EMPREENDEDORISMO: UM ENFOQUE ESTRATÉGICO/ADMINISTRATIVO E OPORTUNIDADES PARA AS MULHERES EMPRESÁRIAS.

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EMPREENDEDORISMO: UM ENFOQUE ESTRATÉGICO/ADMINISTRATIVO E OPORTUNIDADES PARA AS MULHERES EMPRESÁRIAS. Carlos de Macedo Alves Luiz Alberto Beloto Murilo de Souza Bastos Rodrigo Moreira Bezerra RESUMO O presente artigo tem por finalidade abordar o empreendedorismo, o perfil do empreendedor e as dificuldades que este encontra em posicionar estratégicamente o seu negócio, em especial no que se refere à mulher empreendedora. Diante desse objetivo, procuramos vislumbrar, em primeiro lugar o conceito de empreendedorismo, seguido da enumeração das competências comuns aos empreendedores. Constatamos que a falta de planejamento estratégico por grande parte dos empreendedores brasileiros nos leva a taxas de mortalidade de empresa muito altas. Assim, apresentamos algumas das ferramentas que o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) disponibiliza para os empreendedores e a partir daí complementamos o estudo citando algumas oportunidades que despontam para mulheres que queiram fazer parte do mundo do empreendedorismo (onde destacamos Mariangela Bordon, empreendedora de grande sucesso criadora da Ox Cosméticos) e o papel do SEBRAE nesta caminhada. Palavras-chave: empreendedorismo, empreendedor, taxa de mortalidade de empresas, SEBRAE, planejamento estratégico, mulher, oportunidades. INTRODUÇÃO No século XIX não se ouvia falar no termo empreendedorismo, mesmo assim pode-se considerar que somos uma nação de grandes empreendedores. Em 1813, nasceu, no Rio Grande do Sul, Irineu Evangelista de Souza, o futuro Barão de Mauá, que viria a ser um dos primeiros empreendedores em diversos setores da economia brasileira. Em 1847, implantou a primeira casa de fundição brasileira de grande porte e, em 1854, a primeira ferrovia brasileira ligando Mauá à Raiz da Serra/RJ (BARÃO..., 2004 apud Roese, Binotto & Büllau, 2004). O tema empreendedorismo não é novo no Brasil, nova é a abordagem que começou a ser dada a partir de 1990, quando o SEBRAE começou a preocupar-se com certa profissionalização do típico empreendedor brasileiro. Apesar de todo este espírito empreendedor tradicional do brasileiro e do apoio oficial através do Sebrae e outros órgãos de fomento, nota-se que todo o ambiente educacional do país, desde a pré-escola até a pós-graduação, tem dedicado pouco espaço ao tema. Nos cursos superiores de Administração, o tema do empreendedorismo é preocupação recente e, em alguns deles, não possui uma disciplina que trate especificamente do tema. Em algumas universidades como a Universidade do Oeste Paulista, por exemplo, existem cursos técnicos específicos à gestão de negócios com aulas dedicadas ao tema empreendedorismo. No Brasil, a preocupação com a criação de pequenas empresas que sejam duradouras e a necessidade da diminuição das altas taxas de mortalidade desses empreendimentos são, sem dúvida, motivos para a popularidade do termo empreendedorismo receber especial atenção por parte do Governo Federal e das entidades de classe. O conceito de empreendedorismo para Dornelas (2001) tem sido muito difundido no Brasil nos últimos anos, intensificando-se no final da década de 1990. Ainda segundo o autor a palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo, de onde concebemos o empreendedor como um agente de mudanças. O problema do empreendedorismo parece estar no desenvolvimento da cultura empreendedora. Ninguém nasce empreendedor, mas as características empreendedoras podem ser desenvolvidas ao longo de sua carreira profissional, preparando-o para assumir riscos ou desafios em um novo empreendimento. Assim, o empreendedorismo se estabelece como um fenômeno cultural, fortemente relacionado com o processo educacional, capaz de impulsionar a criação de pequenas e médias empresas voltadas ao desenvolvimento local e regional, porém resta a dúvida sobre o que leva uma pessoa a querer criar seu próprio negócio. Para Bernhoeft (1997), em se tratando de nosso país, são vários motivos, pois estamos em franco