A propaganda ruim que ainda conseguiu ser uma piada sem graça

Para anunciar uma promoção de calcinhas, esta loja achou que seria legal bancar o tiozinho do pavê

Foto: Arquivo Pessoal/Mabel Dias

No primeiro dia em que entrei numa agência, ouvi uma frase que nunca esqueci: "Nunca coloque num outdoor a primeira ideia fantástica que vier à sua cabeça". Aquilo veio em um contexto específico, mas se aplica a muitas situações, principalmente na vida de quem lida com comunicação. Desde aquele dia, além de procurar sempre me pautar pelo bom senso, sempre que penso em uma frase que seja, avalio todos os cenários, testo com receptores distintos e estudo as implicações do que digo. É sério: às vezes a inocente escolha de uma cor para o background de uma peça pode acabar em tragédia.

Quando vi esta foto (acima) que chegou até mim, de  uma loja de João Pessoa, na Paraíba, lembrei do que meu chefe disse naquele dia. Pelo conteúdo, acredito (quero acreditar!) isso não partiu de uma agência. Não teve "trabalho especializado" por trás. Mas isso não importa. A dinâmica comunicacional hoje é cada vez mais fluida e o polo emissor pode ser qualquer um. E por isso, assim como a agência precisa ter critérios, a turma das vendas, do financeiro, das entregas ou seja lá qual for o setor, se resolver meter a mão na massa e fazer propaganda por conta própria, tem que começar a refletir um pouquinho antes de sair inventando coisas por aí.

Nesse caso, a impressão que tenho é de que alguém chegou com a ideia de fazer uma promoção de peças íntimas femininas. E aí no meio do brainstorming apareceu outro com aquela "ideia fantástica": "Pô, vai diminuir o preço? Então a gente pode fazer um cartaz com uma mulher tirando a calcinha e a frase: "Abaixamos as calcinhas". E aí os colegas acharam uma super sacada e colocaram na vitrine da loja.

Meus amigos, o cartaz faz sentido? Diz alguma coisa sobre a ação? Gera pelo menos engajamento de marca? O preço - que é o elemento central da história toda - virou um detalhe. Mas, beleza, a abordagem estranha chama a atenção, as pessoas param para ver. Mas vocês consideraram que o ela vai impactar muito mais homens do que mulheres? Aliás, vocês lembraram que o objetivo era vender para mulheres? E que colocá-las numa situação constrangedora, com uma piada de tiozinho do pavê, não tinha graça nem conseguiria o mínimo que se espera de uma ação publicitária, que é gerar empatia? 

Deixo com vocês: compartilhem comigo o que acharam da ação. Deixem seus comentários.

 

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