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Gestão da qualidade sistema de certificação (normas)

Rafael de Carvalho,
Breve Histórico sobre a ISO 9000

 

 

O SGQ (Sistema de Garantia da Qualidade) teve seu inicio devido à era da gestão da qualidade, clientes queriam confirmações de quê os fornecedores estavam atendendo as especificações, assim seria possível realizar a seleção mais apropriada de quem iria fornecer matéria prima para as empresas.

 

Com o passar do tempo, diversas normas foram sendo criadas ao redor do mundo, nos EUA os fornecedores do Departamento de Defesa deveriam registrar seus SGQs de acordo com as normas MIL-Q9858A e MIL-145208ª. Já o Reino Unido criou em 1979 a norma BS-5750 também para SGQ, além de outras tantas para setores mais específicos como NQA-1 – QUality Assourance for Nuclear Power Plants; a GMP – Good Manufacturing Pratices – no setor de produtos médicos, remédios e alimentos; a (API)Q1 na Association for Petroleum Industry´s; a CSA Z299 – canadense; e as AQAP1 e 13 – Allied Quality Assourance Publications – da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte.

 

Buscando evitar a grande proliferação das normas, a ISO (International Organization for Standartization) criou um comitê com o objetivo de avaliar as normas já criadas e em 1987 lançam as normas para Sistema de Qualidade ISO Série 9000, sendo divida em 5 normas; ISO 9000:1987; ISO 9001:1987; ISO 9002:1987; ISO 9003:1987; ISO 9004:1987., as normas tiveram em sua essência grande parte dos elementos da BS-5750:1979 do Reino Unido. Ainda em 1987, à Comunidade Européia passa a utilizar a ISO Série 9000 chamando-a de Série EN-29000.

 

Em 1994 o comitê criado pela ISO realiza a primeira revisão das normas agregando além de Série 9000, a Série 10000 que trata de auditoria e a ISO 8402 sobre terminologia, mantiveram boa parte das séries anteriores alterando-se apenas o que tinha um maior índice de dúvidas e os que apresentavam mais de uma interpretação.

 

No ano de 2000 foi publicada a segunda revisão das normas, tendo nesta atualização o ampliamento dos setores de atuação apensar de manter muito de suas versões anteriores, com o aumento do campo de atuação suas características estavam se diferenciando. Na versão 2000 as normas se tornaram mais simples fazendo com que algumas das versões anteriores fossem consideradas ultrapassadas, é o caso das normas ISO 9001:1994, ISO 9002:1994, ISO 9003:1994, ISO 9004:1994 e suas partes 1,2,3,4, ISO 9000:1994 e suas partes 1,2,3,4 e a norma de terminologia ISO 8402. Para realizar as substituições foram criadas as seguintes normas:

 

è NBR ISO 9000:2000 -> SGQ: Fundamentos e Vocabulário;

 

è NBR ISO 9001:2000 -> SGQ: Requisitos;

 

è NBR ISO 9004:2000 -> SGQ: Diretrizes para Melhoria de Desempenho.

 

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No Brasil, a entidade responsável por representar a ISO é o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia), é através dele que empresas certificadoras são reconhecidas e habilitadas para realizar a certificação das organizações que desejem alcançar o “status” de “Empresa com o selo ISO 9000 ou outros”, existe também o órgão responsável pelas normas, que no caso do Brasil o comitê técnico responsável pela NBR-ISO 9000 é o CB25, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT).

 

A certificação ISSO 9000 pode ser concedida a qualquer tipo de empresa, seja ela de serviços, produtos, governamentais, etc. O que deve ser lembrado é que a norma não garante uma qualidade extra ao produto final ou na prestação de serviço, ela apenas garante que as características dos serviços prestados pela organização será sempre a mesma, ou seja, as normas da série ISO estão relacionadas ao sistema de gestão da qualidade e não às especificações dos produtos. O que a ISO busca é que a empresa tenha sua documentação disponível de forma acessível, rápida e de fácil entendimento para todos, que os meios de se realizar o trabalho estejam de acordo com as necessidades para que possam atender aos requisitos das normas, um exemplo é manter os equipamentos limpos e em bom estado de funcionamento. Então a certificação ISO não garante que o produto ou serviço de determinada empresa seja de melhor qualidade, e sim que aquele produto ou serviço seja desenvolvido de forma padronizada. Porem um dos aspectos mais importantes para a certificação e manutenção do selo ISO é a auditoria interna, as empresas precisam estar em constantes auditorias, realizadas internamente para identificação de possíveis falhas e tomar as atitudes necessárias para correção das mesmas, e até mesmo prevenindo futuros defeitos. Desta forma evita-se que as pessoas se percam em suas tarefas. Assim é possível manter toda documentação e o comprometimento de todos com a qualidade.

