Mais comentada

Administração de Materiais, Classificação ABC

Thiago Lopes,
CLASSIFICAÇÃO ABC E SUA IMPORTÂNCIA NA GESTÃO DE ESTOQUES DAS EMPRESAS

Dimas Lopes de Araújo
Thiago Lopes do Nascimento
Wagner Richadilson Barbosa Leonez

Resumo
Atualmente as empresas operam dentro de um ambiente de constantes mudanças econômicas e tecnológicas, e uma empresa que busca bons resultados operacionais e em conseqüência bons resultados financeiros deve utilizar ferramentas administrativas para dar-lhe suporte, neste artigo tratará da questão do gerenciamento de estoque e mais precisamente falaremos do uso do sistema ABC e como este sistema pode ser rentável e auxiliar na redução de investimentos em imobilizado, o que fará com que não se tenha gastos desnecessários com produtos que entrem em obsoletismo, outro ponto importante a ser tratado é o gerenciamento do estoque essencial para um determinado período levando em consideração as variações de preços impostas naturalmente pelo mercado.

Palavras-chave: gestão de estoques, suprimentos e classificação ABC.

Abstract:
Currently the business operates within an environment of constant economic and technological changes, and a company that is looking good operating results and as a result of good financial results should use administrative tools to support it, this article will address the inventory management and more specifically talk about using the ABC system and how this system can be profitable and help reduce investment in fixed assets, which will cause has not been wasted expense of products that come into obsolescence, another important point to be addressed is the management of livestock to a period taking into account price changes imposed naturally by the market.
Key Words: inventory management, supplies and ABC classification
1. Introdução
A Administração de Materiais tem se tornado fundamental, ao lado de finanças, marketing e produção, no processo de gerenciamento. Os processos deste estão cada vez mais presentes no planejamento empresarial, com vista de tornar a empresa mais competitiva. Para isto as empresas estão buscando um melhor gerenciamento em suas vendas, pois é de fundamental importância mensurar a demanda e quantificar os custos de manutenção e obtenção de estoques, salientando então, os custos de obtenção e manutenção dos estoques. Deve-se saber se os estoques estão tendo a utilidade adequada ao dispêndio, apresentando o retorno esperado pelo investimento.
Assim os estoques passam a ser uma forma de desperdício, devendo ser eliminados ou reduzidos a um mínimo possível. O método da análise de classificação ABC é uma ferramenta que auxilia no gerenciamento de estoques, proporcionando informações relevantes sobre aqueles produtos que tem maior ou menor giro, relacionados com o custo de obtenção.
Estoques elevados para atender a demanda, segundo Pozo (2007), acarretam na necessidade de elevado capital de giro e conseqüentes custos elevados, Porém baixos estoques podem acarretar se não forem adequadamente administrados, custos difíceis de serem contabilizados decorrentes de atrasos de entrega, replanejamento do processo produtivo, insatisfação do cliente e, principalmente, a perda do cliente.
A importância do correto controle de estoques dá-se quando os bens necessários estão disponíveis no momento exato para atender as necessidades do mercado. Uma boa administração de materiais significa coordenar a movimentação de suprimentos com as exigências de produção.
Daí tem-se um paralelo entre o Just-in-time que é o método de estoque mínimo e tempestivo ao uso e o sistema ABC que estuda os itens de estoque da empresa separando-os pelo seu grau de importância baseadas nas suas quantidades e respectivos valores que são essenciais para os resultados a serem obtidos. Onde o estoque deverá ser o mínimo possível, mas sempre observando a sua essencialidade para o processo.



2. Referencial Teórico
A utilização do sistema ABC ou, Classificação ABC como também é conhecida foi fundamentada com base nos estudos realizados por Vilfredo Pareto, economista italiano que estudou a distribuição de renda entre as populações. Ele verificou que existia uma lei geral de “má distribuição de renda” em que uma pequena parcela da população absorvia uma grande parte da renda, restando assim uma pequena parte para ser compartilhada com a maior parte da população.
O sistema ABC tomando por base o estudo de Pareto foi moldado para o uso no gerenciamento de estoques, e evidenciou-se que a mesma máxima ocorria no universo de produtos utilizados pela empresa constatou-se que poucos deles eram os responsáveis diretos pelo maior valor das compras e que estes que representavam o maior gastos eram o de maior importância ou impacto no processo produtivo.
Trata-se de uma classificação estatística de materiais, que também pode ser utilizada para classificar clientes em relação aos seus volumes de compras ou em relação à lucratividade proporcionada; classificação de produtos da empresa pela lucratividade proporcionada, etc.
Numa organização, a curva ABC é muito utilizada para a administração de estoques, mas também é usada para a definição de políticas de vendas, para o estabelecimento de prioridades, para a programação de produção. Para a administração de estoques, por exemplo, o administrador a usa como um parâmetro que informa sobre a necessidade de aquisição de itens/mercadorias ou matérias-primas essenciais para o controle do estoque, que variam de acordo com a demanda do consumidor.
Na avaliação dos resultados da curva ABC, percebe-se o giro dos itens no estoque, o nível da lucratividade e o grau de representação no faturamento da organização. Os recursos financeiros investidos na aquisição do estoque poderão ser definidos pela análise e aplicação correta dos dados fornecidos com a curva ABC.

