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Importância dos administradores no planejamento estratégico

Quando se fala em evolução da administração, está se falando nos executivos destas instituições, que a exemplo das demais empresas, devem estar cada vez mais envolvendo administradores da organização com um todo no processo de planejamento

Miguelangelo Gianezini,
As ações e co-relações entre as áreas da administração são necessárias em função das aceleradas mudanças no mundo de hoje, onde empresas estão sendo submetidas a novos desafios, exigidas a repensar sua forma de atuação, diante de um mercado altamente competitivo e moderno (Gianezini, 2008).
E quando se fala em evolução da administração, está se falando nos executivos destas instituições, que a exemplo das demais empresas, devem estar cada vez mais envolvendo administradores da organização com um todo no processo de planejamento.

Os problemas e o ambiente que se modifica rapidamente nos anos 80 e 90 forçaram os executivos a olhar para todos os níveis das organizações em busca de idéias e inovações para tornar as empresas competitivas. Embora o CEO continue a fornecer a “visão” da organização, os administradores táticos e operacionais fornecem insumos valiosos ao plano estratégico da empresa. Em alguns casos, esses administradores também têm autonomia suficiente para formular ou modificar seus próprios planos. Isso aumenta a flexibilidade e o nível de responsabilidade, requisitos críticos de uma organização moderna. Por causa desta tendência, surgiu um novo termo para o processo de planejamento estratégico: administração estratégica (AE). Ela envolve administradores de toda a organização na formulação e implementação de objetivos estratégicos e de estratégias. A AE integra o planejamento estratégico e a administração em um processo único. O planejamento estratégico torna-se uma atividade contínua nas qual todos os administradores são encorajados a pensar estrategicamente e a focalizar tanto questões externas quanto questões táticas e operacionais a curto prazo” (Oliveira, 2003).
Assim, de maneira geral, entende-se o planejamento como a preparação que uma organização adota para encarar situações vindouras, a fim de evitar-se o improviso, definindo-se metas e ações alternativas.
O planejamento estratégico por sua vez, é voltado para a análise do ambiente externo, e não somente, na organização. Apresenta-se como uma forma de reduzir riscos futuros, avaliar possíveis impactos que determinadas situações teriam nas organizações e norteando a tomada de decisões no presente. E para abordar este planejamento estratégico, recorre-se a autores brasileiros e estrangeiros que são referencias da área.
Na descrição do economista russo Harry Igor Ansoff, “Em meados da década de 50, muitas empresas americanas defrontaram-se com sintomas perturbadores que não podiam ser remediados prontamente pelas técnicas administrativas disponíveis, e que não tinham precedente em experiências recentes. (...) Muitas empresas pioneiras e numerosas empresas de consultoria, trabalhando independentemente, convergiram seus esforços para a elaboração de um novo método, lá pelos fins dos anos cinqüenta. O resultado disso, conseguido com tentativas e erros e de trocas de experiências, tornou-se conhecido como administração estratégica”(Ansoff et al, 1990).
Um dos principais referenciais da área, Phillip Kottler (1998) define Planejamento Estratégico como “uma metodologia gerencial que permite estabelecer a direção a ser seguida pela Organização, visando maior grau de interação com o ambiente”. Segundo o autor, a direção engloba os seguintes itens: âmbito de atuação, macropolíticas, políticas funcionais, filosofia de atuação, macroestratégia, estratégias funcionais, macroobjetivos, objetivos funcionais (Vasconcellos Filho, 1979).
Outro tradicional autor brasileiro, Djalma Oliveira (1998, p.46) complementa: "o planejamento estratégico e um processo gerencial que possibilita ao executivo estabelecer o rumo a ser seguido pela empresa, com vistas a obter um nível de otimização na relação da empresa com o ambiente".
Já com relação as características do planejamento estratégico Ackoff apud Barbalho e Beraquet (1995) apresenta as seguintes: “enfocar, a partir do relacionamento da organização, a missão em concordância com o meio no qual está inserida; estabelecer decisões e implicações a longo prazo; necessitar do envolvimento de todos os dirigentes da organização; ter impacto sobre toda a organização; preocupar-se com a definição dos fins organizacionais, bem como os meios para atingi-los.
Oliveira (1997) ainda descreve as etapas do planejamento estratégico em quatro fases, onde cada uma possui subdivisões específicas: diagnóstico estratégico, missão da empresa, instrumentos prescritivos e quantitativos, e controle e avaliação.
Por conseguinte, outro autor de referência Maximiano (2000, p.204), esclarece que na etapa inicial do planejamento é necessário definir a situação estratégica da organização. Este diagnóstico atual deve focalizar cinco elementos: objetivos e metas, clientes e mercados, produtos e serviços, vantagens competitivas e desempenho. A definição deste conjunto de elementos permite uma visão da posição atual da organização (Gianezini, 2011).
Trata-se de importante etapa de trabalho do administrador no planejamento estratégico: a análise do ambiente, estratégia esta que procura definir o contexto em que a organização está inserida, adequando a organização ao meio. Devem ser definidos os obstáculos e as oportunidades, que servem como forças ambientais que podem favorecer a própria empresa (Oliveira, 1997; Maximiano, 2000).
Com relação aos resultantes do planejamento estratégico e às consequências produzidas pelo mesmo, Ansoff (1990) explica: “Por si, o planejamento estratégico não produz ações, nem mudanças visíveis na empresa. Para efetuar as mudanças a empresa necessita de aptidões adequadas: administradores treinados e motivados, informação estratégica, sistemas e estruturas fluidas e com tendência a serem compreensivos”.
Desta forma, o planejamento estratégico, mais que um documento estático, “deve ser visto como um instrumento dinâmico de gestão, que contém decisões antecipadas sobre a linha de atuação a ser seguida pela organização no cumprimento de sua missão” (Alday, 2000).

