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Comunicação Interna em Instituições de Ensino Superior

Paula Bortolini,
COMUNICAÇÃO INTERNA EM INSTITUIÇÕES
DE ENSINO SUPERIOR


Paula Bortolini Silva*
Wilma Pereira Tinoco Vilaça**


RESUMO

Este artigo apresenta um levantamento de pensamentos trabalhados por autores diversos, estudiosos da comunicação e da educação no Brasil, por meio de uma revisão de literatura de publicações, pesquisas e estudos sobre os temas citados. Especificamente, este trabalho busca apresentar um cenário atual da educação superior, de acordo com dados e informações disponibilizadas por órgãos de pesquisa e em publicações, e relacionar o assunto com a comunicação, com foco na comunicação interna. A proposta é fazer uma ligação entre as áreas e perceber como as instituições de ensino superior trabalham a comunicação interna, em busca de informar e integrar seu público, visando tornar comum e atingir seus objetivos, de forma estratégica.




Palavras-chave: Comunicação; Educação; Instituições de Ensino Superior; Comunicação Interna.



*Bacharel em Comunicação Social – habilitação Relações Públicas pela PUC Minas; Especialista em Comunicação e Gestão Empresarial pelo IEC/PUC Minas. Concluinte da especialização em Gestão de Marcas e Identidade Corporativa pela mesma Instituição. E-mail: paulabortolini@hotmail.com

**Doutoranda em Comunicação, pela ECA/USP; Mestre em Administração pela PUC/FDC; Especialista em Comunicação e Gestão Empresarial, pelo IEC/PUC; Bacharel em Relações Públicas pela FAFI-BH, atual UNI-BH. Docente e pesquisadora da área de Comunicação Social. Atuou como orientadora na elaboração deste artigo. E-mail: wilma.vilaca@gmail.com







Introdução


A comunicação interna apresenta-se hoje como uma estratégia essencial a ser trabalhada nas organizações, visando informar e integrar os diversos públicos com os quais elas se relacionam, direta ou indiretamente. O assunto é abordado por estudiosos e pesquisadores e vêm conquistando espaço nas organizações, sejam elas públicas ou privadas, nos mais diversos setores da economia e da sociedade. Dados da Pesquisa Aberje sobre o assunto, em 2005, mostram que a área que planeja e trabalha a comunicação interna está cada vez mais migrando para a área corporativa das empresas, o que mostra o ganho de importância. Além de espaço, a comunicação interna também tem recebido maior investimento, sendo que esse crescimento chega a atingir 80% das organizações pesquisadas.


A necessidade de se conhecer e discutir sobre como a comunicação conseguirá atingir seus objetivos propostos, aliados ao plano estratégico da organização, fazem com que o assunto seja abordado neste trabalho. Metodologicamente, este artigo estrutura-se como uma revisão da literatura existente, aqui entendida como a compilação das publicações relacionadas aos assuntos tratados, a saber: comunicação e educação, buscando compreender se as Instituições de Ensino Superior, as chamadas IES , no Brasil, têm trabalhado a comunicação interna de forma estratégica a fim de estabelecer e fortalecer vínculos com seu público interno e melhorar sua atuação.


Ao se relacionar a educação com a comunicação, busca-se apresentar uma contextualização do cenário atual da educação superior no Brasil, com dados e informações que permitam visualizar como as organizações deverão trabalhar a cada dia em busca de melhorias e solidificação de seus relacionamentos.


Para se construir o estudo proposto, torna-se necessário considerar como as transformações atuais estão atingindo diretamente o papel da comunicação e alterando a visão que os dirigentes das organizações precisam ter para conseguir acompanhar tais transformações.