desenvolvimento e existe muito que se fazer, mas em grande parte deve-se ao processo de transformação do mercado de trabalho, dos avanços tecnológicos e da abertura de mercado para a importação de produtos que tem exigido dos empresários uma postura mais ágil, para as quais muitos estão despreparados. Dornelas (2001) classifica empreendedores como pessoas diferenciadas, que possuem motivação singular, apaixonadas pelo que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e imitadas, e querem deixar um legado. Essa conjunção de fatores leva Dornelas (2001) a ressaltar que isso despertou interesses e discussões a respeito do tema no país, com crescente ênfase para pesquisas no meio acadêmico, e também a criação de programas específicos voltados ao público empreendedor, como é o caso do programa Brasil Empreendedor do Governo Federal (criado em 1999) que teve como meta inicial a capacitação de mais de um milhão de brasileiros para elaboração de planos de negócios, visando a captação de recursos junto às instituições financeiras vinculadas ao programa. Dornelas (2001) ainda expõe dados do SEBRAE que mostram que no período de 1990 à 1999 foram constituídas no Brasil 4,9 milhões de empresas, dentre as quais 2,7 milhões são micro empresas. Então, concordamos que é oportuno um estudo mais profundo a respeito do conceito de empreendedorismo, tendo em vista que a maior parte dos negócios criados no país são microempresas, o que corresponde a 55% do total analisado no período, e estas são concebidas por pequenos empresários. MORTALIDADE DE EMPRESAS NO BRASIL O Brasil, em todos os anos em que a Pesquisa GEM foi realizada, esteve entre os 7 países com taxas de atividade empreendedora mais alta. A Pesquisa GEM 2004 avaliou 34 países, fornecendo a TEA (Taxa de Atividade Empreendedora), que é a “(...) percentagem da força de trabalho que está iniciando novos empreendimentos ou já é proprietária ou gerente de negócios iniciados a menos de 42 meses” (Fonte: www.sebrae.com.br), de cada um deles, que variou de 1,5% até mais de 40%. Em 2004, o Brasil apresentou TEA de 13,5%, ficando em 7º lugar. Apesar de bem qualificado quanto à iniciativa empreendedora, tendo como base a constituição de cerca de 470 mil novas empresas por ano no Brasil, as taxas de mortalidade são elevadas como podemos ver nos dados levantados pelo SEBRAE: • 49,4% para as empresas com até 2 anos de existência (2002); • 55,64% para as empresas com até 3 anos de existência (2001); e • 59,9% para as empresas com até 4 anos de existência (2000). O primeiro dos fatores de sucesso apontados por empresários para a sobrevivência dos empreendimentos é a habilidade gerencial, que implica um bom conhecimento do mercado onde atua e a competência para dirigir adequadamente seu negócio. No entanto, os microempresários, muitas vezes, não possuem conceitos de gestão de negócios, atuando de forma empírica e sem planejamento. Isso reflete diretamente nos índices de mortalidade de micro e pequenas empresas. Cury (2005:136) faz menção a uma pesquisa do SEBRAE que aponta os problemas das empresas brasileiras, como se observa na tabela 1 a seguir: Tabela 1 – As empresas brasileiras e seus problemas * Fonte: Jornal do Brasil, 22 maio 1993. N/F, p. 6. Dados de 1990, apud Cury (2005:136). Analisando os dados da pesquisa, percebe-se que os problemas das empresas brasileiras estão relacionados com fatores administrativos do negócio, o que se opõe ao pensamento de que os negócios não prosperam pelo mercado ou por falta de clientes (faturamento ou lucro insuficientes para a manutenção do negócio). Assim, conforme Robson Rodrigues, consultor de turismo e sistema de gestão da qualidade do Sebrae goiano, expressa em coluna pesquisada no site do SEBRAE, “os empresários querem manter o modelo do passado e as mudanças atropelam essas práticas, impedindo-os de fazer concorrência.” Dessa forma, percebemos um descaso, por parte de muitos empreendedores brasileiros, com relação ao planejamento estratégico, que nos remete a elevadas taxas de mortalidade de empresas. A administração estratégica nos remete à modernidade porque, conforme Bernardi (2003:37), “a empresa moderna deve estruturar-se e aprender a conviver com a mudança, com o caos, com a variedade, com os conflitos e paradoxos e todos os dilemas conseqüentes”. No mundo instável em que vivemos, repleto de mudanças a todo instante, é preciso haver uma predisposição dos empreendedores em refletir seu negócio sistêmicamente. Um empreendimento deve ser estruturado a fim de adaptar-se e integrar-se ao ambiente que ele atenderá e não em ter um comportamento essencialmente competitivo e egocêntrico. Pelas taxas referentes à mortalidade de empresas apontadas, verificamos que no Brasil há fraquezas empresariais gritantes. Acompanhando o raciocínio de Bernardi (2003:56) “é preciso que se perceba com clareza que o sistema global e suas interações apontam para os seguintes rumos: a necessidade de mudar e flexibilizar-se é vital; não há espaço para desperdícios e supérfluos; resultados estão relacionados ao contexto global; a relação e interação de condições e fatores externos são muito diferentes; concorrência mundial e regional acirradas; produtividade alta e margens menores; preços competitivos são vitais; valor e utilidade para o cliente são o ponto central; e excelência no mercado é um conceito muito mais amplo.” Assim, os empresários devem procurar adaptar sua empresa para o novo cenário competitivo que se configura no mundo dos negócios. Pela agilidade com a qual as mudanças e informações acontecem é necessária flexibilidade para facilitar a adaptação às mudanças; redução de custos para que a margem de lucro, comprometida muitas vezes pela guerra de preços com a concorrência, seja mantida dentro dos níveis de mercado, que deve ser sempre levado em conta e analisado para que o negócio possa ser constantemente atualizado e ainda possa oferecer o melhor para seu cliente. Com isso, o planejamento estratégico se torna indispensável às organizações que tenham como objetivos sua consolidação, ou sobrevivência; seu crescimento, ou desenvolvimento; e sua diversificação, ou busca de novas oportunidades. Segundo Degen (1989:107), “competitividade é a correta adequação das atividades do negócio ao seu microambiente. Para alcançar esta competitividade e obter vantagens competitivas é imprescindível que o empreendedor tenha um domínio sobre pelo menos cinco fatores de sucesso do seu negócio sobre os concorrentes: rivalidade entre os concorrentes; poder de barganha dos clientes; poder de barganha dos fornecedores; ameaça de novos concorrentes; e ameaça de substituição.” E saiba aplicar, conforme o seu negócio, uma das quatro estratégias competitivas genéricas que lhe seja mais adequada: “diferenciação; menor custo; especialização com diferenciação; e especialização com menor custo.” A escolha da estratégia competitiva é crucial ao negócio. Ela deve ser sustentável diante da concorrência; ou seja, outras empresas devem considerar esta estratégia muito dispendiosa de imitar ou simplesmente não conseguir reproduzi-la, pois assim será alcançada uma importante vantagem competitiva. Mas, segundo Degen (1989:122), ainda há outra questão que é a da insegurança de muitos empreendedores que escolhem implantar mais de uma estratégia; o que, para tal autor não funciona, porque ao querer se destacar (egocentrismo), o empreendedor “perde em diferenciação, em custo e em especialização”. Cremos estar evidente a necessidade de uma maior atenção, pelos empreendedores brasileiros, quanto à determinação da estratégia a ser aplicada em seu negócio para que este se consolide, cresça, ou pelo menos se mantenha e assim as taxas de mortalidade das empresas no Brasil, que são elevadas, venham a cair, propiciando mais empregos e mais renda. ADMINISTRADOR X EMPREENDEDOR O momento atual pode ser chamado a era do empreendedorismo, é o que afirma Dornelas (2001), pois são os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade. Por isso, o autor ainda refere a importância de distinguirmos duas figuras vitais para que um empreendimento, seja ele grande ou pequeno, possa se tornar um negócio mais durável e estruturado, que são as figuras do Administrador e do Empreendedor. Ainda