Lugar de guru e charlatão é fora do marketing

O visível buzz e a glamourização exacerbada sobre a mídia social que permeiam o mercado não devem ser obstáculo para quem deseja fazer marketing de verdade

Em meio à discussão sobre a revolução tecnológica - que diminuiu fronteiras entre pessoas e gera transformações em todos os setores (corporativo, político e cultural) - uma coisa é certa: a maior beleza da internet é amplificar conceitos fundamentais da disciplina de marketing. Esquecer ou deliberadamente ignorar os fundamentos cardinais da ideologia marquetóloga é um erro crasso para quem deseja se posicionar seriamente nesta área como estudioso, consultor ou especialista.

O visível buzz e a glamourização exacerbada sobre a mídia social que permeiam o mercado não devem ser obstáculo para quem deseja fazer marketing de verdade: mais do que receitas de bolo, divulgadas atualmente sem nenhum critério e de forma superficial, os profissionais devem (e, infelizmente, estão esquecendo) de olhar para referências cruciais como Theodore Levitt, Francisco Alberto Madia de Souza e, principalmente, Peter Drucker.

Como fazer marketing sem entender sua essência, seus alicerces? Aqui cabe o legado de Drucker. Em 1954, o economista fundamentou a ideologia das empresas modernas no capítulo cinco de seu livro A prática de administração de empresas (The practice of management), quando afirmou que “pelo fato de ser o seu propósito criar um cliente, qualquer empresa tem duas – e somente estas duas – funções básicas: o marketing e a inovação.” Portanto, fica bem claro que marketing não é estático. Daí a importância do profissional da área estar atento ao comportamento cíclico do consumidor.

Por sua importância crucial, Drucker é referência obrigatória para quem quer trabalhar o verdadeiro marketing, independentemente da mídia que se utiliza. Polivalente, Drucker foi economista, jornalista, conferencista, analista financeiro, consultor, autor e professor. Tem como maior legado a capacidade de interpretar o presente e perceber suas implicações no futuro. O “pai do management” nunca aceitou tal título e muito menos o de guru (rótulo que ele que associava a charlatanismo). Um exemplo a ser seguido para aqueles que trabalham com frases feitas, receitas prontas e acreditam que são os magos do marketing. Estes certamente estarão fadados ao fracasso.

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