Nesse contexto de transformações expressivas nos diversos setores da vida humana, as organizações, especificamente, vivem momentos de incertezas e indefinições, num ambiente de exigências, de maior competitividade e de necessidade da adoção de novas posturas diante de uma sociedade cada vez mais exigente. Essas mudanças têm levado os administradores das organizações a repensar seus modelos de gestão, a inovar as práticas produtivas, a investir em novas tecnologias e a estabelecer novas bases nas relações com seus empregados, fornecedores, clientes, consumidores e sociedade de um modo geral. Nesse sentido, algumas organizações estão buscando novas estratégias que lhes assegurem um melhor posicionamento no mercado, que as diferenciem de seus concorrentes, que lhes dêem maior visibilidade e melhor imagem institucional.
(FONSECA, 2003, p. 11)


Fonseca (2003) ainda destaca que nesse mesmo contexto estão inseridas as instituições do setor educacional que, como todas as demais organizações, na atualidade, percebem crescentemente o quão necessário é se adequarem à nova ordem nas relações com seus públicos.


Em seus estudos, Ramos (2004) reforça a idéia da importância que as IES precisam dar à comunicação como estratégia, pois não podem mais se concentrar apenas diretamente na educação, precisam estar atentas ao contexto no qual estão inseridas.

As universidades e faculdades que há alguns anos atuavam de forma passiva nas questões educacionais, principalmente nas relações com o mercado, hoje estão sendo forçadas a ser pró-ativas em suas relações estratégicas, principalmente na identificação e satisfação das expectativas e necessidades de um mercado cada vez mais seletivo e exigente. É fundamental formar cidadãos capazes de atuar na sociedade, de conhecer seus direitos e deveres, de compreender o que se passa no mundo.
(RAMOS, 2004, p. 24)


Entender esses pontos iniciais possibilitarão que, no decorrer deste artigo, se perceba a importância da comunicação e como ela permeia os relacionamentos internos das organizações - focando nas instituições de ensino superior - mudando paradigmas e visões que até então eram adotados em suas administrações.






Comunicação e educação


Em seus estudos, diversos autores (FONSECA, 2004; RAMOS, 2004; KUNSCH, 2005) mostram que as mudanças na sociedade, principalmente no século XX, trouxeram à tona novas formas de relacionamento entre trabalhadores e empresas.

De acordo com Oliveira e Paula (2007) as mudanças ocorridas na sociedade mostram a diferença entre o trabalhar do século passado e o da contemporaneidade. As transformações provocaram mudanças não só nas relações de trabalho, mas conseqüentemente, na comunicação com o público interno. Com um novo perfil de trabalhador, que saiu da alienação em que se encontrava em relação ao trabalho e passou a ser orientado pela informação e pelo conhecimento, as organizações precisaram se adequar e valorizar habilidades e competências não consideradas anteriormente.

Como decorrência das mudanças nas relações de trabalho e das exigências provocadas pelo contexto contemporâneo na conduta e no relacionamento das organizações com a sociedade, o campo da comunicação organizacional passa também por transformações. Uma das mais significativas refere-se a uma abordagem integrada, respaldada em planejamento, dentro de uma concepção estratégica, que supera o patamar técnico-instrumental, e avança para um outro, processual e relacional.
(OLIVEIRA e PAULA, 2007, p. 16)

Ainda dentro dessa linha de pensamento, Musse (2001) diz que as novas tecnologias, a mudança e o enfraquecimento do papel do estado, o cenário complexo, neste início de século, lançaram um desafio às instituições, forçando-as a estabelecer uma nova forma de relação com seus públicos. Reforçando essa idéia, Fonseca (2003, p.14) diz que

Se o século XX foi a era da invenção e da produção em massa, o século XXI, para os analistas contemporâneos, será a era do conhecimento. Nesta nova era, a educação, o conhecimento e a informação têm, então um papel central. Alguns autores como Castells e Niskier denominam a sociedade que está surgindo de “sociedade do conhecimento”, “sociedade da informação” ou “sociedade da aprendizagem”.