segundo Dornelas (2001), tal distinção poderá ser útil para que suas tarefas possam se fundir em alguns casos e se separar em outros, pois sabemos que vários empreendedores são visionários e, muitas vezes, sem conhecimentos técnicos administrativos do negócio, podem tomar decisões não muito favoráveis ao amadurecimento do empreendimento atual. Assim, com a figura do administrador, que tem como principais funções a arte de administrar, ou seja concentrar-se nos atos de planejar, organizar, dirigir e controlar, muitas vezes isso é alocado pela sua escala hierárquica dentro da organização ou empreendimento e com isso teremos possivelmente um maior grau de decisões tomadas com base em dados técnicos e com projeções reais para o futuro. Quando se analisam os estudos sobre o papel e as funções do administrador, efetuadas por Mintzberg, Kotter e Stewart (apud Dornelas 2001) e, ainda, sobre a abordagem processual do administrador, pode-se dizer que existem muitos pontos em comum entre o administrador e empreendedor. Ou seja, o empreendedor é um administrador, mas com diferenças consideráveis, pois quando a organização cresce, os empreendedores geralmente tem dificuldades de tomar as decisões do dia-a-dia dos negócios. Para Dornelas (2001) as diferenças entre os domínios do empreendedor e do administrador podem ser comparadas em cinco dimensões distintas de negócio: orientação estratégica, análise de oportunidades, comprometimento dos recursos, controle dos recursos e estrutura gerencial, além, é claro, da impessoalidade do administrador. Uma outra diferença básica apontada por Dornelas (2001) é o fato de o administrador ser voltado para a organização de recursos e o empreendedor ser voltado para a definição de contextos. Neste sentido o empreendedor de sucesso é diferenciado do administrador comum pelo fato do constante planejamento a partir de uma visão de futuro (idéias empíricas), o que nem sempre requer dados reais, quando o administrador, a partir disso, passa a alocar os recursos suficientes e organizar a idéia para que esta saia do papel, torne-se realidade e propicie os retornos esperados (seja científico, técnico e apresente dados, planejamento e organização). Isso é reafirmado pelo autor quando, em seu questionário, ele pergunta à alguns empreendedores: O que o levou a criar sua empresa? A maioria das respostas foi: “não sei, foi por acaso...”. Assim, cabe ao administrador a partir das idéias e conhecimento do negócio do empreendedor, elaborar e planejar um bom plano de negócios, o dimensionamento do projeto, avaliar a oportunidade de mercado, fazer sua análise econômica, traçar quais suas vantagens competitivas e fazer cálculos sobre a viabilidade do projeto para que, assim, se possa recorrer a fontes distintas para a captação dos recursos disponíveis e necessários. Com uma capacitação gerencial e um planejamento periódico do negócio, os empresários podem se precaver de algumas armadilhas no gerenciamento das pequenas empresas e aumentar a eficiência na administração do negócio. CARACTERÍSTICAS E PERFIL DO EMPREENDEDOR Ser empreendedor não é algo fácil, principalmente quando se trata de um país como o Brasil em que, além dos problemas normais que todo o empreendedor enfrenta, há os problemas da desigualdade social, da carga tributária excessiva, da infra-estrutura, da mão de obra sem qualificação e muitos outros problemas característicos de países em desenvolvimento. Graças a esses problemas extras é que o empreendedor brasileiro precisa possuir necessidades, habilidades, valores e conhecimentos comuns, conforme elencados na tabela 2 a seguir: Tabela 2 – Características dos empreendedores * Fonte: Lezana, 1996 apud Tonelli (1997). McClelland (1987), apud Tonelli (1997), traçou dez características fundamentais para o empreendedor de sucesso: a iniciativa na busca de oportunidades; a capacidade de correr riscos; a persistência; o comprometimento; a objetividade no estabelecimento de metas; a capacidade para buscar e valorizar as informações; a persuasão e a rede de contatos; a independência e a autoconfiança; a exigência pela qualidade; e a