Ensaio para a padronização de conceitos na área de Gestão Humana

Rosana,
Ensaio para a padronização de conceitos na área de Gestão Humana por Rosana Antoniacci Platero dos Santos "A definição, por si só, é uma prisão de idéias."- anônimo RESUMO Gestão de Pessoas, Gestão do Conhecimento, Gestão do Capital Intelectual e Gestão do Capital Humano, o que estes termos têm em comum? Qual a diferença de um para outro? Sem ter a pretensão de contestar os grandes autores e estudiosos da matéria, propõe-se que, através de uma análise conceitual e etimológica de cada termo, faça-se uma série de reflexões de seus significados e que haja uma padronização universal dos conceitos de cada termo. PALAVRAS CHAVE: Gestão de Pessoas, Gestão do Conhecimento e Gestão do Capital Humano. ABSTRACTPeople Management, Knowledge Management, Intellectual Capital Management and Human Capital Management, what do they have in common? What is the difference among them? Without having the pretension to contest the great authors and experts on this matter, it is proposed that, through a conceptual and etymology analysis of each term, a series of reflection on their meanings be discussed and that a universal standardization of the concepts of each term be determined. KEYWORDS: People Management, Knowledge Management and Human Capital Management. 1 – Introdução O presente artigo não tem a intenção de revolucionar ou mesmo contestar conceitos e definições já enraizadas nas disciplinas de gestão, apenas buscou-se estudar a etimologia e analisar os termos para propor uma reflexão de um novo modo de pensar os conceitos atualmente utilizados. Percebemos que a palavra Gestão parece estar na “moda” e com ela seguem-se outros tantos vocábulos, ora conceituando a mesma coisa para termos diferentes, ora dissociando e distorcendo completamente o significado do termo. Gestão de Pessoas, Gestão do Conhecimento, Gestão do Conhecimento Humano, Gestão Humana, Gestão do Capital Intelectual, Gestão do Capital Humano, etc... Esses termos parecem de certa forma, redundantes? O que eles têm em comum? Porque é tão fácil confundir um com o outro? Para facilitar o estudo, propomos agrupar os termos acima segundo suas definições e eliminando as redundâncias. Neste sentido ficaremos com os seguintes termos para análise e estudo: Gestão de Pessoas, Gestão do Conhecimento, Gestão do Capital Intelectual e Gestão do Capital Humano. No entanto, para chegarmos a uma conceituação mais próxima do que seria o ideal, devemos observar o que cada palavra tem a nos dizer e ensinar, e saber exatamente o que ela significa para termos condições e bases teóricas em diferenciar os termos apresentados. Partiremos primeiro ao que significa “Gestão”, para depois entendermos o que é “Conhecimento”, em seguida o que é “Intelectual ou Intelecto” e por fim “Capital”, para então montarmos as definições e propor uma reflexão sobre um novo conceito. 2 – Gestão CUNHA (1986), in Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa , apresenta a seguinte etimologia para GESTÃO: “Gerir: Administrar, dirigir, regular. Do latim gerire, por gerere, (séc. XIX). Digesto: coleção justiniana das decisões dos jurisconsultos romanos. Gerência; Gerenciar; Gerente (1881). Do latim gerens, -entis, particípio de gerere, com possível influência francesa. Gesta (séc. XIII): do francês geste, e este do latim gesta: “façanhas”. Gestão (1858): do latim gestio, -onis. Gestor (1844): do latim gestor, -oris.” Segundo o dicionário da língua portuguesa de BUENO (2000) : “GESTÃO, substantivo feminino, do latim gestio, gestione, ato de gerir, gerência, administração, direção.” Na Biblioteca Universal encontra-se a seguinte explicação para o que significa Gestão: “Metodologia que engloba a técnica, a ciência e a aptidão necessária ao bom funcionamento de uma organização empresarial. Os sistemas de gestão variam consoante o tipo de organização, a empresa e os objetivos a atingir. Conforme a amplitude e natureza do seu objetivo distinguem-se a gestão orçamental, a gestão comercial, a gestão financeira, a gestão de pessoas, etc.” Como sinônimos encontramos as seguintes palavras para Gestão no