Segundo Scroferneker (2003, p. 14),

a universidade enquanto instituição e organização atende aos mais diversos segmentos de públicos. Tal assertiva implica na necessidade de um maior comprometimento e envolvimento com a sua comunicação, definindo e implantando políticas que contemplem a sua comunicação institucional, interna e administrativa


Essas considerações são importantes ao se relacionar a comunicação com a educação, pois é a partir do entendimento desse cenário que se pode aprofundar no assunto e analisar se as IES estariam, neste contexto, buscando melhores formas de trabalhar seu público interno, de maneira a permitir que a informação e a integração ocorram através de estratégias e ações de comunicação.


Educação Superior: definições e dados relevantes


Para se entender e contextualizar o cenário da Educação Superior no Brasil é necessário antes conhecer como o órgão máximo de regulamentação do sistema educacional no país, o Ministério da Educação – MEC, caracteriza o que seja Ensino Superior. Segundo o MEC, uma IES tem duas formas de organização: a administrativa e a acadêmica. É importante conhecer o que isso significa porque a estrutura organizacional de uma instituição é relevante e deve ser observada sempre que seja necessário propor estratégias de comunicação pertinentes ao seu funcionamento e à representação de seu papel na sociedade.


A organização administrativa classifica as IES como públicas - federais, estaduais e municipais - e privadas - com fins lucrativos, sem fins lucrativos, comunitárias, confessionais e filantrópicas. Academicamente, as IES caracterizam-se quanto à sua competência e responsabilidade, sendo que oferecem cursos superiores em pelo menos uma de suas diversas modalidades, bem como em nível de pós-graduação. A classificação acadêmica das IES dividem-nas em: Instituições Universitárias - Universidades, Universidades Especializadas e Centros Universitários - e em Instituições Não Universitárias - CEFETs e CETs, Faculdades Integradas, Faculdades Isoladas e Institutos Superiores de Educação. Para cada uma dessas classificações, as IES são regidas por normas específicas, têm direitos e deveres, e isso deve estar claro na mente dos gestores e da sociedade, para que a instituição responda aos seus públicos de acordo com sua orientação administrativa e acadêmica.


Existem ainda conselhos e grupos, entre outras diversas organizações, que permitem e asseguram o funcionamento das IES, embora também busquem estabelecer normas, melhorar sistemas e avaliar o funcionamento dessas instituições. Como exemplo pertinente ao que se quer mostrar – como esses órgãos trabalham seus objetivos - destacamos a abordagem apresentada por Fonseca (2004) em relação à proposição de que o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras - CRUB, em 1999, apontou sobre como deverá ser a educação superior brasileira no século XXI.

Contribuir para desenvolver uma cultura da paz, construir uma sociedade que aprende, manter processos de aprendizagem permanente, democratizar a sociedade do conhecimento, viabilizar o uso compartilhado do conhecimento e da informação como matérias-primas para o desenvolvimento social, capacitar as pessoas para viverem em um mundo de rápidas mudanças, viabilizar os novos paradigmas da ciência baseados na probabilidade, criar condições para que a formação de nível superior e também o trabalho possam superar as orientações centradas no posto de trabalho e no mercado, mediante estratégias voltadas para a empregabilidade e para os campos da atuação profissional configurados a partir das necessidades sociais.
(FONSECA, 2004, pág.25)


O mesmo autor ainda nos mostra que, considerando as particularidades, as IES estão procurando se adaptar a essa nova realidade, pois enfrentam desafios similares àqueles que as demais organizações públicas ou privadas se deparam, colocando-as assim nas mesmas condições de existência. Além das considerações apresentadas para se entender a situação atual da educação superior no país, é importante destacar alguns dados para que se possa perceber o que as IES representam tanto em números quanto em sua atuação na produção de conhecimento e representatividade da evolução de uma sociedade.