eficiência. Podemos citar também algumas motivações de colo pessoal mas, que influenciam na atitude empreendedora dos indivíduos, que para Bernhoeft (1997) devem ser analisadas: rompimento de status atual; realização de um sonho; atendimento das expectativas dos outros; desejo de ser um agente de mudanças; busca de realização pessoal; contribuição para a melhoria da sociedade em que vivemos; e o negócio como única alternativa para a família. Todas essas características que são citadas na literatura e mais algumas delas que podemos citar ainda como: curiosidade, busca de informações, energia, entusiasmo, decisão, dentre outras, o empreendedor brasileiro geralmente apresenta e assim ele vem colocar o país em posição de destaque quando o assunto é empreendedorismo. Além das características apresentadas, não podemos deixar de destacar um outro vetor do empreendedor, que é o seu perfil. Não se pode definir um modelo único de perfil empreendedor. Existem sim características básicas que permitem um certo nível de classificação, como: • Segurança: arriscar o certo pelo duvidoso, ou seja, ter coragem de enfrentar um desemprego temporário, por exemplo, para montar um negócio próprio; • Aprovação: ter status, ou seja, ser admirado pelos outros; • Independência: ter seu próprio dinheiro e um horário de trabalho flexível; • Desenvolvimento pessoal: aprender sempre mais com seu negócio; e • Auto-realização: realizar seus sonhos, ou seja, adquirir o capital necessário para tal (Tonelli, 1997). Em ambientes economicamente diferentes, sejam esses mais agressivos e com alta competitividade, o empreendedor precisa ser mais rápido e tem pouco tempo na tomada de decisões, enquanto que em ambientes menos agressivos e com baixa competitividade a tomada de decisões é realizada com mais tempo e menos rapidez. Porém, não é porque esses ambientes são diferentes que o perfil do empreendedor será diferente. Se houver uma comparação entre empreendedores, veremos que estes têm atitudes e um perfil comum entre eles. Podemos captar essas atitudes quando a pessoa parte para o empreendedorismo por necessidade, ou seja, por desemprego ou para ter uma renda melhor. Mas o que acaba acontecendo é uma total falta de sincronismo com aquilo que a pessoa projeta para o empreendimento, pois a maioria não consegue traçar metas e objetivos para o negócio, na maioria das vezes não tem nenhuma ou tem pouca experiência no negócio e apresentam um baixo nível de conhecimento em administração, fato que, no atual mundo globalizado, acaba sendo imprescindível para a existência de uma boa gestão do negócio. A falta desses requisitos leva muitos empreendedores anualmente a não completar a missão da organização resultando no fechamento do empreendimento. O futuro empreendedor, ou alguém que participe do novo empreendimento, precisa ter o conhecimento necessário para gerar seus produtos ou serviços. Na maioria dos casos de sucesso, o futuro empreendedor domina as noções básicas para desenvolver o novo negócio e as complementa por meio de experiências de sócios, parceiros ou colaboradores. Os valores orientam o comportamento das pessoas, delimitando sua forma de agir, pensar e sentir. Não apenas o comportamento do indivíduo é guiado pelos valores, mas também o modo como ele julga os outros está ligado a seu conjunto de valores. Neste sentido, pode-se entender porque grupos agregam-se voluntariamente e preservam valores comuns. Dificilmente encontra-se um empreendedor com todas as características. Elas representam apenas um referencial que possibilita sua auto-avaliação, a partir da qual você terá condições de definir seus pontos fortes e fracos e optar por um programa de aperfeiçoamento pessoal, visando, principalmente, eliminar suas deficiências, e, posteriormente, maximizar suas qualidades. Além disto, tal avaliação pode ser útil na escolha de um sócio e/ou parceiro. O escolhido deve apresentar um perfil complementar ao seu, de modo a superar suas deficiências e alcançar o sucesso. Portanto, verificamos que coragem, flexibilidade, motivação, liderança, capacidade de análise, ambição e baixa aversão a riscos (segurança) são características importantes que compõem o perfil de um empreendedor. Muitos que desejam entrar no clube dos empreendedores imaginam que o simples conhecimento das características deste grupo ou de alguns “mandamentos” seria suficiente para transformar suas vidas e iniciar-se no mundo dos negócios. Entretanto, as mudanças só começam a acontecer quando se adota o caminho da ação e do trabalho. É só por meio deste caminho que se consegue passar do espaço das boas idéias para o espaço das boas realizações – que vem a ser o espaço dos empreendedores. Ou seja, a única maneira de aprender a fazer é fazendo. SEBRAE – UM GRANDE PARCEIRO Segundo dados apresentados no site do SEBRAE, a taxa de empreendedorismo feminino em 2004 foi de 12,1%, maior que a de 2003 (11,7%). Desta forma a composição entre homens e mulheres na taxa global nacional chegou a 55% e 45%, respectivamente. (Fonte: www.sebrae.com.br) As mulheres estão ampliando sua participação no mundo do empreendedorismo e o SEBRAE lança o Prêmio SEBRAE da Mulher Empreendedora. Este prêmio recebe o suporte da Secretaria Especial de Política para Mulheres e da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil e vem fazer frente à cultura machista histórica que ainda apresenta seus resquícios no país. Além desta ilustre iniciativa do SEBRAE, consideramos importante destacar o Direcionamento Estratégico do Sistema SEBRAE 2006 a 2010, que tem como missão “promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das micros e pequenas empresas e fomentar o empreendedorismo”. (Fonte: www.sebrae.com.br) Ainda conforme é destacado no site pesquisado, com este plano de ação estratégica, o SEBRAE espera alcançar os seguintes resultados: • aumentar a taxa de sobrevivência das micro e pequenas empresas atendidas pelo SEBRAE; e • aumentar a contribuição das micro e pequenas empresas atendidas pelo SEBRAE para a geração e manutenção de empregos e a promoção da formalização. As micro e pequenas empresas são a alavanca para o aumento dos postos de trabalho e, com isso, a inclusão social, que propiciará mais renda, mais consumo e mais investimentos, melhorando os índices econômicos nacionais e contribuindo para o próprio desenvolvimento do país. O SEBRAE demonstra pelas suas iniciativas crer nesse caminho para o progresso da nação e trabalha no intuito de fortalecer a cultura empreendedora no Brasil a fim de alcançar esse desenvolvimento. OPORTUNIDADES DE EMPREENDEDORISMO PARA MULHERES Conforme destacam algumas pesquisas analisadas, as mulheres pouco a pouco estão ocupando seu devido espaço no mercado de trabalho. Começaram por cargos mais baixos e hoje já são muitas vezes empreendedoras executando o seu próprio negócio, a sua vontade de vencer é sempre muito grande e seus objetivos raramente não são alcançados. Segundo um estudo realizado pela Avon Corporation e a firma de pesquisa New York Decision, apud Aburdene & Naisbitt (1994:93), “as mulheres são cautelosas e ‘estrategistas’ ao assumir riscos, e sua desenvoltura e determinação aumentam à medida que as circunstâncias tornam-se mais difíceis. As proprietárias de empresas possuem mais probabilidade de obter sucesso, observa Janet Harris-Lange, presidente da National Association of Women Business Owners, porque “admitem que necessitam de ajuda e se cercam de pessoas competentes,” como poderemos observar no exemplo de Mariangela Bordon. Já o homem empreendedor dificilmente admite não saber fazer algo e sempre quer realizar suas atividades sozinho, sendo assim, não cria novas oportunidades para que outras pessoas possam aparecer para obterem sucesso juntos. “A área financeira é um dos melhores campos para as mulheres”, pois foi constatado em uma pesquisa da revista Business Week apud Aburdene & Naisbitt (1994:97) “sobre homens e mulheres com mestrado em administração de empresas das vinte principais faculdades de administração(...) que a menor diferença salarial entre os sexos estava no setor financeiro, onde as mulheres ganhavam apenas 3,3% menos que os homens”. As mulheres são mais detalhistas e organizadas, pois menos exigentes. A professora de Administração