Dicionário de Sinônimos da Língua Portuguesa de ANDRADE (2001) : administração, direção, gerência, gestão, governo, maneio, manejo, regência. Segundo NOBREGA , “Gestão é um ‘agir’ inspirado por uma maneira particular de mentalizar o mundo. Mesmo organizações sem fins lucrativos e até pessoas, precisam do que chamo de “mentalidade gestão”. Supervisão é passado. As empresas precisam de gente que agregue valor ao que elas fazem, não de capatazes que ‘tomem conta’. Gestão é estratégia, inovação e marketing. É sobre ganhar mais do que se gasta, descobrir maneiras de fazer isso. É entender as motivações íntimas de quem compra de você. Gestão é resultado, não esforço.” 3 – Conhecimento A palavra “Conhecimento” é muito apreciada e estudada no ramo da filosofia. Segundo o Dicionário de Filosofia de ABBAGNANO (2003) , “Conhecimento é uma técnica para a verificação de um objeto qualquer, ou a disponibilidade ou a posse de uma técnica semelhante. Para Platão, Conhecer significa tornar o pensante semelhante ao pensado, estabelecer uma relação de identidade com o objeto em cada caso, ou uma relação que se aproxime o máximo possível da identidade. Já para Aristóteles, o Conhecimento em ato é idêntico ao objeto, se se tratar de Conhecimento sensível; é a própria forma inteligível (ou substância) do objeto, se se tratar de Conhecimento inteligível.” CUNHA (1986), define Conhecer (verbo) como “ter noção, informação, saber (séc. XIV) do latim cognoscere”; e Conhecer (substantivo) como “conhecimento, do latim connocer (séc. XIII)”. Cognição: “aquisição de um conhecimento, percepção (1873). Do latim cognitio, -oni.”. Cógnito: “conhecido, sabido (1572). Do latim cognitus, particípio de cognoscere “conhecer”. Incógnita (feminino): “aquilo que é desconhecido e se procura saber (1813)”. Incógnito (masculino): “desconhecido, secreto (1572)”. Do latim cognitus.” Para GUIMARÃES (1995) Conhecimento, de Cognição, é a ciência que se tem de uma questão, uma matéria, de ato ou fato; onde Cognição é o conjunto de atividades intelectuais. Já no Dicionário da Língua Portuguesa de BUENO (2000), Conhecimento significa “ciência, experiência, informação.” “Conhecimento” é a consciência de algo, familiaridade com alguém ou, ainda, confiança na fiabilidade de um fato ou outra informação. O “Conhecimento” é geralmente definido como uma crença verdadeira justificada, embora se discuta o que valerá como justificação neste caso, já que crença é a aceitação da verdade das proposições, declarações ou fatos. Em filosofia, a crença opõe-se ao conhecimento, porque só dizemos acreditar que algo é assim quando não temos razões para conhecer como é. Então, “Conhecimento” é a relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer. 4 – Intelectual ou Intelecto Na origem da palavra Intelectual, ou Intelecto, CUNHA (1986) apresenta o segundo estudo etimológico: “Intelecto, do latim intellectus, de intelligere, aparecendo pela primeira vez em 1844; Intelectual vem do latim tardio intellectualis no século XIV; Intelectualismo, o século XX, vem do latim científico intellectualismus.” A palavra “Intelectual ou Intelecto” está diretamente relacionada com “Conhecimento”, e para BUENO (2000), Intelecto é um substantivo masculino que significa inteligência, entendimento, e Intelectual é um adjetivo para literário, científico, que diz respeito ao entendimento; uma pessoa dada a estudos literários ou científicos. Já para a filosofia, o contexto de “Intelecto” é um pouco mais complexo, segundo ABBAGNANO (2003) o termo foi constantemente usado pelos filósofos com dois sentidos: o primeiro, genérico, como faculdade de pensar em geral; o segundo, específico, como uma atividade ou técnica particular de pensar. Com esse segundo significado, esse termo é entendido de três maneiras diferentes: a) como Intelecto Intuitivo; b) como Intelecto Operante, e c) como entendimento, inteligência ou intelecção. O significado genérico foi conservado na tradição filosófica até o Romantismo, onde a definição de “faculdade de pensar” era lugar comum no século XVIII. Para Kant (segundo Abbagnano), o Intelecto é a faculdade de pensar o objeto da intuição