De acordo com os últimos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP/MEC -, referentes ao Censo da Educação Superior 2003, o Brasil possui 1.859 instituições de educação superior, sendo 88,9% privadas, o que faz com que o país esteja entre aqueles com o sistema de educação superior mais privatizados do mundo. Ainda de acordo com o Censo a educação superior no Brasil está em processo de expansão acelerada, sendo que em sete anos – 1997 a 2003 – o número de IES mais que dobrou no país. Somente entre 2002 e 2003, foram abertas 222 novas instituições, espalhadas pelo Brasil. Outro dado importante refere-se ao aumento considerável do número de cursos de graduação presencial, com um acréscimo de 2.054 novos cursos em relação a 2002, implicando na ampliação de oportunidades educacionais para o jovem brasileiro.


A pesquisa revelou também que, em 2003, pela primeira vez na história, o número de vagas na educação superior foi maior que o número de concluintes do ensino médio. Mesmo assim, o número de candidatos à educação superior - 4,9 milhões - é mais do que o dobro do número de vagas, e várias vezes maior que o número de ingressantes - 1,2 milhões. De toda forma, o número de vagas ociosas vem crescendo significativamente, fazendo com que os gestores, mais do que nunca, tenham que se preparar para manter em funcionamento as IES, num cenário de alta competitividade.

Diante desse contexto, Freitas (1997, p.42) enfatiza que

O relacionamento da organização no âmbito externo será o reflexo do tratamento da comunicação em âmbito interno. Assim, a comunicação adquire papel estratégico (...) fazendo com que as organizações conheçam primeiro a si próprias, para, a seguir, melhor se comunicarem com seus públicos externos.


Enfim, a comunicação interna representa uma oportunidade concreta de intervenção das empresas em seus processos, práticas e na forma como tecem seus relacionamentos. E, obviamente, isso não parece ser diferente, em se tratando das IES.

Comunicação interna: definições e importância


Para acompanhar essas transformações e levando-se em consideração os contextos apresentados, as organizações percebem a importância da comunicação, entendendo como ela é indispensável para fortalecer a imagem, construir a identidade e manter o relacionamento com os públicos externo e interno.

Hoje, no âmbito de uma sociedade cada vez mais complexa, reserva-se à comunicação um papel de crescente importância nas organizações que procuram trilhar o caminho da modernidade. As universidades têm que valer-se de serviços integrados nessa área, pautando-se por uma política que privilegie o estabelecimento de canais efetivos de ligação com os segmentos a elas vinculados e, principalmente, a abertura das fontes com vistas à efetiva socialização do conhecimento científico, tecnológico e cultural por elas gerado.
(KUNSCH, 1998, s/p.)


Existem diversas conceituações de comunicação interna, nas publicações e estudos sobre o tema. Segundo Vigneron (2000, p. 97), entende-se:
Comunicação interna organizacional entendemos todos os tipos de fenômenos de comunicação que facilitam ou complicam as relações horizontais e verticais nas organizações. O primeiro objetivo da comunicação interna organizacional é facilitar as relações e as colaborações dentro da organização.
O autor defende que a comunicação não é apenas de responsabilidade dos profissionais e especialistas da área, mas sim, um assunto e uma tarefa que devem ser tratados e executados por todos, nos mais diversos momentos. Vigneron (2000 , p. 98) ainda destaca que “dentro dessa política, o papel do profissional de comunicação é analisar os fenômenos de comunicação, orientar e formar as pessoas com a finalidade de melhorar o desempenho de cada um e dos grupos”.


Outra definição, apresentada por Nassar (2004, p. 74), diz que a

Comunicação interna é a ferramenta que vai permitir que a administração torne comuns as mensagens destinadas a motivar, estimular, considerar, diferenciar, premiar e agrupar os integrantes de uma organização. A gestão e seu conjunto de valores, missão e visão de futuro proporcionam as condições pra que a comunicação empresarial atue com eficácia. (NASSAR, 2004, p. 74)


Sendo assim, pode-se considerar que a construção de uma comunicação eficiente e coerente da organização para com seus públicos inicia-se dentro da própria empresa, com a atuação de seus atores internos. Para conseguir atender a essas demandas, o processo requer modelos de gestão com a participação de todos, onde setores e equipes busquem atingir os objetivos comuns, de forma integrada. De acordo com Oliveira e Paula (2007, p. 16), isso significa que a “comunicação passa a ser inserida na cadeia de decisões das organizações e nos seus processos estratégicos”.


