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Qualidade X Motivação

O presente artigo tem como objetivo apresentar a relação entre Qualidade e Motivação, demonstrando como a Qualidade pode ser um fator motivacional dentro das organizações.

Jeane Reis,

FACULDADE ATENAS MARANHENSE – FAMA

Métodos Indicadores – Kenard Andrade

São Luís, Maranhão, 04 de abril de 2011
Jeane Reis Mendes, et al
6º período - Curso Administração /Marketing

Resumo: O presente artigo tem como objetivo apresentar a relação entre Qualidade e Motivação, demonstrando como a Qualidade pode ser um fator motivacional dentro das organizações, já que, diante de tantas desordens, mudanças e incertezas que caracterizam as organizações no contexto atual, o que nos resta é o desafio da sobrevivência das empresas que estiverem conscientes de que a competitividade requer produtividade com qualidade, o que não significa apenas investir em tecnologias, mas também nas pessoas que trabalham na organização.

Palavra-chave: qualidade e motivação

Abstract: This article aims to present the relationship between Quality and Motivation, demonstrating how quality can be a motivational factor within organizations, since, with many disorders, change and uncertainty that characterize organizations in the current context, we have left is the challenge of survival of companies are aware that competitiveness requires productivity and quality, which means not only investing in technologies but also the people working in the organization.

Key – word: quality and motivation

1. Introdução


O presente artigo tem como objetivo apresentar a relação entre Qualidade e Motivação, e a aplicação dessa motivação no processo de Qualidade Total, ou ainda demonstrar como a Qualidade pode ser um fator motivacional dentro das organizações. O mundo organizacional vive hoje um período de transição que se reflete na busca incessante pelo aumento da competitividade organizacional, esse objetivo por sua vez, pode ser um dos maiores responsáveis pela necessidade da qualidade.


Atualmente as organizações buscam novas maneiras de potencializar os relacionamentos com o mercado, a produção, os processos, existe então uma necessidade contínua de aperfeiçoamento em busca de melhores resultados, a resposta para essas questões se encontram na Qualidade e na forma como ela é aplicada dentro da empresa.. A qualidade de vida dos colaboradores, qualidade dos produtos, qualidade de uma forma geral, é uma estrutura sobre a qual as organizações estão se estruturando .


Os processos de Qualidade são edificados por pesquisas técnicas e métodos, porém é aplicado através das pessoas, são elas que buscam través dessas técnicas a solução e o resultado, partindo desse princípio é que esse artigo tem como instrumento de pesquisa obter informações acerca de como fazer para motivar os colaboradores, gestores , parceiros para que possam contribuir com a implantação do processo de qualidade, e ainda como essa qualidade contínua pode gerar motivação no ambiente no qual ela é estabelecida, observando os aspectos que beneficiem o atendimento do ser humano dentro da organização

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2. Qualidade


A qualidade de vida no trabalho hoje pode ser definitiva como uma forma de pensamento envolvendo pessoas, trabalho e organizações, onde se destacam dois aspectos importantes: 1- A preocupação com o bem-estar do trabalhador e com a eficácia organizacional; 2 A participação dos trabalhadores nas decisões e problemas do trabalho. Pode-se então verificar que a qualidade e a motivação caminham unidas, pois estão inter relacionadas para que juntas promovam o sucesso da organização.


Para compreendermos a definição da qualidade nos nossos dias, sua importância e aplicação têm que entender a sua origem e a sua trajetória através do tempo.

3. Abordagem Conceitual de Qualidade


Segundo Maximiano (2007) Qualidade é uma palavra presente no dia-a-dia e cumpre um papel de vital importância para as pessoas de um modo geral, mais principalmente, dentro das organizações, de acordo com ele existem vários conceitos ou definições para essa palavra, e ele relaciona seis desses conceitos que traduzem claramente esta idéia:


Excelência

-O melhor que se pode fazer. O padrão mais elevado de desempenho em qualquer campo de atuação.


Valor

-Qualidade como luxo. Maior número de atributos. Utilização de materiais ou serviços raros, que custam mais caro.

-Valor relativo e dependente da percepção do cliente, seu poder aquisitivo, a sua disposição para gastar.


Especificações

-Qualidade planejada. Projeto do produto ou serviço. Definição de como o produto ou serviço deve ser.