sensível, ou o poder de conhecer em geral. O reconhecimento do significado genérico de Intelecto pode ocorrer ou não em conjunto com o reconhecimento de um significado específico. Podem ser distinguidas três interpretações fundamentais da função específica do Intelecto: a) intuitiva: onde o intelecto é um hábito racional, constituindo a sabedoria, isto é, a capacidade de julgar. b) operante: onde o intelecto tem a faculdade de imobilizar, isto é, a faculdade de fabricar objetos artificiais, em especial para fazer utensílios. Portanto, é a solução de um problema que levou ao instinto a faculdade de utilizar instrumentos organizados. c) entendimento ou inteligência, onde “entender” significa aprender o significado de um símbolo, a força de um argumento, o valor de ma ação, etc., ou ainda a compreensão de certo tipo de objetos. 5 – Capital BUENO (2000) apresenta as seguintes definições para “Capital” e seus derivados: “Capital: “adjetivo: essencial; fundamental, que se refere à pena de morte; mortal; substantivo feminino: cidade ou povoação principal; substantivo masculino: fundo de dinheiro para uma empresa. Capitalismo: substantivo masculino: influência ou predomínio do capital, do dinheiro; regime em que os meios de produção pertencem a sociedades privadas ou a particulares. Capitalista: sujeito: pessoa que é adepta do capitalismo; pessoa que vive de redás. Capitalização: substantivo feminino: ato de capitalizar; concentração de bens. Capitalizado: adjetivo: acumulado, juntado, concentrado. Capitalizar: verbo intransitivo: acumular, ajuntar, concentrar dinheiro. Capitalizável: adjetivo: que se pode capitalizar.” Para GUIMARÃES (1995): “Capital – Diz-se de um dos fatores de produção. No comércio, é a quota com que cada sócio entra na constituição da sociedade, ou o comerciante ou o industrial inicia e garante suas operações. É o excesso do ativo sobre o passivo. Nos balanços apresenta-se como valor na exigível. Capitalismo – Sistema econômico e social que se baseia na influência ou predominância do capital, em que os meios de produção constituem propriedade privada e pertencem aos capitalistas. Capitalista – Aquele que utiliza capital próprio para a produção de riqueza. Capitalização – Ato ou feito de capitalizar; converter em capita; acumular riquezas para obter um capital. Capitalizar – Formar ou aumentar um capital. Adicionar os lucros do capital, para auferir lucros do conjunto.” No estudo etimológico da palavra “Capital”, CUNHA (1986) nos ensina o seguinte: “Capital: Adjetivo. Substantivo masculino: relativo à cabeça, principal, essencial, bens, riqueza. Substantivo feminino: cidade que aloja a alta administração de um país. Do latim Capitalis, aparecendo pela primeira vez no Brasil em 1813.; Capitalização: imposto que se paga por cabeça (século XVI), do latim capitatio; Capitalismo: provavelmente do francês capitalisme (1899); Capitalista: provavelmente do francês capitaliste (1913); Capitalização: do francês capitalisation (1844); Capitalizar: do francês capitaliser (1844).” Neste estudo etimológico, CUNHA (1986) apresentou uma outra palavra: CABEDAL, que é a forma normal evolutiva do mesmo latim Capitalis, porém, CUNHA nos ensina que o vocábulo “Cabedal” tem as mesmas acepções de “Capital”, onde, sendo um adjetivo, significa “principal” e, como substantivo masculino, significa “bens, fortuna”, mas é empregado em contextos diferenciados, em frases como, por exemplo, “fulano tem um bom cabedal de conhecimentos”, entre outras. Talvez neste ponto resida o grande paradoxo da maioria dos autores quando utilizam o temo “Gestão do Capital Humano”, que explicaremos mais adiante. 6 – Gestão de Pessoas Dentro das definições apresentadas para os termos “Gestão” e considerando o óbvio, concluímos que “Gestão de Pessoas” é o conjunto de políticas e práticas definidas de uma organização para orientar o comportamento humano e as relações interpessoais no ambiente de trabalho.” A Gestão de Pessoas baseia-se no fato de que o desempenho de uma Organização depende fortemente da contribuição das pessoas que a compõem e da forma como elas estão organizadas, são estimuladas e capacitadas, e como são mantidas num ambiente de trabalho e num clima organizacional adequados. 