Dentro desse novo contexto organizacional,

os fluxos informacionais tornam-se um dos fatores preponderantes do ciclo produtivo, caracterizando a fase pós-fordista, em que as organizações redirecionam seus fluxos para as demandas de mercado, sendo sua produção cada vez mais determinada por estímulos do ambiente externo. Esses fluxos causam sérios impactos no emprego e transformam fundamentalmente as relações de trabalho, com crescentes exigências de mais qualificação, nível de conhecimento, iniciativa e capacidade para resolver problemas, por parte dos trabalhadores.
(OLIVEIRA e PAULA, 2007, p. 13)


Assim, Vigneron (2000) ainda destaca a importância dos líderes no processo de comunicação interna. O autor sugere que a confiança dessas pessoas em seus colaboradores é essencial para que as organizações tenham uma boa comunicação interna, informando, mas além disso, possibilitando um melhor relacionamento interno.

Além da importância do posicionamento da comunicação interna na organização e o papel dos diversos atores internos, precisa-se tratar também sobre os instrumentos que possibilitam o acontecimento dessa comunicação interna. São essas ferramentas que intermediarão as relações da organização com seu público interno. A importância da escolha desses instrumentos é uma das estratégias que as organizações têm procurado como alternativa para melhorar o processo comunicacional.

Segundo Ramos (2004, p.16) é relevante perceber a
eficiência dos instrumentos de comunicação enquanto ferramentas de integração entre a instituição e seu público interno, visto que ele é um formador de opinião e sua empatia em relação à instituição vai além dos seus limites físicos, podendo propagar-se pelo mercado de forma geral. Ele pode ser defensor ou detrator da organização dependendo da forma como é tratado e da consideração que recebe quanto às informações que de direito lhes são devidas.


Essas informações, que devem ser compartilhadas entre todos – desde a alta administração até o nível operacional – precisam receber atenção e tratamento diferenciados ao serem colocadas à disposição do público interno, através dos definidos para essa função comunicacional.

Informação para ser estratégica precisa ser coerente e útil, isto é, precisa ser relevante para o planejamento estratégico e, principalmente, estar disponível a tempo ou em tempo real. Sem uma estratégia de informação, o resultado imediato é uma sobrecarga de dados. Informação válida em tempo hábil pode aperfeiçoar o processo decisório em qualquer organização, posicionando-se como um diferencial competitivo.
(STAREC, 2005, p. 2)


A questão que se apresenta refere-se ao fato de que as organizações nem sempre tratam essas informações disponíveis para aqueles que estão à frente das tomadas de decisões. Isso acarretaria em uma perda de conhecimento e competitividade que poderiam ser gerados, mas que, impedidos pela morosidade, não o são. Tudo isso faz com que ocorra “uma sobrecarga de dados, mas com um pequeno volume de informação relevante e prioritária para a tomada de decisões mais complexas”. (STAREC, 2005, p.03)


Oliveira e Paula (2007) apresentam os limites e desafios da comunicação interna a serem considerados pelos estudiosos e profissionais que lidam diariamente com o tema. São três os limites apontados: as divergências entre as necessidades da organização e as expectativas dos trabalhadores, a insuficiência de agilidade e de contextualização de informações e a credibilidade de decisões. Segundo as autoras

Esses limites levam as organizações a adotarem uma postura pouco dialógica, sem considerar a importância da intersubjetividade nos relacionamentos com os atores internos. Essa atitude desvirtua a compreensão do papel da comunicação e não reconhece os atores internos como interlocutores do processo comunicacional.
(OLIVEIRA e PAULA, 2007, p.61)

Os desafios, ainda segundo as autoras supracitadas, referem-se à capacidade de os gestores de gerenciar a complexidade de cenários, juntamente com as conseqüências de mudanças contínuas e velozes nas relações de trabalho e no ambiente interno das organizações. As lideranças têm papel fundamental como agentes da comunicação, gerenciando equipes e construindo uma relação de mão dupla, levando informações e buscando a ação participativa dos colaboradores.