A Forma ABC
O principal objetivo da análise ABC é identificar os itens de maior valor de demanda, como já dito anteriormente, e a partir daí exercer uma gestão mais bem refinada, especialmente por que representam altos valores de investimento e seu controle mais apurado vai permitir grandes reduções nos custos dos estoques. A análise ABC consiste da divisão dos itens de estoque por três grupos de acordo com o valor de demanda, em se tratando de produtos acabados, ou valor de consumo quando se tratarem de produtos em processo ou matérias-primas e insumos. O valor de consumo ou valor de demanda é determinado multiplicando-se o preço ou custo unitário de cada item pelo seu consumo ou sua demanda.
Assim sendo, como resultado de uma típica classificação ABC, surgirão grupos divididos em três classes, como segue:
• Classe A: Itens que possuem alto valor de demanda ou consumo.
• Classe B: Itens que possuem um valor de demanda ou consumo intermediário.
• Classe C: Itens que possuem um valor de demanda ou consumo baixo.
Nesta classificação ABC de itens de estoque tida como típica apresenta uma configuração na qual 20% dos itens são considerados A e que estes respondem por 70% do valor de demanda ou consumo; os itens B representam 30% do total de número de itens e 20% do valor de demanda ou consumo; tem-se ainda que os restantes 50% dos itens e 10% do valor de consumo serão considerados de classe C.
É importante observar que o princípio ABC no qual uma pequena percentagem de itens é responsável por uma grande percentagem do valor de demanda ou consumo o que normalmente ocorre. Uma análise ABC deve obrigatoriamente refletir a dificuldade de controle de um item e o impacto deste item sobre os custos e a rentabilidade, o que de certa maneira pode variar de empresa para empresa. Deve-se ter em mente ainda que, apesar da análise ABC ser usualmente ilustrada através do valor de consumo anual, este é apenas um dos muitos critérios que pode afetar a classificação de um item.
Classificando os Estoques e Determinando Prioridades
O método de preparo de uma curva ABC depende exclusivamente das necessidades da empresa em especial, sendo dificilmente aplicada de uma empresa sobre a outra. A Curva ABC não esta somente relacionada ao estoque de produtos, ela pode ser ingressada – sem medo – em uma empresa prestadora de serviços seja com intuito de classificar seus serviços, seja com o intuito de classificar seus clientes.
Independente da aplicação da curva seu resultado será sempre o de classificar de maneira fácil os melhores, intermediários e não tão bem usados meios de produção/execução. A maioria das empresas tem clientes com perfis diferentes e muitas delas não lidam corretamente com essa diferença. Definem suas estratégias e operações de forma geral, tratando todos os clientes da mesma forma. Alguns querem muita atenção, mas compram pouco; outros compram muito, mas querem desconto; outros ainda compram de forma esporádica e sem planejamento.
Um jeito de solucionar este tipo de problema é aplicar o método ABC, esse processo pode ser feito de diversas formas: por faturamento, por comportamento, por características sócio-demográficas (idade, sexo, renda), por região geográfica etc. Mas uma das formas mais usadas por profissionais de venda excelentes é a Curva ABC.
A curva ABC é uma importante ferramenta para a administração, possibilita também informações estratégicas para a realização de compra de mercadorias, exclusão de itens (redução de estoques, controle sobre o(s) produto(s) entre outras formas de controles. O ponto-chave da Curva ABC é ver – constatar – que as maiores parcelas do VALOR (acumulado) correspondem às menores parcelas da QUANTIDADE. Quanto mais desuniforme a distribuição, mais se acentua a Curva ABC. Mais interessante e vantajosa se torna a sua aplicação.
Metodologia
A pesquisa apresentada é caracterizada pelo método de pesquisa bibliográfica, pois foi realizada a partir do registro disponível, decorrente de livros, artigos e pesquisas anteriores. E também caracterizada pelo uso da técnica de pesquisa por meio de coleta de dados via entrevista para formação da tabela ABC, garantindo assim uma aplicação prática da pesquisa bibliográfica.




Análise dos Dados
ABC na prática
PRODUTOS SETOR DE COMPRAS DE UMA SALINA EM MACAU
ITEM QUANTIDADE MENSAL VALOR TOTAL
SACARIA DE RÁFIA 200.000 unidades 62.000,00
FIO DE POLIPROPILENO 50 rolos 2.000,00
IODO 150 kg 7.200,00
OLÉO LUBRIFICANTE 03 latões 240,00
DIESEL 40.000 litros 84.000,00
PORCAS 100 unidades 40,00
PARAFUSOS 100 unidades 80,00
LONAS 140 jogos 8x16m 3.200,00
GÁS GLP 190 m³ 1.330,00
PNEUS 08 unidades 8.800,00
PALETES DESCARTÁVEIS 60 unidades 660,00
EPI (BOTAS, OCULOS, AURICULAR) 100 unidades 2.200,00
COLMÉIAS - RADIADORES 05 unidades 4.500,00
BATERIAS 150A 03 unidades 1.650,00
PAPEL A4 30 resmas 450,00
REPELENTES 50 unidades 250,00
DETERGENTE 06 baldes 145,00

Referente ao mês de Dezembro 2009.