7 – Gestão do Conhecimento O conhecimento passou a ser o diferencial entre as corporações O conhecimento está nas pessoas. As pessoas expressam seus conhecimentos através da habilidade e da atitude de suas competências. Segundo Karl Sveiby , a Gestão do Conhecimento é a arte de criar valor a partir dos ativos intangíveis da organização. Já para o Gartner Group, ela é "uma disciplina que promove, com visão integrada, o gerenciamento e o compartilhamento de todo o ativo de informação possuído pela empresa. Esta informação pode estar em um banco de dados, documentos, procedimentos, bem como em pessoas, através de suas experiências e habilidades". Dados e informações podem ser armazenados, manipulados e processados pelos computadores. Com o conhecimento isto não acontece. O conhecimento é algo pessoal, vivenciado por alguém. Não pode ser armazenado nem processado por computadores. Só pelas pessoas. O Conhecimento Humano refere-se tanto à capacidade, habilidade e experiência quanto ao conhecimento formal que as pessoas detêm e que agregam valor a uma organização e é usado pelas pessoas para se tomar uma decisão ou praticar uma ação. O conhecimento humano não é, entretanto, propriedade das empresas. Dentro das definições apresentadas, podemos afirmar que “Gestão do Conhecimento” é um conjunto integrado de ações que visa a identificar, capturar, gerenciar e compartilhar todo o ativo de informações de uma organização. Estas informações podem estar sob a forma de banco de dados, documentos impressos, etc, bem como em pessoas, através de suas experiências e habilidades. Uma importante função da Gestão do Conhecimento é explicitar, registrar e disseminar por toda a organização maneiras de fazer que estejam restritas a indivíduos, propiciando a geração de novos conhecimentos. Uma questão prática na Gestão do Conhecimento nas empresas está em como transformar informação em conhecimento, e considerando-se que o conhecimento tácito também inclui dados que muitas vezes nem são percebidos pelos indivíduos. Na prática, a Gestão do Conhecimento inclui a identificação e o mapeamento dos ativos intelectuais ligados à organização, a geração de novos conhecimentos para oferecer vantagens na competição pelo mercado e tornar acessível grandes quantidades de informações corporativas, compartilhando as melhores práticas e a tecnologia que torna possível isso tudo, as denominadas ferramentas para gestão do conhecimento. "Mostrar a importância e o retorno financeiro que a GC traz para a empresa leva tempo, principalmente para o board", salienta GUTIERREZ JR. . Mas o fato é que o retorno para a empresa acaba sendo maior que o esperado e envolve clientes internos e externos, fabricantes e fornecedores. Confira os principais fatores de retorno: - Pessoal mais qualificado - Melhoria de qualidade e eficácia dos processos - Treinamentos melhor dirigidos e mais eficientes - Aumento da produtividade - Reconhecimento dos clientes 8 – Gestão do Capital Intelectual A Gestão do Conhecimento se confunde bastante com a Gestão do Capital Intelectual. Vale lembrar que Gestão do Conhecimento é a maneira ou a forma de disponibilizar o expertise das pessoas para toda a organização, enquanto Gestão do Capital Intelectual, como apresentado na definição da palavra “Capital”, é mensurar em valores (dinheiro), o quanto vale esse “conhecimento”, sendo chamado de “ativo intangível” que pertence ao próprio indivíduo, mas que pode ser utilizado pela empresa para criar valor. Partindo da premissa de que o objetivo maior da empresa e de seus administradores consiste na maximização do capital nela investido, observa-se que os administradores devem se preocupar com a geração de riqueza dentro da empresa, buscando continuamente incrementar e otimizar a criação de valor pela organização e também mensurá-la. Verifica-se que é de grande importância a mensuração dos ativos intangíveis, agrupados e estruturados sob o conceito de Capital Intelectual, no processo de criação de valor dentro das empresas, assim como as decisões e atitudes dos gestores acerca destes elementos que constituem o Capital Intelectual da organização. 