Conformidade

-Grau de identidade entre o produto ou serviço e suas especificações.


Regularidade

-Uniformidade. Produtos ou serviços idênticos.


Adequação ao uso

-Qualidade de projeto a ausência de deficiências.

Fonte: MAXIMIANO, 2007, figura 8.1, pag. 115


A qualidade é utilizada como ferramenta competitiva dentro do mercado de trabalho, e hoje também é conhecida como a ausência de deficiências, e é o diferencial que leva as organizações a buscarem por uma satisfação do cliente que, a cada dia está mais exigente e consciente do seu papel dentro da sociedade, existe então a necessidade de um aperfeiçoamento, fazendo com que a qualidade se torne um requisito para que as empresas sobrevivam nos dias de hoje. Percebe-se que a qualidade existe desde o princípio, pois sempre houve a necessidade em realizar o melhor, então, a busca pela perfeição sempre foi uma constante para o ser humano.


Retrocedendo na história, destaca-se o surgimento e entendimento da qualidade a partir da Revolução Industrial, onde as corporações dão lugar ao crescimento do sistema fabril caracterizado pela mecanização, aumento da produção e dos números de empregados, o trabalho operário é aceito como simplesmente mão-de-obra sem valorização do mesmo, já que o foco é na produção, nesta fase, a qualidade visa a produção e seus resultados. Nesse período nem se questionava a importância da motivação para que os resultados fossem mais precisos, os produtos eram inspecionados um a um , imagina-se isso em uma produção de grandes proporções, os funcionários que executavam exaustivamente essa função entendiam a importância, o conceito, o objetivo final dessa responsabilidade ?


Segundo MAXIMIANO (2007, p.118), A história da evolução transformou o controle tradicional da qualidade na administração da qualidade total em três períodos, filosofias ou eras principais, que são: Era da Inspeção;Era do Controle Estatístico; Era da Qualidade Total.


Na Era da Inspeção assim como a evolução da Qualidade ,a inspeção foi ocupando o seu espaço de forma gradativa. Nos séculos XVIII e XIX, toda produção era feita por artesãos que fabricavam os seus produtos de acordo como desejo pessoal dos clientes manifestado pelo contato direto que então havia, ou seja, as duvidas sobre a Qualidade eram resolvidas na hora. O artesão conhecia o seu cliente.


A produção em pequenas quantidades feitas desta forma artesanal permitia a aproximação e imperava a informalidade.


Os artífices, na maioria das vezes, habilidosos, iam ganhando a confiança dos clientes e para eles convergiam todas as atividades referentes a projeto, produção e serviços dos quis se destacavam a inspeção e assistência técnica ao produto assim fabricado. Alguns artesãos mais capazes tiveram maior procura para os seus produtos e passaram a contratar empregados e aprendizes para dar conta ao aumento de demanda e com isto já apareciam as organizações, inicialmente de pequenas dimensões. Aqui pode-se verifica que a motivação para esses pequenos artesãos se encontrava no fato de que a sua dedicação estava diretamente ligada ao destaque dentro do mercado e ao crescimento de seus negócios. As produções foram aumentando com os pedidos crescentes, a mão de obra foi crescendo e a qualificação mais exigida.


A ênfase desta era baseava-se em separar, através da observação direta, o produto bom do produto com defeito, percebe-se que anteriormente à Revolução Industrial, já se praticava alguma espécie de controle de qualidade com esse mesmo desígnio, então, essa inspeção era realizada pelo próprio artífice, com o objetivo de impressionar os seus clientes, essa era a sua motivação, para isso procurava atender as especificações e necessidades visando impressionar os clientes. Esse objetivo existiu desde os gregos até o período do Renascimento persistindo pela fabricação artesanal, e até hoje, é uma realidade praticada pelas organizações e valorizada pelos consumidores que buscam atender as suas necessidades da melhor forma possível.


No início do século XX, nas empresas que surgiram o supervisor de produção não mais eram visto como agente do controle da qualidade, essa função foi substituída pelo inspetor da qualidade. Para que a sua avaliação sobre a qualidade dos produtos fosse livre de influências, ele era desvinculado funcional e hierarquicamente do supervisor, O engenheiro e executivo W. Taylor estabeleceu no início deste século os Princípios da Administração Cientifica, e G. S. Radford, com a publicação do livro The Control of Quality in Manufacturing, legitimaram a função do inspetor conferindo a ele a responsabilidade pela análise da qualidade dos produtos.


