não representa sua visão e valores. Foi o tiro de misericórdia que ela deu em si.

Fica a lição. Espero que fique algum aprendizado e os responsáveis provem que não são, de fato, os piores alunos da escola.

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