Empreendedorismo e Planejamento devem caminhar juntos

Introdução

De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) - edição 2008, que mede as taxas de empreendedorismo mundial, o Brasil é o terceiro mais empreendedor entre os países que fazem parte do G-20. Perde apenas da Argentina e do México.

Ainda de acordo com a pesquisa GEM, os países membros do G-20, (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos e mais a União Européia) juntos representam cerca de 90% do Produto Interno Bruto mundial e 80% do comércio internacional (incluindo o comércio interno da UE), e 81,24% do total de pessoas empreendendo no mundo.

Para Chiavenato (2007), o empreendedor é a pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino financeiro e capacidade de identificar oportunidades. Com esse arsenal, transforma idéias em realidade, para benefício próprio e para benefício da comunidade.

Mortalidade das empresas

É verdade que o Brasil está classificado entre os países com maior taxa de empreendedorismo do mundo; é verdade, também, que praticamente metade das micro e pequenas empresas fecham suas portas antes de completarem dois anos de vida. Das empresas que começaram a funcionar em 2002, 49,4% fecharam no início de 2004.

E porque é tão alto o índice de mortalidade das empresas no Brasil?

Dados da pesquisa “Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil”, realizada pelo Sebrae no primeiro trimestre do ano de 2004, a partir de informações de empresas ativas e extintas que foram abertas em 2000, 2001 e 2002, apurou-se que o principal motivo está ligado a falhas gerenciais, destacando-se problemas, como: falta de planejamento na abertura do negócio, falta de capital de giro (indicando descontrole de fluxo de caixa), problemas financeiros (situação de alto endividamento), ponto comercial inadequado, falta de conhecimentos sobre gestão, causas econômicas conjunturais como falta de clientes, maus pagadores e recessão econômica no País e outras informações como falta de crédito bancário e a elevada carga tributária brasileira são indicados como importantes fatores para o fechamento das empresas.
Plano de negócios
Para minimizar os riscos com a abertura de um novo empreendimento é importante realizar o planejamento do negócio.

Planejar significa estudar antecipadamente a ação que será realizada ou colocada em prática e quais os objetivos que se pretende alcançar.

Chiavenato (2007) aponta que o planejamento visa proporcionar condições racionais para que a empresa seja organizada e dirigida com base em certas hipóteses a respeito da realidade atual e futura. O referido autor aponta o plano de negócios como ferramenta de auxílio neste processo.

Fernando Dolabela, autor do livro “O segredo de Luiza” descreve a importância de se elaborar um Plano de negócios:

“Alguns empreendedores são, sem dúvida, bons técnicos, mas, dentre eles, alguns não conhecem bem o mercado, a gestão financeira ou administrativa, as leis ou o ambiente sócio- econômico”.

O autor descreve, ainda, que os principais “clientes” do Plano de Negócios são:

• O próprio empreendedor;
• Sócios empregados;
• Sócios em potencial;
• Parceiros em potencial (distribuidores, representantes)
• Órgãos governamentais de financiamento, bancos, capitalistas de risco;
• Grandes clientes atacadistas, distribuidores;
• Franqueados

O plano de negócios por si só não garante que determinado negócio terá sucesso no mercado, bem como um empreendimento iniciado sem planejamento pode gerar lucros, entretanto, são grandes as probabilidades de insucesso de um negócio iniciado sem o devido planejamento, motivo pelo qual dificilmente uma instituição financeira ou possível parceiro investe em um negócio sem informações baseadas em dados realísticos quanto ao retorno do investimento.

Perfil do empreendedor
Para Tom Coelho, autor da matéria de capa da Revista Vencer edição nº 68, os principais atributos de um profissional com atitude empreendedora são: iniciativa, exigência por qualidade, comprometimento, ousadia, persistência, criatividade, curiosidade, independência, autoconfiança, liderança, planejamento, capacidade de persuasão, de estabelecer e cumprir metas, de administrar o tempo e de promover seu marketing pessoal.
Apesar das dificuldades o empreendedorismo é inerente ao brasileiro, por conta da capacidade de adaptar-se às reações adversas, aliado a uma boa dose de otimismo. No entanto, o elevadíssimo índice de mortalidade das empresas no Brasil é fruto da ausência de planejamento.
A necessidade, originada pela falta de oportunidade de emprego, é motivação para se montar um negócio próprio, que esbarra em outros problemas como a falta de apoio financeiro, de políticas governamentais e de capacitação empresarial.
A formação educacional é outro problema do empreendedorismo no Brasil, fator que reduz a proporção de empreendedorismo por oportunidade. Apenas 14% têm formação superior e 30% sequer concluíram o ensino fundamental, enquanto que nos países desenvolvidos, 58% dos empreendedores possuem formação superior.

Conclusão

A finalidade deste artigo é demonstrar que o Brasil, apesar de ser um dos países com maior número de empreendedores no mundo, também apresenta altos índices de mortalidade das empresas em seus primeiros anos de existência.

Diante os números apresentados, o plano de negócio é, sem dúvida, o melhor instrumento para identificar a real situação de determinado mercado e conseqüentemente iniciar uma empresa com maior segurança e possibilidade de êxito.

Assim como para realizar uma viagem faz-se necessário uma série de providencias, tais como escolher o local a ser visitado, definir a quantia de dinheiro necessário para custear as despesas com a compra de passagens, reserva de hotel, despesas de alimentação, enfim, entre tantas outras coisas, imagine a complexidade que é abrir um negócio? E empreender, muitas vezes, é uma viagem para um lugar desconhecido.

O plano de negócios é como se fosse um mapa de percurso, um documento que serve para orientar o empreendedor na busca de informações detalhadas sobre o ramo de negócio, os produtos e serviços, clientes, concorrentes, fornecedores e, principalmente, sobre os pontos fortes e fracos do seu negócio, contribuindo para a identificação da viabilidade do empreendimento, ou até mesmo, fazer com que o empreendedor chegue à conclusão de que não vale à pena abrir o negócio.

É possível concluir que as empresas morrem porque nascem mal. Muitos empregados deixam a empresa na qual trabalham para montar o próprio negócio e competir com seus antigos patrões ou são demitidos e resolvem investir o valor da rescisão em um negócio próprio. A falta de um bom planejamento (plano de negócios) favorece a mortalidade das empresas, pois muitas iniciam as atividades sem um estudo detalhado de mercado.
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