A consistência e a coerência decorrem, de um lado, da estreita relação entre as ações comunicacionais e os objetivos e estratégias dessas organizações, sustentadas por práticas socialmente responsáveis; de outro lado, da constante consideração da perspectiva dos atores envolvidos. Já a permanência decorre da própria decisão política de considerar e trabalhar a comunicação como base para consecução dos objetivos, metas e estratégias de negócio e de gestão a longo prazo.
(OLIVEIRA e PAULA, 2007, p.64)

Busca-se entender como as IES se comportarão diante deste cenário, onde se torna não só necessário, mas fundamental, compreender o papel do público interno como agente ativo na conquista dos objetivos e no reflexo de suas ações perante seu público externo.

Comunicação interna nas Instituições de Ensino Superior


Para Ramos (2004) as mudanças ocorridas e a necessidade de elas se ajustar impactaram as organizações e/ou instituições, o que acabou modelando o cenário também na educação. E, “como resultado, encontramos fortes conseqüências na educação: mudanças paradigmáticas, mudanças na função social da universidade, na organização curricular, na ênfase metodológica, na relação com a sociedade”. (RAMOS, 2004, p. 18)


As organizações estão se redefinindo nessa busca por melhorias e até mesmo pela própria sobrevivência. Isso transforma as relações existentes na sociedade. Zambom e Giuliani (2003, p.30) dizem que as alterações que estão ocorrendo em alguns setores da economia chamam a atenção, ao mostrar que passam a deixar para trás uma postura de desinteresse e assumem uma “postura de grande utilização dos meios e formas de comunicação para garantir ou potencializar seu sucesso, muitas vezes sendo a única chance de sobreviver. Isso é o que ocorre com as Instituições de Ensino Superior.”


Tudo isso mostra a importância de se pensar como a comunicação interna se tornou essencial nas gestões das IES. Ainda de acordo com Zambom e Giuliani acima citados, (2003, p.31) essas instituições estão acentuadamente desenvolvendo uma “comunicação estrategicamente elaborada e devidamente controlada”, dentro do mercado na qual estão inseridas e acompanhando as tendências existentes.


Em sua pesquisa, Ramos (2004), reforça a idéia de que as instituições de ensino deparam-se com a necessidade de acompanhar essas mudanças e encontrar formas de melhorar os serviços prestados aos seus alunos e, além disso, às comunidades nas quais estão inseridas.


Os estudos e as publicações sobre a comunicação interna nas instituições de ensino superior têm demonstrado que elas vêm tentando dinamizar suas ações com o público interno, visando criar e melhorar os canais para que o fluxo da informação chegue a todos de forma clara e coerente. Todo esse trabalho inicia-se com o comprometimento da alta administração e com o agir transparente que os empregados esperam da instituição.

A comunicação interna das empresas torna-se um parâmetro cada vez mais importante da sua imagem externa. Hoje, quando o meio ambiente econômico torna-se um trunfo estratégico que, utilizado com eficiência, gera uma motivação extraordinária capaz de atingir objetivos que a razão pura não podia prever. Na realidade, a motivação profunda apóia-se não somente sobre elementos racionais, mas também, e talvez mais ainda, sobre o dinamismo psicológico que busca sua energia na emoção. A empresa deve ser o espaço predileto no qual o coração e a razão caminham juntos, para chegar até a motivação essencial de cada membro do pessoal: o amor a seu trabalho.
(LEHNISCH, apud VIGNERON, 2000, p.99)


O que se pode perceber é que entre as questões levantadas e apresentadas em estudos e publicações sobre a comunicação interna, e seu papel em instituições de ensino superior, mostram que é necessário um novo olhar, partindo dos gestores, passando pelos líderes e chegando a todos os atores internos sobre como essa comunicação será tratada.