9 – Gestão do Capital Humano Quando CUNHA (1986) nos apresenta o termo “Cabedal” , com o mesmo sentido de “Capital”, significando “bens, fortuna”, ele nos traz um exemplo clássico, onde a palavra “cabedal” é empregada no sentido de “abundância”, principalmente, no caso, de “conhecimento”. Talvez seja por essa razão que muitos autores têm utilizado o termo “Gestão do Capital Humano” no mesmo sentido de “Gestão do Conhecimento Humano” ou ainda, no sentido de “Gestão do Capital Intelectual”. Percebe-se claramente que, após estudar o significado e etimologia de cada palavra envolvida, há uma nítida distorção dos termos. Após análise e vários estudos dos termos “Gestão do Capital Humano” e “Gestão do Capital Intelectual”, conclui-se que, para designar e mensurar o valor dos ativos intangíveis de uma organização, o melhor termo a ser adotado é “Gestão do Capital Intelectual”, já que “Gestão do Conhecimento”, como vimos anteriormente, é apenas o processo de agrupamento e disseminação de expertises. Já para “Gestão do Capital Humano”, não seria lógico, após apresentados os conceitos, utilizarmos a mesma definição de “Gestão do Capital Intelectual”. As pessoas não são “patrimoniáveis”. Na verdade, elas não pertencem ao “patrimônio” das organizações desde, pelo menos, o fim da escravidão. Por “Capital”, conforme exaustivamente conceituado anteriormente, entende-se por algo relativo a valor, dinheiro, bem, patrimônio, riqueza, lucro. Marcelo Gerbassi segue essa mesma linha de raciocínio quando afirma que Capital Humano está diretamente relacionado à fonte de renda, portanto, seria o valor pecuniário de uma pessoa, o quanto ela acumula em reservas financeiras. GERBASSI explica o que vem a ser Capital Humano no seguinte trecho de seu artigo : “[...] Para indivíduos que trabalham e acumulam reserva para aposentadoria complementar, a riqueza pessoal é composta não só por ativos financeiros, mas também por uma valiosa parcela que não pode ser negociada, conhecida como capital humano e que representa uma estimativa do valor presente de sua renda, salário e/ou bônus, resultado do seu trabalho ao longo de sua vida. De uma forma geral, investidores mais jovens possuem maior capital humano que financeiro, pois ainda não acumularam muitos recursos e têm mais tempo pela frente para gerar riqueza por meio do trabalho. O resultado inverso pode ser considerado para um investidor em idade mais avançada, que já passou a maior parte de sua vida profissional acumulando uma reserva de aposentadoria e tem menos tempo disponível para trabalhar. Este conceito guarda similaridades com a idéia de que quanto maior for o horizonte de tempo, maior o risco que o investidor pode incorrer em busca de uma performance melhor, já que dispõe de mais tempo para recuperar o investimento das eventuais oscilações do mercado financeiro. [...]” Para GUTIERRES JR., o conceito de Capital Humano é bem diferente de Recurso Humano, como pode se ver no quadro a seguir: Capital Humano Recurso Humano Pessoas significam Capital: a empresa ganha ou perde valor, dependendo de como e quanto se investe nelas. Pessoas significam Recursos, para serem alocados quando e onde necessário. Perder pessoas significa perder capital e competitividade. Pessoas são descartáveis. Mande embora hoje e contrate amanhã. O termo “Gestão do Capital Humano” foi criado e adotado pela empresa de consultoria Arthur Andersen Consulting. A Arthur Andersen serviu-se do universo de 10 mil empresas americanas com ações em bolsa, aplicando sobre elas mais de 450 variáveis. Todas com série histórica superior a 20 anos. A descoberta foi que de 1978 a 1998 os ativos físicos declinaram de 95% para 28% do valor de mercado das empresas estudadas. Os ativos intangíveis, na mesma medida, saltaram de 5% para 82%. São ativos intangíveis: pessoal, clientela, fornecedores, logística, marca, participação de mercado, fluxo de caixa descontado, transparência contábil, responsabilidade social e modelo de organização. A Andersen precisava então de uma fórmula, onde pudesse quantificar esse “valor”, em termos monetários do