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Sua avó também é geek

Sabia que você e sua avó têm muito mais em comum do que imaginam? Assim como você pode gostar de rock, ser fã do Downey Jr. e não desgrudar da Netflix, ela pode curtir Roberto Carlos, ser fã do Papa Francisco e não desgrudar da Canção Nova. Ou seja, vocês são geeks de coisas diferentes

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Sim! Ela é. Você pode achar que não é, mas é. Você também é geek. Todo mundo é. Por que ser geek é ser alguém apaixonado por alguma coisa. Tem um lado totalmente sentimental no processo, saca? Pense se você gosta de alguma série, de algum filme, de algum livro, de algum quadrinho, de alguma música, de algum artista… bom, você já entendeu. Ser geek é ser apaixonado por algo que o motiva de alguma forma. Sua avó, por exemplo, deve gostar de artistas e filmes de antigamente. Ou seja, parafraseando Danilo Gentili, provavelmente sua avó passa o ano inteiro esperando para ver Roberto Carlos cantar as mesmas músicas na TV em dezembro. Então ela é geek do Roberto Carlos.

Hoje, de uma forma geral, o mercado ainda enxerga o público geek como um nicho focado em super-heróis e tecnologia e não consegue enxergar que, na verdade, esse “nicho” pode ser todo mundo. Vejam por exemplo a campanha do Omelete que defende a bandeira Somos Todos Geeks. O portal buscou encontrar um real significado do que é ser geek e procurou vários influenciadores para darem suas opiniões sobre o assunto. Abaixo, tem um vídeo da conclusão deles:

Crédito: Wolf Wolf - Campanha do Omelete - Somos Todos Geeks

Não dá mais hoje para você avaliar perfil de público baseado em classe social, idade etc. Hoje é necessário avaliar o perfil do público por comportamento. Vou dar um exemplo: eu tenho alguns amigos que se reúnem para um clube de vinhos às quintas-feiras. Nesse grupo tem desde um desempregado cheio de dívida, coitado, passando por um juiz, até um empresário milionário. Se você determinar o público pela classe social, jamais os colocaria no mesmo ambiente, mas o que os une é a paixão pelo vinho e, claro, uma boa conversa. Ou seja, eles são geeks do vinho? Podemos dizer que sim.

Mas claro que o mercado chamado de geek tem se destacado nos últimos tempos, e isso também é comportamento, porque o que une todo esse público é a paixão pelos super-heróis e tecnologia, principalmente puxados pelo cinema e TV. Eu me lembro muito bem que, quando eu era criança, lia muito Turma da Mônica e os clássicos da Disney, Manual do Escoteiro Mirim e ficava vendo o mapa mundi e decorando o nome dos países e capitais. Além disso jogava videogame e RPG, sempre tirava boas notas no colégio e era o que mais sofria bullying (mas isso nunca me afetou). Fui um nerd clássico. Eu tinha um padrão de comportamento que hoje trago comigo toda essa influência porque eu não deixei morrer. O que acontece agora é que o mercado despertou que existe um saudosismo gigantesco de muita gente que deixou para trás, mas está reacendendo ou aprendendo a gostar. Que não tem idade nem classe social para ser fã de algo.

Toda essa chama desse universo fantástico quase que paralelo, onde o impossível não existe, rende bilhões e bilhões de dólares de consumo com conteúdos amados e seus produtos licenciados, pois todo mundo quer ter um artigo original ou colecionar algo que julga importante para você. Eu fico imaginando minha avó ganhando uma foto autografada do Papa Francisco com um tercinho abençoado por ele. Ou minha mãe ganhando uma jaqueta do Roberto Carlos… elam iriam pirar! Eu, por exemplo, tenho meus Legos, meus quadrinhos e meus action figures dos quais morro de ciúmes.

E não, eles não são bonequinhos, nem brinquedos. Mas isso eu deixo para o próximo artigo.

Hakuna Matata!

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