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Eficácia na Administração Financeira

Paulino de Souza,
Sabendo que o Sucesso empresarial advém de três fatores, a saber: Capacidade Financeira,Capacidade técnica e Capacidade Administrativa e em decorrência disto, muitas empresas que ainda tem práticas administrativas familiares, deverão buscar práticas Contábeis e Financeiras adequadas, para que possa ter um crescimento sólido e sustentável.

Sendo que os sistemas são desenvolvidos especialmente para atender aos aspectos gerenciais de cada setor da atividade. Assim por exemplo, na administração financeira o "orçamento de caixa", tem por objetivo antever o fluxo monetário da empresa, evitando surpresas desagradáveis, bem como a contabilidade como sendo um conjunto de procedimentos, envolvendo normas de controle interno, rotinas de processamento da escrituração e relatórios, o suficientemente delineado de modo a prover o administrador de informações para a tomada de decisões gerenciais.

O presente artigo fará uma abordagem de tópicos como: Sistema de informações contábil; análise das demonstrações contábeis; análise de balanço; custos para avaliação, controle e tomada de decisões e planejamento administrativos.

2 – Desenvolvimento

O conjunto de informações com origem contábil são necessário, como auxilio aos gerentes no processo de tomada de decisões, principalmente sabendo que os recursos são escassos e devendo utilizá-los de forma racional através de um confiável sistema de informações gerenciais.

Para que possamos fazer uma análise apurada de uma organização, deveremos tomar por base seus principais demonstrativos: Balanço Patrimonial e o Demonstrativo de Resultados.

Balanço patrimonial

O Balanço patrimonial é o demonstrativo que fará uma fotografia da empresa num dado momento. Seus elementos são as contas, cuja nomenclatura variará de acordo com o tipo de atividade desenvolvida. Os bens e direitos são os elementos positivos ou ativos e as obrigações, os negativos ou passivos.

O Ativo é constituído por três grupos de contas: o circulante, o realizável a longo prazo e o permanente e indica a natureza dos valores nos quais a empresa aplicou seu recurso: dinheiro, estoques, créditos, valores mobiliários, bens de uso, etc.

O Passivo as contas são dispostas pelo grau decrescente de exigibilidade, isto é das obrigações mais exigíveis para as menos exigíveis. Subdivide-se em quatro grupos: circulante; exigível a longo prazo; resultados de exercícios futuros e o patrimônio liquido e indicam a origem dos recursos tais como: fornecedores, bancos, capital, lucro, etc.

Não vamos detalhar todas as contas do ativo e do passivo, pois queremos que fique claro que fazendo uma análise do balanço patrimonial, a partir de seus grupos: ativo, passivo e patrimônio liquido é possível saber superficialmente, a situação da empresa.

Demonstrativo de resultados

Uma das formas fundamental de análise ou avaliação de desempenho para as empresas é através do demonstrativo de resultados, que elenca todas as despesas e receitas ocorridas no período. O resultado é a diferença entre as receitas e as despesas. Sendo que se for positivo é lucro. Sendo negativo é prejuízo.

O Demonstrativo de resultado vai indicar as receitas e despesas de uma empresa em um determinado período, conseqüentemente demonstrando se a empresa apresentou lucro ou prejuízo, permitindo também visualizar quais as contas de resultados, seus valores e proporções que contribuíram com o resultado final de um exercício social.

O demonstrativo de resultados do exercício (DRE), segundo a escola americana, os resultados são organizados em uma única coluna em que a receita bruta consiste no conjunto de vendas à vista e a prazo, durante o exercício; havendo descontos e devoluções, estes são abatidos da receita, assim como os impostos incidentes sobre a mercadoria (ICMS, ISS, IPI) e diversos outros, de acordo com a atividade econômica, para formar a Receita Líquida. O Lucro Bruto é a diferença entre a receita e o custo das mercadorias vendidas.