capital intangível de uma organização. A partir desse contexto, foi adotado pela Andersen um modelo conceitual de gestão de pessoas utilizado internacionalmente para avaliar o “valor” e as práticas de gerenciamento de pessoas nas empresas: o Human Capital Appraisal TM., onde é colocado em lugar de destaque os trabalhadores, ou melhor, o engenho humano, traduzido por capital humano. Este modelo parte do pressuposto que a gestão de pessoal de uma empresa é composta por um conjunto de políticas e processos, os quais precisam ser gerenciados de maneira integrada e alinhada com a estratégia da empresa. Em nenhum momento a Andersen se referiu ao Human Capital Appraisal TM, em termos de gestão de pessoas ou gestão do conhecimento. A própria Andersen atribui o caráter “monetário” ao termo que ela própria criou. Por isso, é incoerente utilizarmos o termo “Capital Humano” para gestão de pessoal uma vez que, como o próprio nome diz, Capital é Dinheiro! Portanto, “Gestão do Capital Humano”, em alinhamento com os conceitos apresentados, é a administração do valor financeiro do indivíduo, isto é, sua capacidade em gerar riqueza em um determinado espaço de tempo. 10 – Conclusão Uma vez que gestão é o ato de gerir / administrar, o conceito de gestão de pessoas não poderia ser outro senão administrar as pessoas, isto é, dar direção, acompanhar, delegar, instruir as pessoas que fazem parte de uma organização. Já a Gestão do Conhecimento inclui a identificação e o mapeamento dos ativos intelectuais ligados à organização, a geração de novos conhecimentos para oferecer vantagens na competição pelo mercado e tornar acessível grandes quantidades de informações corporativas, compartilhando as melhores práticas e tecnologia, as denominadas ferramentas para gestão do conhecimento. Enquanto que, Gestão do Capital Intelectual, como apresentado na definição da palavra “Capital”, é mensurar em valores (dinheiro), o quanto vale esse “conhecimento”, sendo chamado de “ativo intangível” que pertence ao próprio indivíduo, mas que pode ser utilizado pela empresa para criar valor. A partir desses conceitos, concluímos então que o termo “Capital Humano” é a capacidade que o indivíduo possue em gerar e acumular riqueza num deteminado tempo, portanto, “Gestão do Capital Humano” é o ato de gerir a riqueza de um indivíduo. Percebeu-se que muitos autores usam inadequadamente o termo “Gestão do Capital Humano” para designar “Gestão do Capital Intelectual”, que significa o ato de gerir e mensurar o valor do ativo intangível da organização. O que se propõe neste artigo é que se faça uma séria reflexão dos pontos aqui apresentados no sentido de questionar a propagação de termos com significação contraditória e que haja, entre os autores e estudiosos da matéria em questão, um padrão conceitual aceitável e universal. 11 – Referências Bibliográficas ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 4ª. edição, Ed.Martins Fontes, São Paulo, 2003. ANDRADE, Belisário H. C. L. Dicionário de Sinônimos da Língua Portuguesa. Ed. Elfez, [S.L.], 2001. BUENO, Francisco da Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa. Ed. FTDA. São Paulo, 2000. CUNHA, Antonio Geraldo da. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 2ª edição. Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 2001. GUIMARÃES, Deocleciano Torrieri. Dicionário Técnico Jurídico. Ed. Rideel, São Paulo, 1995. GUTIERREZ JR., Renato. Fórum Tendências e Desafios para o RH em 2003, realizado nos dias 09 e 10 de dezembro em São Paulo, 2002. MATHEUS, Leandro de Freitas. Artigo do Jornal Valor Econômico, caderno Eu & Investimento, de 24 de agosto de 2006. NOBREGA, Clemente. Entrevista Publicada na Revista VendaMais – edição 125 – Setembro/2004. http://portal.crie.coppe.ufrj.br/portal/main.asp?ViewID={32E72BC9-F838-4577-AF25-A5803179DF22} http://www.universal.pt/scripts/site/login.exe/Pesq?P=5&PAL=ester&Pesquisa.x=11&Pesquisa.y=9 acessado em 28/08/2006.
Avalie este artigo:
(0)

Curta o Administradores.com no Facebook
Acompanhe o Administradores no Twitter
Receba Grátis a Newsletter do Administradores

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.