 

A aplicação das normas ISO pode ser utilizada quando se é exigido que uma empresa fornecedora aplique a gestão da qualidade atendendo alguns princípios como: regulamentos do governo brasileiro; normas internacionais; normas nacionais; normas da empresa. O cumprimento das especificações dos produtos vai depender ainda de outros fatores que são importantes estarem padronizados e bem gerenciados como: projeto; desenvolvimento; planejamento; pós-produção; instalação; assistência técnica e marketing. Os requisitos especificados nos sistemas da qualidade propostos pelas normas ISO são complementares aos requisitos técnicos especificados para os produtos e serviços.

 

As empresas que conseguem o certificado ISO possuem algumas vantagens que podem dar a elas certo diferencial competitivo, algumas das vantagens destas empresas são:

 

ü Redução de Riscos;

 

ü Solidez;

 

ü Boa reputação;

 

ü Menor perca de mercado;

 

ü Responsabilidade civil;

 

ü Baixa taxa de queixas e reclamações;

 

ü Relações comerciais facilitadas;

 

ü Redução de perdas de produção

 

ü Menos reprocessamento, reparo e trabalho;

 

ü Menor número de reposições;

 

Além das empresas os clientes também ganham quando a empresa possui o certificado:

 

ü Segurança da fonte proveniente;

 

ü Evita danos a saúde;

 

ü Grande satisfação com o produto ou serviço;

 

ü Meio-ambiente;

 

ü Evita poluição;

 

ü Redução de custos.

 

Alguns benefícios para sociedade são:

 

ü Menor consumo de energia;

 

ü Menor desperdício;

 

ü Benefícios gerais.

 

 

Antes da empresa decidir por qual entidade certificadora ela será analisada alguns pontos devem ser bem analisados, a começar pelo motivo pelo qual a empresa deseja a certificação, umas das principais razões para querer se implementar as normas é o aumento da eficiência e eficácia dos processos da empresa. Após esta análise é preciso então decidir qual o organismo certificador, lembrando que as decisões sobre a certificação podem ser tomadas por diversas razões entre elas as comerciais, como: obrigação contratual, para atender as preferências dos clientes, entre outras.

 

Um ponto importante na escolha do órgão certificador é saber se ele é certificado e por quem, pois somente assim a empresa terá certeza de que seus processos estarão em conformidade com as exigências das normas, um órgão certificado é aquele que foi aprovado oficialmente como competente para realizar a certificação em setores específicos.

 

Em diversos países as certificações destes órgãos não é obrigatória, ou seja, o fato de um órgão certificador não ser ele mesmo certificado já deixa a entender que não é uma organização respeitável, por isso muitos destes órgãos mesmo não sendo obrigatórios buscam a certificação, dando assim mais segurança aos seus clientes.

 

A certificação tem uma validade de 3 anos, e ao passar esse tempo as avaliações para manutenção da certificação passa a ser semestral ou anual, dependendo do contrato entre a empresa certificadora e a certificada.

 

Para a implantação do Sistema de Gestão da Qualidade e obtenção da certificação, a empresa pode utilizar mão-de-obra própria, ou seja, seus próprios funcionários, ou a uma consultoria externa e também utilizar as duas opções. O sistema de Gestão da qualidade deve ser elaborado por um Manual da Qualidade, que obviamente deve atender às exigências da norma ISO 9000.

 

É imprescindível a interpretação da norma, verificando a existência do que já é praticado, descrever os procedimentos e providenciar documentos para regulamentação.

 

Depois precisa contratar uma companhia certificadora que realizará uma auditoria a fim de verificar se a empresa atende aos requisitos da Norma. Esta companhia certificadora é uma entidade independente e autorizada para realizar as auditorias

 

 

ISO 14000 – Sistema de Gestão Ambiental

 

 

Além da norma ISO 9000 que trata da gestão da qualidade, existe também a ISO 14000 que é a norma através da qual, as empresas ou interessados se consideram em conformidade e buscarão certificação junto a terceiros. A norma descreve os requisitos de um Sistema de Gestão Ambiental.

 

Para sua aplicação é necessário analisar alguns pontos, como o processo de verificação documentado para obter e avaliar as evidências, a fim de determinar se o Sistema de Gestão Ambiental de uma organização está em conformidade com os critérios de auditoria formados pela própria organização, além de analisar também o desempenho ambiental que se refere a resultados mensuráveis do Sistema de Gestão Ambiental, relacionados com o controle dos aspectos ambientais de uma organização baseados em suas políticas, objetivos e alvos ambientais.

 

Existem alguns requisitos básicos para a implementação da norma ISO 14000, são eles:

 

Compromisso e política: Fase em que a organização define uma política ambiental e assegura seu comprometimento com ela.

 

Planejamento: Fase em que a organização formula um plano que satisfaça às políticas

 

Implementação: Fase em que a organização coloca um plano em ação, fornecendo os recursos e mecanismos de apoio.

 

Medição e avaliação: Fase em que a organização mede, monitora e avalia seu desempenho ambiental contra objetivos e alvos.

 

Análise crítica e melhoria: Fase em que a organização realiza uma análise crítica e implementa continuamente melhorias em seu SGA (Sistema de Gestão Ambiental) para alcançar melhorias no desempenho ambiental total.