Na perspectiva do tratamento processual requerida pela dimensão estratégica, é fundamental que a comunicação interna seja estruturada e conduzida de forma integrada com a comunicação externa, alinhando as diferentes ações e meios. Essa articulação assegura coerência e visão de conjunto às políticas, estratégias e ações organizacionais.
(OLIVEIRA e PAULA, 2007, p. 62).

Giuliani e Zambom (2003, p. 39), chamam a atenção para que

Quanto mais reservada dentro de si for a IES, evitando o entendimento e atuação diretamente no “foco do cliente”, que vai além inclusive do “foco no cliente”, mais difícil e árdua será a realidade, especialmente quando se observa o movimento estratégico das instituições concorrentes.

Todas essas abordagens deixam claro que a comunicação interna nas IES é papel de seus dirigentes, passando por seus colaboradores que, juntos, buscarão estratégias e ações que permitam o melhor fluxo de informações e um clima organizacional favorável.


Conclusão

Diante da apresentação e discussão dos dados e das informações ao longo deste artigo, pode-se considerar que as instituições de ensino superior vêem acompanhando as diversas transformações do contexto no qual encontram-se inseridas e buscando na comunicação interna estratégias que permitam criar vínculos entre seus colaboradores, procurando uma forma integrada de agir entre os diversos níveis existentes internamente.

As IES conseguem perceber, conforme vimos, que no mundo globalizado e na era do conhecimento e da informação, a necessidade de se lidar de forma eficaz com seu público interno leva à geração de um índice maior de satisfação. Dessa forma, “estes públicos tornam-se os melhores divulgadores da instituição. Sua satisfação e a comunicação boca-a-boca favoráveis atingem outros, tornando fácil atrair e atender maior número de pessoas” (RAMOS, 2004, p. 24)

Um processo comunicacional só se torna legítimo quando realizado nos dois sentidos. Para isso, é necessário se ter em mente que a comunicação ganha força quando se entende que, paradoxalmente, as pessoas ainda privilegiam o contato humano. Ou seja, as tecnologias não são capazes de promover a interação, por mais que se apresentem como dotadas dessa competência.

Em faculdades e universidades esse contato é ainda maior e mais necessário, pois a troca de conhecimento e a formação de cidadãos são parte integrante das missões dessas instituições que há séculos buscam transformar a sociedade. A necessidade de trazer a esse cenário da educação superior brasileira uma visão de que o conhecimento não deve ser tratado como um produto ou mercadoria que está à venda no varejo é fundamental. Pautados na ética e na responsabilidade social, os indivíduos deverão encontrar como fazer isso, por meio de uma comunicação planejada e integrada, com o envolvimento de todos, cada um exercendo seu papel e reconhecendo sua importância no contexto.


Com tudo isso, estudantes, pesquisadores, profissionais e todos aqueles que são agentes de comunicação precisam se unir, debater sobre as ações e conseqüências das estratégias de comunicação em seus ambientes de trabalho. É um assunto e um desafio que ainda terão muitos pontos a serem abordados e soluções a serem almejadas.

Nesse sentido, este artigo pretende ser uma reflexão sobre o panorama e não se arvora a uma conclusão definitiva. Em verdade, busca tão somente cumprir o papel que é também inerente à comunicação interna em instituições de ensino: convidar à reflexão crítica. Esse é o primeiro movimento para a mudança.



Referências Bibliográficas


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Tags: comunicacao educacao ies interna

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