O Papa é pop

Por trás da simplicidade aparente do Papa há uma excepcional estrutura de Marketing que visa recuperar os fieis perdidos nos últimos anos.

Por trás da simplicidade aparente do Papa há uma excepcional estrutura de Marketing que visa recuperar os fieis perdidos nos últimos anos. Quando falo em perda de adeptos não significa necessariamente que a Igreja Católica não esteja crescendo, é fato que está, mas as outras religiões crescem em percentuais infinitamente superiores. Embora notícias vindas do Vaticano nos deem conta de que a preocupação principal da Igreja seja com os Muçulmanos, seguidores de Maomé, não há como negar que dentro do próprio Cristianismo a concorrência está forte.

Escrevi há algum tempo um artigo cujo título é “A Igreja Católica precisa se reinventar” no qual fiz uma abordagem bem mercadológica da atuação das Igrejas e suas estratégias para arrebanhar fieis. Esse artigo, publicado aqui mesmo, cuja temática era o Marketing Religioso, repercutiu tanto que  acabou resultando em um segundo artigo, “As estratégias da fé”,  onde repercuti  as opiniões favoráveis e contrárias ao texto. No primeiro texto, mostrei estatisticamente as perdas do Catolicismo em relação às outras religiões, abordei a necessidade de um reposicionamento de mercado pela qual precisaria passar.

E parece que o “milagre” começa a acontecer no topo do Organograma da Instituição. Na parte de baixo os padres artistas, a Renovação Carismática e outros fenômenos revelam a utilização das ferramentas de Comunicação e Marketing disponíveis atualmente. Mas sem dúvida, um Papa Jesuíta, de hábitos simples era tudo o que a igreja precisava no momento. Existe uma blindagem natural ao Chefe de Estado do Vaticano, como existe com qualquer outra autoridade do mesmo nível, mas Francisco se recusa a cumprir certas regras que considera exageradas.

Claramente ele já está desagradando uma parte dos Cardeais que gosta de pompa, luxo, formalidade e estranhamente desse “distanciamento” do público. Mas não tem jeito, vem muito mais por aí, afinal de contas o comportamento do povo latino é diferente, culturalmente, gostamos de calor humano, de pessoas, de contato direto. Portanto quando digo que essa mudança é benéfica no sentido de reconquistar a simpatia de parte das pessoas, mesmo as não seguidoras do Catolicismo, é por que as pessoas não estão acostumadas com gestos simples e com ações  pequenas mas demonstram humildade, de autoridades que ocupam tão alto posto.

 As reações provocadas pelo Papa são involuntárias, mas exploradas criteriosamente pelo setor de comunicação do Vaticano. O Papa é assim, vai continuar com o seu jeito bem humorado de ser e agir e cabe às demais autoridades que compõem a cúpula Católica fazerem  desses limões uma limonada. Afirmo que foram felizes na escolha, e os que votaram em outros candidatos também estão com sorte, pois todos sairão no lucro. Os resultados serão significativos sob o aspecto prático de recuperar a imagem da igreja.

A necessidade de se adequar aos novos tempos é real, e pelo jeito a caminhada será longa. O contato direto com as pessoas é indubitavelmente uma ótima alternativa, e o Padre Argentino já demonstrou que gosta disso. A Igreja  precisa imediatamente começar a dialogar, de fato, com a sociedade. Isso significa diminuir a resistência às mudanças, permita-me usar um jargão da Administração e do Marketing, principal “gargalo” da Instituição nos tempos modernos. Mesmo sendo da linha tradicional, a forma de evangelizar do pontífice está conquistando as pessoas. Por mais que não goste dos holofotes e tenha hábitos comuns, o Papa é pop. Poucas horas depois da eleição, a Fan Page dele no Facebook era prova disso, dezenas de milhares de pessoas a mais querendo saber das postagens do “Chico”.

Além de variadas manifestações através do Facebook, o Twitter também foi “invadido” pelas postagens alusivas ao resultado do conclave. A primeira manifestação oficial da comunicação do Vaticano foi através de um “tuíte”. A assessoria de imprensa publicou a mensagem “habemus papam”, temos um papa, e símbolos que indicam pessoas com os braços levantados demonstrando um clima festivo completavam o “post”. Enquanto isso, “hastags” (temas destaque, assuntos mais mencionados) alusivas ao fato não paravam de aparecer na rede: #habemuspapam #fumaçabranca #PapaFrancisco #PaiNosso #JorgeMarioBergoglio e até um #ChupaBrasil surgiu. Essa última, vinda de pessoas que já estavam saturadas com as manifestações eufóricas da torcida por um Papa Brasileiro.

Além das Redes Sociais, mídias emergentes, a mídia tradicional também cobriu amplamente o evento. Os jornais e revistas dedicaram páginas e mais páginas, as rádios e Tvs fizeram uma cobertura como nunca se viu e mesmo após a eleição, pelas particularidades envolvendo o perfil do atual chefe católico, as notícias ainda tem grande destaque.  O próprio Papa reconheceu o excesso de trabalho dos profissionais e órgãos de imprensa na cobertura no Vaticano chegando a brincar com os jornalistas. Que ele não perca essa característica, não é necessário ser carrancudo, mal humorado e seguir rigorosamente protocolos que em muitos momentos se mostram retrógrados, assim como vários posicionamentos da igreja, esses, provavelmente não sofrerão alterações. 

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