 

 

ISO 9000 e ISO 14000

 

 

Com o passar do tempo, as organizações foram forçadas a absorver grandes transformações ocorridas na sociedade. De situações de total irresponsabilidade com o uso de recursos naturais nos processos produtivos, de despreocupação com o desperdício de matéria-prima, de falta de qualidade nos processos e produtos, de descaso com os efeitos da poluição, entre outros, vivem hoje situações de intenso controle da sua poluição, reformulação de processos produtivos ineficientes, de busca intensa de qualidade nos produtos e processos, etc.

 

De inicio, a busca pela qualidade tornou-se fundamental para se manter no mercado e também serviu como uma estratégia empresarial. As empresas adotaram programas de qualidade, aperfeiçoaram a produtividade, reduziram os custos, etc. Porém, na evolução do conceito de qualidade, constatou-se ser impossível falar em Qualidade sem falar em Gestão Ambiental.

 

Por este motivo as normas ISO 9000 e ISO 14000 estão muito relacionadas, assumida a similaridade operacional entre os dois conjuntos de normas, aproveita-se a “base instalada” de sistemas de qualidade.

 

Algumas vezes é possível atender aos requisitos das normas da série ISO 14000 apenas por meio de adaptação pertinentes do sistema de gestão da série ISO 9000. Lembrando que essa similaridade é intencional. As normas da série ISO 14000 foram desenvolvidas sob a visibilidade das normas da qualidade acrescidas de melhorias genéricas e de características especificas em função do tema em questão.

 

As normas ISO 9000 e ISO 14000, sozinhas, não satisfazem todas as necessidades das organizações que procuram se mover efetivamente em direção ao desenvolvimento sustentável. Elas no máximo, tentam trazer para o centro do processo de tomada de decisão da empresa apenas as questões relacionadas com a sustentabilidade econômica e ecológica. A sustentabilidade social não recebe muitas menções nos documentos das normas, para estes casos existem normas específicas que tratam mais diretamente tanto os aspectos de responsabilidade social como também os de saúde e segurança ocupacional, são elas: ISO 1800: Sistema de Gestão de Segurança e Higiene Ocupacional; OHSAS 18001: Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional; SA 8000: Sistema de Responsabilidade Social; BS 8800: Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional;

 

As normas ISO 18000, OHSAS 18001 e BS 8800 tratam da segurança e saúde ocupacional, tanto a ISO 18000 quanto a OHSAS 18001 tiveram sua base retirada da BS 8800, elas são normas utilizadas para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais visando o bem estar dos colaboradores em busca de uma maior produtividade. Já a norma SA 8000 aborda o tema responsabilidade social, que atende uma necessidade de clientes que se preocupam não apenas com a qualidade dos produtos, mais também com a forma que eles são produzidos, com a implantação da norma AS 8000, a empresa demonstra sua preocupação em relação aos funcionários, porém é preciso que antes que ela demonstre ao público externo esta preocupação, ela deve garantir que os princípios da responsabilidade social estão sendo adotados por todos os funcionários, por este motivo foi criado o termo Marketing Social.

 

Todas as normas citadas até agora, ISO 9000, ISO 14000, ISO 18000, BS 8800, OHSAS 18000 e SA 8000 buscam a padronização e a melhoria dos processos de trabalho assim como a relação entre empresas e funcionários, é através destas certificações que uma organização consegue o reconhecimento entre seus clientes e o respeito de seus concorrentes. Para realização destas certificações, mais do que o empenho dos empregados é preciso acima de tudo comprometimento dos gestores, principalmente da alta administração, por isso antes de realizar algum projeto para conseguir um reconhecimento deste nível é necessário que toda organização esteja empenhada a seguir o mesmo objetivo, alcançar as mesmas metas, facilitando assim o processo de implantação de um dos sistemas citados.

 


Referências:

 

CERQUEIRA, Jorge Pedreira de. Sistemas de Gestão Integrados: ISO 9001, NBR

 

16001, OHSAS 18001, SA 8000: Conceitos e Aplicações. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006.

 

 

 

MOURA, Luiz A. Rolim de. O que é ISO 14000. Disponível em <http://www.gestaoambiental.com.br/articles.php?id=10> Acesso em 23 de fev. de 2010.

 

 

 

Normas Internacionais de Negócios, Governo e Sociedade. Escolhendo um organismo de certificação. Disponível em: <http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&u=http://www.iso.org/iso/iso_catalogue/management_standards/certification/choosing_a_certification_body.htm > Acesso em: 18 de fev. de 2010.

 

 

 

OLIVEIRA Marcos Antônio Lima de. SA 8000 – O modelo ISO 9000 aplicado à responsabilidade social. Disponível em:

 

<http://www.responsabilidadesocial.com/article/article_view.php?id=109> Acesso em: 11 de fev. de 2010.

 

 

 

Reino Unido - BS 8800 BSI. Disponível em: <http://www.institutoatkwhh.org.br/compendio/?q=node/121> Acesso em 11 de fev. de 2010.

 

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Tags: BS Gestão da qualidade Gestão do Meio Ambiente ISO OHSAS SA

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