Judy B. Rosener apud Aburdene & Naisbitt (1994:98) destaca que as mulheres são bem sucedidas em setores que os resultados são facilmente mensuráveis. Assim, a área de finanças se apresenta como uma escolha apropriada para as mulheres que desejam vencer sozinhas. Rodrigues & Wetzel (2003) apud Takahashi & Graeff (2004:7) desenvolveram um estudo em que procuraram entender o universo das empreendedoras brasileiras. “Para esse objetivo, realizaram uma pesquisa qualitativa, com entrevistas em profundidade, com sete mulheres, donas de serviços de bufês, atendendo à classe média e média alta do Estado do Rio de Janeiro”. Classificaram os principais fatores do processo empreendedor em quatro categorias: características pessoais, ambiente pessoal, ambiente de negócios e objetivos pessoais. As características pessoais estão relacionadas com atividades no que tange ao gosto e o interesse pela comida. No que se refere ao ambiente pessoal, pode-se identificar a forte influência familiar. Os objetivos pessoais identificados não foram muito claros, uma vez que não havia uma intenção sólida em relação ao empreendedorismo. Quanto ao ambiente de negócios, a decisão por parte das bufeteiras está mais relacionada às necessidades de expressar seus desejos e sua natureza, em detrimento do ganho financeiro. Já o estudo desenvolvido por Jonathan (2003) apud Takahashi & Graeff (2004:7), versa sobre o empreendedorismo feminino, mas no contexto das empresas de biotecnologia e tecnologia de informação. “O estudo foi realizado com 16 empreendedoras do Estado do Rio de Janeiro”. (...) “Os resultados apontam que não obstante todas as dificuldades encontradas, as empresárias conseguem sobreviver e manter equilibrada a sua vida pessoal e profissional. As empreendedoras são conservadoras em relação à busca de financiamento de seus negócios, uma vez que buscam o crescimento gradual da empresa de modo a garantir a qualidade, indo contra a tendência do mercado”. As seguintes características femininas puderam ser destacadas como a valorização do feminino, o exercício de liderança interativa e a construção de uma sólida rede social, fundada em bons relacionamentos internos e externos. Comparando-se os estudos citados e outros que foram estudados, mas não citados para composição deste capítulo, podemos dizer que cotidianamente as mulheres empreendedoras estão tendo suas oportunidades e com absoluta certeza estão sabendo aproveitá-las, sendo assim, as empreendedoras estão buscando seu espaço e mostrando seus talentos e sua capacidade. Pode-se perceber que as estratégias usadas pelas empreendedoras se restringem à preocupação com a inovação, à qualidade do seu produto ou serviço, à sobrevivência do seu negócio e à satisfação de seus clientes internos e externos. Essas características citadas podem ser decorrentes da falta de planejamento estratégico dos empreendedores brasileiros, e até do fato da maior parte dos empreendimentos serem criados por necessidades. Um outro fator importantíssimo, no que diz respeito às oportunidades de empreendedorismo para mulheres, é que o homem já conquistou seu espaço e na maioria das vezes já encontra-se um pouco acomodado, pelo contrário, a mulher está muito motivada a conquistar seu espaço, ou um outro espaço que pode vir a ser ainda maior, se apenas uma oportunidade lhe for concedida. MARIANGELA BORDON, UM EXEMPLO DE EMPREENDEDORISMO FEMININO Diante do avanço do empreendedorismo feminino no Brasil, que vem demonstrando a força das mulheres também nos negócios, consideramos oportuno citar um exemplo dessa força feminina através de Mariangela Bordon, uma empreendedora brasileira de sucesso. “Nasceu em berço de ouro e foi criada para ser esposa e mãe dedicada.” (Britto & Wever, 2004:102). Filha de Geraldo Bordon, dono do Grupo Swift Bordon, era parecida com o pai e, segundo seus familiares, traçou um caminho diferente do esperado pela tradição de sua família italiana. Aproveitou uma matéria-prima até então desperdiçada no negócio do pai, o tutano dos bois abatidos e lançou-se a desenvolver, de forma caseira no início, um preparado para tratamento de