Após isso os departamentos de controle de qualidade eram desvinculados dos departamentos de produção, tendo como mesmo objetivo a avaliação independente.


CARACTERISTICAS BÁSICA


INSPEÇÃO


Interesse Principal

Verificação


Visão da Qualidade

Problema a ser resolvido


Ênfase

Uniformidade do produto


Método

Instrumentos de medição


Papel dos Profissionais da Qualidade

Inspeção, Classificação, Contagem, Avaliação e reparo


Responsável pela Qualidade

O departamento de inspeção


Orientação e Enfoque

Inspecionar a qualidade


Inicia-se então a Era do Controle Estatístico em 1931 W.A. Shewhart publicava uma obra que veio revolucionar o assunto Qualidade e que direcionou em grande parte o Controle de Qualidade Moderna. Shewhart trabalhava na Bell e estava investigando o assunto de Qualidade.


Conseguiu elaborar uma definição precisa aos controles praticados na operação, através da criação de técnicas de acompanhamento e avaliação da produção. Aparecia o Controle Estatístico de Processo, onde o fator de variabilidade na operação foi longamente apreciado por Shewhart e que apregoava a não existência de duas peças absolutamente iguais dentro do processo produtivo, embora fabricadas dentro das mesmas condições.


Passou-se a aceitar as variações e extinguir nas mesmas aqueles limites que passariam a ser considerados como problemas.


O processo estaria sob controle sempre que se mantivesse dentro dos limites inferior e superior de aceitação. Pelo gráfico do Controle Estatístico de Processo estariam sendo visualizadas as causas anormais de variação, daquelas inerentes a um processo de produção, sendo que outros pesquisadores faziam progresso na prática de amostragens, fundamentais ao processo de desenvolvimentos estatísticos que passaram a ser utilizados largamente. A inspeção em 100% era deficiente para separar os produtos considerados bons para aqueles considerados como maus. De acordo com tabelas de amostragens, iriam ser inspecionados apenas um pequeno lote do total produzido, e sua aceitação ou não seria função do número de materiais defeituosos encontrados no lote.


A aplicação destes conceitos melhorou e muito a qualidade e os custos tiveram redução considerável o impacto da Segunda guerra mundial trouxe maior aceitação ao Controle Estatístico da Qualidade havia necessidade de aumentar a produção de armamento através da pulverização de vários fornecedores, e com isto, a necessidade de padrões foi mais exigida para que os níveis de qualidade fossem mais aceitáveis. O gargalo que passou a ser a inspeção foi logo eliminado. O número de inspetores foi reduzido e a qualidade melhorada.


Com o crescimento da empresa industrial e da produção de massa ficou quas
e impossível inspecionar a totalidade da produção que saiam das linhas de montagem, por isso, surge como resposta a essa necessidade o controle estatístico de qualidade, baseando-se na amostragem que consistia em separar certa quantidade da produção, para que fosse inspecionada, e as propriedades observadas naquela porção que foi separada eram estendidas ao lote do qual a mesma foi extraída.

O pioneiro da aplicação deste método de controle de qualidade foi Walter A. Shewhart, dos Laboratórios Bell, que em 1924, preparou o primeiro protótipo do que mais tarde seria chamado de carta de controle, paralelamente a isto, Dodge e Romig, desenvolveram outras técnicas de controle de qualidade por amostragem, essas descobertas contribuíram de para a maioria das técnicas de controle de qualidade usadas atualmente.