Produtos Quantidade Valor Valor total Classificação Classificação Produto Valor da Demanda % Demanda Classificação
Unitário Da demanda P/ demanda P/ consumo Demanda Acumulada Prod. Acum
Sacaria de ráfia 200000 0,31 62.000,00 02 01 Diesel 84.000,00 84.000,00 46,99% 46,99% A
Fio de polipropileno 50 40,00 2.000,00 08 02 Sacaria de ráfia 62.000,00 146.000,00 34,69% 81,68% A
Iodo 150 48,00 7.200,00 04 03 Pneus 8.800,00 154.800,00 4,92% 86,60% B
Óleo Lubrificante 03 80,00 240,00 14 04 Iodo 7.200,00 162.000,00 4,03% 90,63% B
Diesel 40000 2,10 84.000,00 01 05 Colméias 4.500,00 166.500,00 2,52% 93,15% B
Porcas 100 0,40 40,00 17 06 Lonas 3.200,00 169.700,00 1,79% 94,94% C
Parafusos 100 0,80 80,00 16 07 Epi 2.200,00 171.900,00 1,23% 96,17% C
Lonas 140 22,86 3.200,00 06 08 Fio de polipropileno 2.000,00 173.900,00 1,12% 97,29% C
Gás GLP 190 7,00 1.330,00 10 09 Baterias 1.650,00 175.550,00 0,92% 98,21% C
Pneus 08 1.100,00 8.800,00 03 10 Gás GLP 1.330,00 176.880,00 0,74% 98,96% C
Paletes 60 11,00 660,00 11 11 Paletes 660,00 177.540,00 0,37% 99,33% C
Epi 100 22,00 2.200,00 07 12 Papel 450,00 177.990,00 0,25% 99,58% C
Colméias 05 900,00 4.500,00 05 13 Repelente 250,00 178.240,00 0,14% 99,72% C
Baterias 03 550,00 1.650,00 09 14 Óleo Lubrificante 240,00 178.480,00 0,13% 99,85% C
Papel 30 15,00 450,00 12 15 Detergente 145,00 178.625,00 0,08% 99,93% C
Repelente 50 5,00 250,00 13 16 Parafusos 80,00 178.705,00 0,04% 99,98% C
Detergente 06 24,17 145,00 15 17 Porcas 40,00 178.745,00 0,02% 100,00% C

Classe Nº de itens % de itens Valor R$ % Valor
A 2 12% 146.000,00 81,68
B 3 18% 20.500,00 11,47
C 12 71% 12.245,00 6,85
TOTAIS 17 100% 178.745,00 100,00




A partir dos dados levantados e organizados na forma da classificação ABC demonstra que alguns itens precisam de um cuidado maior, tendo em vista os valores e suas essencialidades para o processo de obtenção do produto, estes expressam mais de 80% por cento da matéria-prima ou material utilizado para a produção do sal moído 25 e 50 kg. O que exige por parte do comprador uma atenção especial para com eles, como visto na tabela acima a classe A é composta por apenas dois itens, mas estes são altamente representativos para a produção, a falta de um deles pode representar um grande problema para a organização.
Também se constatou que não existe uma sistematização pela organização dos itens, por mais que estes sejam importantes e até se saiba de sua importância, não há uma consciência que se estes itens representativos não forem bem gerenciados a empresa corre um grande risco de não obter os resultados esperados.
Considerações Finais
Este artigo teve por objetivo demonstrar a aplicação do sistema ABC para o controle de materiais e com o estudo de caso da salina podemos comprovar a aplicação do sistema em uma empresa industrial.
Para tanto, foi considerada a abordagem de itens comumente característicos do gerenciamento simplificado de estoque da maioria das indústrias salineiras. Após análise e interpretação do referencial bibliográfico, conclui-se que a empresa não é eficiente na programação de suas compras, isto porque não há um estudo das necessidades futuras para uma possível antecipação. Portanto, fica extremamente comprometida a confiabilidade das ações necessárias à tomada de decisão para o gerenciamento eficiente dos investimentos relativos à reposição de estoques.





Bibliografia
GONCALVES, Paulo Sérgio. Administração de materiais: – 2. Ed. rev. e atualizada – São Paulo: Campus, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico – 23. Ed. rev. e atualizada – São Paulo: Cortez, 2007
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais – 4. ed. edição compacta – São Paulo: Atlas, 1995.
http://www.administradores.com.br/artigos/o_uso_da_curva_abc_nas_empresas/26441/
PEREIRA, Moacir - O uso da curva ABC nas empresas – acesso 05 de Fevereiro de 2010
Avalie este artigo:
(0)

Curta o Administradores.com no Facebook
Acompanhe o Administradores no Twitter
Receba Grátis a Newsletter do Administradores

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

Vagas de trabalho