cabelos. A pasta de tutano apresentava um cheiro ruim, mas que foi solucionado com a contratação de um químico especializado na confecção de cosméticos. A partir daí, com alguns publicitários amigos foi inaugurada a fábrica de cosméticos OX, contando ainda com um suporte técnico da Universidade Federal de Campinas. Inicialmente seus produtos foram distribuídos em supermercados e lojas especializadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma praça adequada devido ao alto valor agregado de seus cosméticos. Com ingredientes naturais os produtos da Ox, uma linha de mais de 300 produtos diferentes, não alcançaram sucesso imediato. Britto & Wever asseveram que Mariangela “trabalhou cinco anos no vermelho, antes de conseguir ter algum lucro com sua empresa” (2004:104). Contudo, vários fatores vieram a contribuir para que a Ox Cosméticos se firmasse, como o conhecimento de Mariangela em marketing, o momento estratégico em que a Ox surgiu (fim da inflação, que incorporou ao mercado alguns milhões de consumidores, inclusive do sexo masculino e a abertura do mercado brasileiro, que obrigou as empresas nacionais a investir em pesquisa e novidades para enfrentar a concorrência estrangeira), mas acima de tudo as seguintes características empreendedoras de Mariangela, importantes de destacar: garra; determinação; rapidez; objetivismo; direção; espírito empreendedor; e nasceu para comandar. A Ox foi vendida ao grupo pecuarista Bertin, mas Mariangela já planeja a criação de uma nova companhia de cosméticos, junto com pessoas de gabarito no ramo, Adhemar Seródio, ex-presidente da Avon e Washington Oliveira, ex-executivo da Johnson & Johnson. Mariangela Bordon dá o exemplo às mulheres em geral e diz não trocar a vida que leva por nada. CONCLUSÃO Percebemos que os seguintes fatores estratégicos estabelecem o sucesso de qualquer empreendimento: a capacidade de reunir uma equipe, a capacidade de trabalhar em conjunto, a obstinação, o volume de trabalho e, sobretudo, uma compreensão madura sobre o que vem a ser criatividade, mas percebemos também que no cenário brasileiro ainda há um número expressivo de empresas que não conseguem seguir adiante e fecham suas portas antes do primeiro ano de vida. Neste contexto, pode-se concluir que, para ser um bom empreendedor, o indivíduo deve buscar o desenvolvimento das capacidades que foram descritas, e trabalhar sempre, num ciclo de inovações, ganhos e até perdas, pois perspectivas de altos e baixos fazem parte do empreendedorismo na prática. Conseguimos visualizar que as mulheres vêm se destacando na prática empreendedora, aumentando sua participação nessa área e consideramos que o perfil feminino se ajusta ao perfil empreendedor, mas que ainda assim é preciso preparo adequado para a sobrevivência do negócio, como foco no cliente, flexibilidade para se adaptar às mudanças, atenção com os custos e visão global do ambiente de mercado, além da identificação da estratégia adequada para que haja a consolidação, desenvolvimento ou a simples continuação do negócio. Somado ao potencial feminino está o SEBRAE, fomentando, através de inúmeros projetos, o crescimento e a sobrevivência dos empreendimentos a fim de incrementar nossas taxas de atividade empreendedoras (TEA) e de sobrevivência de empresas para que o Brasil se destaque cada vez mais no contexto global neste assunto que merece, cada vez mais, uma atenção especial: o EMPREENDEDORISMO, visto que através dos empreendimentos há geração de empregos e fortalecimento da economia, garantindo o desenvolvimento do Brasil. REFERÊNCIAS ABURDENE, Patricia & NAISBITT, John. Mega tendências para as mulheres. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1994. BERNARDI, Luiz Antonio. Manual de empreendedorismo e gestão: fundamentos, estratégias e dinâmicas. São Paulo: Atlas, 2003. BERNHOEFT, Renato. Como tornar-se empreendedor. São Paulo: Nobel, 1996. BRITTO, Francisco & WEVER, Luiz. Empreendedores Brasileiros II: a experiência e as lições de quem faz acontecer. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. CURY, Antonio. 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