O Lucro da atividade passou a ser indicado, com maior freqüência a partir de 1996 e é obtido abatendo-se do lucro bruto o custo operacional da empresa, incluindo salários dos vendedores, impostos sobre a folha de pagamento, benefícios sociais diversos, aluguel, conta de luz, telefone, condomínio, imposto predial, material de embalagem, despesas com propaganda e marketing, etc. Se esse lucro da atividade não for indicado, o mais importante será o lucro operacional.

O lucro operacional é obtido através das receitas e despesas financeiras, perdas com o não recebimento de vendas feitas a prazo, etc.

O lucro antes do imposto de renda (LAIR) é obtido a partir de itens não operacionais, ou seja, não ligados ao objeto da empresa, como exemplo: venda de itens obsoletos, aluguel de espaços ociosos, etc.

O resultado líquido do exercício é obtido do LAIR, após deduzir o imposto de renda. A compensação de prejuízos que a empresa tenha tido em passado recente leva ao imposto de renda se calculado sobre o lucro menor. A provisão para imposto de renda é uma tentativa que as empresas fazem do imposto incidente sobre os lucros do período. Trata-se de uma estimativa, já que seu valor exato só é determinado no decorrer do ano seguinte, com o preenchimento de formulário específico da Receita Federal.

O lucro do exercício à disposição dos acionistas é obtido deduzindo-se as participações estatutárias, a reserva legal e outras reservas. As estatutárias são as participações de empregados, diretores estabelecidos no estatuto da empresa. A reserva legal retém 5 % do lucro.

O resultado após a distribuição indica o aumento do patrimônio líquido após a dedução dos dividendos.

Análise de Balanço

A análise financeira e a de balanços é considerada difícil, pois existem muitos índices a ser avaliados, entretanto, o ideal é se escolher alguns índices e quocientes, procurando compará-los de período a período com padrões preestabelecidos para se tentar, a partir daí, ter uma idéia apurada de quais problemas merecem uma investigação maior, pois a análise financeira geralmente aponta mais problemas que soluções.

A análise financeira e de balanços deve ser entendida dentro de suas possibilidades e limitações, pois, devidamente manuseada, além de apontar os problemas, ela pode se tornar um poderoso painel de controle da administração.

Na análise das Demonstrações Financeiras, não podemos limitar somente à análise do Balanço Patrimonial e do Resultado do Exercício, pois todas as demonstrações constantes dos relatórios devem ser analisadas, tais como: Balanço Patrimonial; Demonstração do Resultado do Exercício; Demonstração de origens e Aplicações de Recursos; Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

Uma das primeiras providências a ser tomada, para a análise é verificarmos se estamos de posse de todas as Demonstrações Financeiras, inclusive Notas Explicativas. O ideal é estarmos de posse das Demonstrações Financeiras atinentes a dois ou mais exercícios.

Os balanços, para efeito de análise, devem ser o mais resumido possível, e as áreas-problema devem ser analisadas profundamente.

Situação Financeira

Neste relatório deveremos abordar os principais indicadores da saúde financeira empresarial mostrando suas deficiências e vantagens. E deveremos analisar a Rotação, Capital de Giro e Solvência da empresa.

Em Rotação deveremos analisar o prazo médio no qual a empresa está recebendo seus títulos; o prazo médio em que são pagos os compromissos com fornecedores; ver o intervalo entre os dias de giro de recebimento e os dias de giro de pagamentos; ver a evolução do comportamento dos estoques ao longo dos períodos e os dias de financiamento total que corresponde à soma dos dias de intervalo com os dias de giro de estoques.

Em Capital de Giro deveremos ver o valor médio das despesas diárias; o nível de capital de giro adequado ao funcionamento da empresa e o valor do capital de giro de terceiros necessários.

Em Solvência um dos principais indicadores da situação financeira é a liquidez corrente, pois mostra a capacidade teórica de pagar suas dívidas de curto prazo. Já a liquidez seca vai mostrar uma situação da qual foi excluído um fator de risco maior no tocante ao prazo de realização e formação de capital de giro. A dependência em relação ao capital de terceiros a longo prazo é indicada pela liquidez geral ou bruta.

