O dia em que comprei uma Coca-Cola e tinha o rosto de um grande Administrador estampado na latinha... (Acordei do meu sonho, triste e desesperançoso)

Grandes organizações investem pesadamente para trazer os mais bem cotados destaques no meio do entretenimento cultural brasileiro para representarem suas marcas.Tais organizações têm ciência que esses “Personagens” não representam a toda população?

  Vocês já devem ter percebido no título desse texto a singela alusão a promoção da Coca-Cola Fan Feat, onde você supostamente escolhe quem vai estar no maior Hit de Todos os tempos. Não estou aqui para julgar os artistas, mas sim para tentar refletir sobre o que estamos consumindo nos últimos anos, e digo consumo em todas suas formas.

  Independente da qualidade musical, organizações como a Coca-Cola investem pesadamente para trazer os mais bem cotados destaques no meio do entretenimento cultural brasileiro para representarem suas marcas. Temos casos claros dessa prática tanta pela Renault, Ifood e tantos outros por aí.

  Mas eis que me pergunto. Tais organizações têm ciência que esses “Personagens” não representam a toda população? Que nem todos gostam de Pabllo Vittar, Luan Santana, Jojo Todynho e todas suas proles?

  Todos sabemos que o que vende é o que está em voga e se a propaganda é a alma do negocio então deve-se utilizar o que está em voga. Mas como fica o outro lado da parcela consumidora que tem opiniões que diferem dessa onda? Até que ponto o marketing realizado pelas organizações pode se responsabilizar pela ruptura cultural no Brasil?

  Alguns diriam que devemos boicotar tais organizações, não comprar seus produtos e até fazer campanhas contrarias nas redes sociais, boca a boca e outros meios. Mas na realidade será que algo vai mudar? O Novo ganhador do premio Nobel vai aparecer em uma propaganda de vendas de carro? Aquele Administrador tão querido por nós (pessoal do administradores.com) irá aparecer no intervalo da novela das noves anunciando a nova cerveja que vai refrescar seu verão? Tenho quase certeza que não.

  E por um único motivo... Consumimos aquilo que plantamos. E plantamos muitas coisas que não gostamos. E a colheita vai ser quase eterna, desde que não mudemos o grão plantando.

  Todos aqui conhecem a máxima “Fale bem ou fale mal, mas falem de mim”. E na minha concepção é bem isso que se aplica a todos esses artistas, lembrando aqui que não estou julgando ninguém pela sua escolha sexual, raça, credo e por aí vai.

  Mas vocês já devem ter ouvido muito disso no dia a dia: Fulano não canta nada.... Fulana está acabando com a cultura do Brasil.... Fulana mostrou o que não devia no show e viralizou nas redes sociais.... Você viu a nova musica do fulano? Só fala palavrão...é um lixo...

  Por mais que não gostemos de tais gêneros musicais, da nova cultura que está sendo implantada no Brasil, acabamos entrando no jogo. Fazemos propaganda quase sem querer, entramos no Youtube para ver a derrapada de “Fulano” no ultimo show, mesmo não gostando dele, porem o vídeo de “Fulano” ganha mais um view e seu canal do Youtube vai crescendo. Escutamos a música de “Fulana” apenas para falar mal da letra, mas “Fulana” ganha mais um acesso no Spotify.

  Teimamos em assistir aquele programa de domingo, mesmo sabendo que não vai ter nenhuma atração que agrade, que agregue, mas lá estamos nós, mais um ponto no Ibope. Sem contar nas novelas, reality shows e seus derivados. Geram debates intermináveis em redes sociais, filas de banco, de lotéricas e supermercados. Assinaturas online para cancelar tais programas surgem a mil, mas lá estamos nós, falando e divulgando inconscientemente tais programas.

  E os nossos heróis, nossos administradores, pensadores, músicos que gostamos, artistas, escritores, como ficam? Muitas vezes ficam para traz, não divulgamos, por hora até nos intimidamos, nos acovardarmos quando temos que falar sobre eles, tememos a reação do outro... e silenciosamente continuamos a plantar o que não gostamos.

  O marketing negativo que tentamos fazer se torna positivo para esses representantes do novo entretenimento cultural brasileiro, e outros vão surgir....

Até quando?

 

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

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Tags: Consumo cultura marketing