CARACTERISTICAS BÁSICA


CONTROLE ESTATISTICO

Interesse Principal

Controle


Visão da Qualidade

Problema a ser resolvida


Ênfase

Uniformidade do produto, com menos inspeção


Método

Ferramentas e técnicas estatísticas

Papel dos Profissionais da Qualidade

Solução de problemas e a aplicação de métodos estatísticos


Responsável pela Qualidade

Os departamentos de fabricação e engenharia (o controle de qualidade)


Orientação e Enfoque

Controle de qualidade


Inicia a Era da Qualidade Total que começou a ser consolidada em 1961 quando Armand Feigenbaum apresentou o TQC – Total Quality Control, ou seja, Qualidade Total. Surgiu também o aparecimento dos círculos da qualidade e esse período foi marcado pelo lançamento de veículos importantes da qualidade, como a revista Quality (1962), o jornal Quality Technology (1965) e a revista Quality Progress (1967), consolidando a era da Qualidade Total. Como fatores importantes dentro desta era destacam-se: Foco no cliente e Sistema da qualidade.


CARACTERISTICAS BÁSICA


QUALIDADE TOTAL


Interesse Principal

Impacto estratégico


Visão da Qualidade

Uma oportunidade de diferenciação da concorrência


Ênfase

As necessidades de mercado e do cliente


Método

Planejamento estratégico, estabelecimento de objetivos e a mobilização da organização


Papel dos Profissionais da Qualidade


Estabelecimento de metas, treinamento, consultoria a outros departamentos e desenvolvimento de programas


Responsável pela Qualidade

Todos na empresa, com a alta administração exercendo forte liderança


Orientação e Enfoque

Gerenciar a Qualidade


3.1 Qualidade nos dias atuais


O Total Quality Control tem como fundamento uma qualidade na qual o interesse do cliente é o ponto mais importante. Para Feigenbaum, a qualidade teria que ser inserida no produto ou no serviço desde o inicio focalizando o desejo e o interesse do cliente, assim no caso dos produtos, a qualidade total compreenderia todos os ciclos da produção dos quais ele enumerou oito, a seguir :


1. Marketing- Avalia o nível de qualidade desejada pelo cliente e o custo que ele está disposto a pagar;
2. Engenharia- Transforma as expectativas e os desejos do cliente em especificações;
3. Suprimentos- Escolhe, compra, e retém fornecedores de peças e materiais;
 4. Engenharia de Processo- Escolhe máquinas, ferramentas e métodos de produção;
 5. Produção- a supervisão e os operadores têm uma responsabilidade importante pela qualidade durante a fabricação;
6. Inspeção e Testes- Verificam a conformidade do produto com as especificações;
 7... Expedição- Responsável pelas funções de embalagem e transporte;
8. Instalação e Assistência Técnica (Serviço)- Ajudam a garantir o funcionamento correto do produto. ( MAXIMIANO, 2007 . P. 121 ).

Começa a surgir o conceito de Sistema da Qualidade Nesse novo contexto a qualidade deixa de ser característica apenas do produto ou serviço e de ser única responsabilidade do departamento de qualidade e passa a ser responsabilidade de todos, envolvendo todos os aspectos da operação da empresa. A qualidade exige visão sistemática integrando as ações das máquinas, das pessoas e de todos os outros recursos envolvidos, surgindo o conceito de sistema de qualidade. Aqui começa a existir um envolvimento maior, não apenas de alguns setores e/ ou gestores, mas de toda a empresa na busca da qualidade , já que todo produto ou serviço é realizado por mãos humanas, logo, a qualidade está diretamente ligada ao apoio e participação de cada pessoa.


Surge então a uma necessidade dentro das organizações, mais do que envolver e motivar uma parte, repensar em soluções continuas de motivação que envolvam a empresa como um todo. Segundo Juran (2002, pg. 432) "A motivação é um elemento essencial para se alcançar a qualidade, especialmente para se alcançar a liderança em qualidade". O líder deve entender que a motivação deve ser trabalhada em todos os níveis de hierarquia para que todo o planejamento da qualidade tenha sucesso e alcance o seu objetivo como um todo.


4. Motivação

O desempenho é um resultado obtido através da aplicação ou esforço de uma pessoa em determinada tarefa. Segundo MAXIMIANO ( 2008, p. 179 ) "O desempenho é positivo quando o resultado beneficia a própria pessoa, o grupo do qual ela participa, um cliente ou uma organização na qual trabalha". Ou seja, o desempenho, a dedicação e por conseqüência os resultados obtidos em qualquer tipo de atividade é diretamente influenciado pelos motivos que nos leva a isso, são as forças que nos levam a motivação para o trabalho, e quanto maior essa força , maior a qualidade que será obtida dentro da organização, pois será resultante de uma maior dedicação, de um trabalho bem feito e de um entendimento e participação por parte do colaborador que se bem direcionados, alcançarão um nível maior de comprometimento.