Portanto – para destacar o papel dos administradores no contexto do planejamento estratégico – vale recordar de conceitos contemporâneos da administração, que vêm sendo aplicados a alguns anos em grandes empresas do ramo e que passam não só a ser aceitos, como também aplicados a realidades peculiares (organizacionais e regionais), como é o caso dos critérios de eficácia e eficiência.
Peter Drucker (2002) propôs o julgamento do desempenho de um administrador através dos critérios gêmeos de eficácia – capacidade de fazer as coisas “certas” – e eficiência – a capacidade de fazer as coisas do modo “certo”.

Em países com os Estados Unidos, as empresas possuem há muitos anos, um modelo de gestão profissionalizado e uma sólida articulação com as empresas, sendo inclusive respeitosamente ouvidas e desenvolvendo relevantes estudos sincronizados com as necessidades da indústria, comércio e serviços. “Os autores da Harvard Business Review sustentavam que, para ser realmente bem sucedida, uma empresa precisa se concentrar em oferecer pelo menos um dos três tipos de valor: o melhor preço, o melhor produto ou a melhor solução” (Burlingham, 2006).

Por fim, após esta breve exposição, ficam as sugestões para que os administradores pesquisem e conheçam um pouco mais acerca do planejamento estratégico e do importante papel que podem desempenhar neste campo.

Para citar este artigo:
GIANEZINI, M. Importância dos administradores no planejamento estratégico. Portal administradores.com, 13 de dezembro, 2011. Disponível em: http://www.administradores.com.br/home/admmig/artigos/60467/. Acesso em: ...
REFERÊNCIAS

ALDAY, H. E. C. O planejamento estratégico dentro do conceito de administração estratégica.
Rev. FAE, Curitiba, v.3, n.2, p.9-16, maio/ago. 2000.
ANSOFF, H. I. Administração estratégica. São Paulo: Atlas, 1990. 214p.
ANSOFF, H. I. Administração estratégica. São Paulo: Atlas, 1990. 214p.
BARBALHO, C. R. S.; BERAQUET, V. S. M. Planejamento estratégico para unidades de informação. São Paulo: Polis, 1995. 69p.
BURLINGHAM, B. Pequenos Gigantes. São Paulo: Globo, 2006.
DRUCKER, P. F. O melhor de Peter Drucker: obra completa. São Paulo: Nobel, 2002.
GIANEZINI, M. Recursos Humanos na IES. Rio de Janeiro: Corifeu, 2008.
___________. Armazenagem e comercialização de grãos: estágio em uma empresa na Amazônia Legal. Trabalho Final de Curso de Graduação em Administração – Universidade Católica de Brasília, 2011.
KOTLER, P., Administração de marketing: analise, planejamento, implementação e controle; tradução Ailton Bomfim Brandão. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1998.
MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administração. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2000. 546p.
OLIVEIRA, D. P. R. de. Excelência na administração estratégica: a competitividade para administrar o futuro das empresas. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1997. 224p.
___________. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia, práticas. 12.ed. São Paulo: Atlas, 1998. 294p.
OLIVEIRA, J. A. de. Planejamento Administrativo. Escola Superior Aberta do Brasil, 2003. Mimeo.
VASCONCELLOS FILHO, P. de; MACHADO, A. de; M. OLIVEIRA. Planejamento estratégico: formulação, implantação e controle. Rio de janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1979. 81p.
* Elaborado por Miguelangelo Gianezini a partir de excerto da monografia do curso de bacharelado em Administração (UCB). Enviado para Administradores.com.br, 2011.

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Tags: administradores estrategico planejamento

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