A morte do vendedor

Portanto, se você é vendedor, representante comercial, consultor de vendas ou algo parecido, melhor revisitar seus conceitos, senão você vai nadar, nadar e morrer na praia em questão de dias. Mate o vendedor que existe em você e renasça como especialista em soluções estratégicas.

Depois de tantos anos vivenciando experiências no comércio, percebi que as mudanças que ocorreram nos últimos 5 anos são bem maiores do que aquelas que ocorreram nos 25 anos anteriores. As velocidades das mudanças são, muitas vezes, superiores à capacidade de adaptar-se a elas. Isso é bom, mas é ruim.

Imagine que no meu mundo não havia celular e tudo o que agora tem dentro dele. Esse aparelho, agora faz quase tudo e até telefona. Com essa mobilidade, geramos uma infinidade de informações que estão sendo percebidas por empresas, que acabarão por controlar o fluxo global de produtos e serviços, ou os rumos da economia futura, através da ligação do produto ao cliente. Isso também é bom, mas também é ruim.

Centrais de controle, hoje, monitoram onde estamos e onde fomos, o que pesquisamos, o que nos interessa, onde gastamos nosso dinheiro, como ganhamos, vinculam padrões de comportamentos levando-se em consideração nossas crenças, a opção sexual, cultura, raça, condição financeira, até culminar com o reconhecimento fotográfico com georreferenciamento ligados ao nosso aparelho celular, via Google, Google Maps, Facebook, Instagram, WhatsApp, E-mails, Waze, uso de seus cartões de crédito, páginas visitadas, comentários, avaliações e tantas outras evidências, que hoje para encontrar você, demora menos de um milésimo de segundo.

Junto com você na internet, vem o seu perfil que está conectado a milhares de aplicativos que se utilizam dessa base gigantesca de informações e justamente isso que interessa à nova economia.

As ligações entre os interesses e as satisfações estão nas mãos dos gigantes dessa nova indústria do conhecimento e da gestão da informação.

Já percebeu algum endereçamento de tema, seja post impulsionado, seja propaganda alavancada em sites da internet ou e-mails promocionais voltados “curiosamente”, aquilo que você está vivenciando? Já recebeu um convite para almoço no seu Waze de um restaurante próximo de onde você está passando? Viu o convite para você disponibilizar a informação de preços do posto de gasolina pelo aplicativo, imediatamente quando você acaba de parar para abastecer? Pois é, bem-vindo ao novo mundo de vendas.

Abro o YouTube para assistir um vídeo que me interessa e imediatamente entra um comercial de gestão e consultoria on line, tema que discuto diariamente com clientes. E tem mais, abro meu Outlook e recebo exatamente a proposta de compra do vinho que mais gosto, hoje, agora, em promoção. Vou viajar para o exterior e o aplicativo de tradução on line, me manda uma mensagem lembrando que eu posso contar com ele nessa viagem.

E tem mais, ao sair do cliente, o celular me manda um aviso imediato de que eu vou levar 35 minutos para chegar em casa. Tudo isso é padrão, horário, preferências, costumes, ou seja, perfil.

Abra os olhos... algo mudou.

A internet das coisas irá revolucionar os processos antigos de compras. A sua geladeira irá enviar uma ordem de compra para o portal on line do supermercado e comprar cervejas, debitando no seu cartão de crédito, porque as suas loiras geladas estão acabando e amanhã tem jogo do seu time favorito.
Hoje você pode saber quem leu sua mensagem, quem curtiu, quem comentou, tendo acesso ao intercâmbio de comunicação direta com o cliente, e em tempo real (on line).

O Jornal não mais conseguirá acompanhar essa evolução e nem a TV, que está em vias de extinção, substituída por canais de informações em tempo real, filmes, entretenimento e tudo isso, hipoteticamente de graça, que serão pagos pela exposição do seu perfil e também dos seus gostos, na escolha por filmes, séries, esporte, documentários etc.

Portanto, se você é vendedor, representante comercial, consultor de vendas ou algo parecido, melhor revisitar seus conceitos, senão você vai nadar, nadar e morrer na praia em questão de dias.

As empresas brasileiras, via de regra, depositaram seus faturamentos em departamentos comerciais que não se atualizaram, e esse formato está sob judice ou no mínimo, sendo atacado pelas novas propostas de vendas on-line direcionadas aos clientes, com eficiência comprovada.

Assim, representar o comércio é hoje tarefa para quem acompanha essa evolução, caso contrário não ganhará nem para pagar a conta da internet. Porém, outros terão um mercado infinito à sua disposição e se beneficiarão disso, com certeza.

E o que fazer agora?
Primeiro de tudo, mate o vendedor que existe em você e renasça como especialista em soluções estratégicas.

Quem sabe você vai:
Vender um produto que não precisa ser o seu,
A um cliente que não precise falar com você,
Com moeda virtual e garantida,
Num mercado longe de onde vive,
Com entrega terceirizada,
Garantia estendida por terceiros e
Ganhar um bom dinheiro com isso.

Pense nisso!

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