A motivação dentro da organização com o objetivo de maior participação no planejamento e execução da qualidade é um estado psicológico, diz respeito à uma disposição de realizar uma tarefa de forma bem feita, ou seja , dizer que uma pessoa está motivada significa que nela existe um desejo de realizar de forma positiva uma determinada tarefa.Por esse motivo existe a necessidade de entender as habilidades de cada trabalhador e suas necessidades para alcançar um novo conceito de trabalho. É preciso falar de qualidade de vida no trabalho para que essa qualidade gere motivação necessária para servir de base para obter a qualidade propriamente dita dentro da organização produzindo assim resultados significativos não apenas na produção , mas na satisfação dos clientes internos e externos. Para isso é perfeitamente pertinente o desenvolvimento de aspectos que favoreçam o atendimento e o desenvolvimento do ser humano como ser multidisciplinar, reconhecendo suas mais variadas e amplas necessidades.


Motivação é um conceito teórico não observável e se refere ao direcionamento momentâneo do pensamento, da atenção, da ação a um objetivo visto pelo indivíduo como positivo. Esse direcionamento ativa o comportamento e engloba conceitos tão diversos como anseio, desejo, vontade, esforço, sonho, esperança entre outro. (JURAN, 2002).


É importante ressaltar que o ser humano traz consigo sentimentos, ambições; cria expectativas, envolve-se, busca o crescimento dentro daquilo que desenvolve e realiza. Então, é preciso que deixemos de lado aquela idéia de que o homem trabalha tão somente para a obtenção do salário, negando seus sentimentos, que não se frustra com a falta de crescimento, que não se aborrece com o total descaso dos seus superiores que apenas lhe cobram a tarefa e não o orientam para a real situação da empresa, que lhe negam o acesso às informações, que o tratam apenas como uma extensão no processo de produção. É necessário que saibamos que, cada vez que ele entra na empresa, está entrando um ser conectado e indivisível, com direito a todos os sonhos de auto-estima e auto-realização.


5. Teorias da Motivação


Nenhuma organização pode funcionar sem um certo nível de comprometimentos de seus membros. Esta realidade levou os estudiosos a sempre criarem as teorias sobre motivação – os fatores que provocam, canalizam e sustentam o comportamento humano. Os estudos sobre motivação evoluíram das primeiras abordagens que eram muito parecidas entre si, onde se tentava construir um único modelo correto, que se aplicasse a todos trabalhadores em qualquer situação, para abordagens mais contemporâneas que percebem que a motivação acontece em função da interação entre fatores individuais e ambientais. (ELIZEU, 2009)


Entre as diversas atividades realizadas pelo Gerente de Projetos, a motivação da equipe é uma que nem sempre recebe a atenção devida. Gerentes menos experientes se voltam excessivamente para as atividades mais técnicas para obter resultados rápidos, e se esquecem que as tarefas são (normalmente) executadas por pessoas, que podem ter seus próprios critérios e prioridades.


Para entender melhor esta relação entre Qualidade x Motivação é preciso retroceder no tempo e buscar razões na teoria de Maslow, sobre a hierarquia das necessidades. Abraham Maslow (1908 -1970) foi um psicólogo americano, conhecido pela teoria da "hierarquia das necessidades de Maslow", que nos apresenta a seguinte ordem de prioridades em temos de nossas necessidades:

* Em primeiro lugar temos as necessidades fisiológicas como alimentação, sono, repouso, etc;

*Em seguida vêm às necessidades de segurança como a busca de proteção contra ameaças, privações e outras;

ü a seguir surgem as necessidades sociais como afeto, relacionamento, amor, etc.;

* No nível seguinte temos necessidades como auto-estima, autoconfiança, necessidade de aceitação pelos outros, status, prestígio, etc;

* Finalmente, as necessidades mais elevadas que são as de auto-realização de nosso potencial e de desenvolver-se continuamente.

5.1 Teoria de Maslow


Maslow explica o comportamento motivacional de um indivíduo em termos da satisfação destas necessidades. Com isto é possível perceber a força do estímulo de motivação, baseado no nível de satisfação que já foi atendido, e traçar um plano que atendam ao ciclo motivacional dos colaboradores dentro da organização.