Situação Econômica

Situação econômica é composta pela Rentabilidade, Coverage, Avaliação de Risco, Margem Operacional e Alavancagem Financeira.

Rentabilidade é a capacidade de analise da empresa em gerar resultados e este índice produzem informações de grande importância, tanto para o gerenciamento interno da Empresa como para os interessados.

Coverage representa o grau de cobertura das despesas financeiras e pode ser também chamado de capacidade de recuperação. Representa a capacidade da empresa em recuperar as despesas com financiamentos que utiliza. Se apresentar tendência decrescente, é indicio de que os financiamentos tomados não são adequados à sua necessidade, em termos de custos, ou há acentuada falta de recursos próprios, obrigando a utilização do Leverage em demasia.

Avaliação de risco que é o melhor indicador existente até o momento, pois possibilita antecipadamente a mostrar o risco de as empresas entrarem em concordata ou falência no ano seguinte ao do balanço analisado e até no segundo ano seguinte ao balanço.

Margem operacional é o resultado da relação entre o lucro operacional e as vendas. É válido lembrarmos que o Lucro Operacional surge após deduzirmos das Vendas Líquidas, o custo das vendas (mercadoria, produto ou serviços), as despesas operacionais e acrescermos outras receitas operacionais, como por exemplo, o resultado positivo de participação em controladas (Equivalência Patrimonial).

Alavancagem Financeira ou Leverage mede o Grau de endividamento de uma Empresa. E está claro que o Retorno Sobre o Investimento Total mede a eficiência do Administrador Financeiro.

Planejamento Administrativo

O Planejamento envolve a tomada de decisões sobre os objetivos e estratégias de longo prazo. Os planos estratégicos têm uma orientação externa forte e envolvem as partes principais da organização. Os altos executivos são responsáveis pelo desenvolvimento e execução do plano estratégico. Os objetivos estratégicos constituem os alvos principais ou resultados finais, que se referem à sobrevivência a longo prazo, ao valor e ao crescimento da organização. Os administradores estratégicos geralmente estabelecem objetivos que refletem tanto a eficácia (alta taxa de resultados em relação aos insumos). Objetivos estratégicos típicos incluem várias medidas do retorno dos acionistas, da lucratividade, da quantidade e qualidade de resultados, da participação no mercado, da produtividade e das contribuições para a sociedade.

Se planejar é decidir antecipadamente o que fazer, quando fazer e quem deve fazer, vemos que planejamento é o passo inicial na tomada de decisão. E para se ter um planejamento eficaz as informações devem estar disponíveis e confiáveis, principalmente se tratando de informações contábeis e financeiras da empresa.

As estratégias de finanças dizem respeito à aquisição e alocação de capital e à administração de capital de giro e dividendos. Diferentemente de outras estratégias funcionais, as estratégias de finanças devem ter componentes de longo e curto prazo. Alguns itens típicos são a manutenção de registros, os cálculos de necessidades financeiras, a administração de dívidas e o relacionamento com os credores.

3 – Conclusão

Pretendeu-se que este trabalho proporcionasse, de forma muito sintética, mas objetiva e clara, uma familiarização com os principais cuidados a ter na Administração Financeira um instrumento de sucesso. Para atingir este objetivo, optou-se por uma descrição seqüencial dos princípios financeiros, contábeis e econômicos. Concluímos que o resultado obtido satisfaz os requisitos necessários, para que os administradores, contadores, gerentes e diretores possa, utilizá-los com competência na administração de suas empresas. Todavia não quero ter a pretensão deste artigo se considerar perfeito, pela extensão e profundidade que o tema merece. A arte de administrar financeiramente uma empresa se constrói no dia a dia nas empresas através da aplicação dos instrumentos financeiros aqui expostos e por meio de um planejamento coerente que maximizem o atendimento dos objetivos organizacionais através da utilização mais eficiente dos recursos disponíveis. Assim, as indicações destes instrumentos financeiros deverão ser entendidas como mero primeiro passo numa jornada plena na arte de administrar.

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