Conforme a mesma teoria, as necessidades dos trabalhadores dentro da organização obedecem a uma hierarquia no sentido de sentir-se motivados pois no momento em que o trabalhador atende uma necessidade básica, surge outra, em seu lugar, num nível hierárquico superior, exigindo sempre que busquem meios para satisfazê-la. Uma pessoa dificilmente irá procurar reconhecimento pessoal e status se suas necessidades básicas estiverem insatisfeitas.


Pirâmide de Maslow

Fonte: ogerente.com.br


Maslow estabeleceu esta hierarquia das necessidades humanas, organizando-as por grau de importância e influência. Nesta pirâmide, as necessidades mais básicas individuais estão no primeiro nível e as mais complexas no topo, portanto, podemos fazer sua leitura de baixo para cima. (ELIZEU, 2009)


Favorecer o desenvolvimento de um perfil humano harmônico com os padrões do modelo imergente consiste em construir os alicerces para uma organização inteligente e inovadora. Respeitar o trabalhador como "ser humano" participante e colaborador dessa organização significa contribuir para a construção de um mundo mais humano e para um desenvolvimento sustentável. Investimento em qualidade de vida significa investimento no progresso da sociedade e por conseqüência da Qualidade no ambiente de trabalho.


5.2 Aplicando a Teoria de Maslow no ambiente de Trabalho em busca de Qualidade.


O ambiente de trabalho e o trabalhado executado propriamente dito podem satisfazer as necessidades quer sejam instrumentais (são para a satisfação de outras) quanto terminais (satisfazem a si mesmas) , necessidades de sobrevivência e também de auto-realização. Por outro lado o próprio ambiente de trabalho pode criar certas necessidades.


A motivação é uma força interior que se modifica a cada momento durante toda a vida, onde direciona e intensifica os objetivos de um indivíduo. Dessa forma, quando dizemos que a motivação é algo interior, ou seja, que está dentro de cada pessoa de forma particular erramos em dizer que alguém nos motiva ou desmotiva, pois ninguém é capaz de fazê-lo. (JURAN, 2002)

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Quando as necessidades dos trabalhadores não são devidamente observadas e atendidas tem como resultado a frustração dentro do ambiente de trabalho gerando fuga ou compensação, resignação ou até mesmo agressão, ou seja , uma vez que não existe motivação, não há como contribuir para a qualidade dentro do local de trabalho, a produção e os resultados ficam comprometidos pois sem satisfação não há empenho. Entende-se que a fragmentação do trabalho nas organizações produtivas e alienação que resultou disso fez com que o trabalho nas organizações.


7. Conclusão


A relação da motivação com a qualidade é estabelecida espontaneamente tanto pelos cientistas como pelas pessoas leigas. O comportamento é percebido como sendo provocado e guiado por metas das pessoas, que realiza um esforço para atingir determinado objetivo. A maioria dos autores considera a motivação humana como um processo psicológico estreitamente relacionado com o impulso ou com a tendência a realizar com persistência determinados comportamentos. Segundo JURAN (2002) a motivação é um elemento essencial para se alcançar a qualidade, especialmente para alcançar a liderança em qualidade.

Referências


JURAN, J. M., A qualidade desde o projeto: novos passos para o planejamento da qualidade em produtos e serviços. 4 reimpr. 1 ed. São Paulo. Ed. Pioneira Thimson Learning, 2002.


MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Teoria Geral da Administração. 1 ed. "Ed. Compacta".3 reimpr. São Paulo: Atlas, 2007.


MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Introdução a Administração. 1 ed. "Ed. Compacta".3 reimpr. São Paulo: Atlas, 2008.


O gerente.com. br. Alcançando Objetivos: Metas Pessoais e Profissionais. Disponível em: http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.> Acesso em: 18 de março de e 2011, às 22:06 horas.


TEORIAS DA MOTIVAÇÃO publicado 1/07/2009 por Elizeu Araujo em http://www.webartigos.com

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Tags: Abordagem conceitual de qualidade Métodos Indicadores motivação dentro da organização Qualidade e Motivação Qualidade nos dias atuais