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Super Bowl: uma aula de branding

Dentre todas as finais de competição, de todos os esportes, nenhum supera a da NFL em arrecadação financeira

No último domingo, dia 4, foi realizada a final da liga nacional de futebol americano (NFL) da temporada 2017-2018. Um encontro de gigantes: New England Patriots, do badalado Tom Brady (marido da nossa Gisele Bundchen), contra o efusivo Philadelphia Eagles. O confronto já havia ocorrido em 2004 na cidade de Houston e se repetiu novamente em 2018 na cidade de Minnesota. Entretanto, o que vale ser ressaltado não é necessariamente o resultado do jogo (os Eagles vencerem em um jogo épico) ou quais são suas regras, mas sim o impacto, a proporção e o mercado que se cria em torno deste momento. 

Caracterizado como um dos maiores eventos da televisão, o número de espectadores já chegou, em 2015, a nada menos que 163 milhões de espectadores, em outra final embalada pelo New England. Desses, 114 milhões foram apenas nos EUA. Outras finais colocaram até mais pessoas de frente para a televisão, como Eurocopa, Champions League e a Copa do Mundo da FIFA, com audiências médias de 200, 300 e 700 milhões respectivamente, mas o interessante é entender que, apesar de possuir menos audiência, a final de Futebol Americano chega a valer bem mais que a final da Copa do Mundo.

Segundo uma pesquisa realizada pela Forbes em 2016, o valor estimado que se gera com o evento estadunidense é de 630 milhões de dólares, o que o coloca no primeiro lugar da lista de eventos esportivos mais valiosos do mundo, enquanto a FIFA, que gera cerca de 229 milhões de dólares, marca o terceiro lugar.

Tudo isto é devido ao valor da marca. A NFL possui um peso muito grande e as pessoas sabem transformar tudo envolvido a este esporte em negócio. A decisão não se resume à partida em si, mas a um evento que conta com alguns momentos incríveis, como por exemplo, o show do intervalo (halftime) que é sempre marcado pela apresentação musical de algum artista de grande porte (já passaram por lá artistas como Madonna, Michael Jackson e Red Hot Chilli Peppers). No intervalo, há tambem os muito aguardados comerciais e trailers de filmes inéditos.

Por ser um esporte tradicional do país, uma grande parcela da população abre os bolsos para comprar roupas dos times, comida, ingressos e transforma a semana da decisão quase que em um feriado nacional. Portanto, a arrecadação de hotéis, bares, empresas de transporte e muitos outros mercados se torna bastante expressiva neste período. Juntando estes fatores, cria-se a marca Super Bowl!

Aqui vão alguns números liberados também pela Forbes apenas sobre a final do campeonato:

“Os jogadores do time vencedor receberão por volta de US$ 112 mil. O preço médio de um comercial de 30s custa em média US$ 5 milhões. Os ingressos deste ano variaram entre US$ 950 e US$ 5 mil. Foi registrado o recorde de US$ 138,5 milhões em apostas. A emissora NBC paga uma média de US$ 950 milhões anualmente e tem direito a três Super Bowls durante sua vigência.”

Para deixar ainda mais claro como esta não é uma simples decisão de campeonato, uma pesquisa realizada pela associação nacional de varejo dos Estados Unidos (NRF) apontou que apenas 43% de quem assiste ao evento considera o jogo em si como a principal atração, 24% acreditam que o intervalo do evento é o ápice da noite.

Por fim, vale ressaltar que o esporte tem se popularizado bastante no Brasil. Os jogos atualmente são transmitidos pela TV fechada ESPN, porém, ao contrário do que muitos pensam, foi pela antiga TV Tupi que o esporte americano teve sua primeira aparição, passando posteriormente por um momento de grande difusão na Band, narrado pelo ilustríssimo Luciano do Valle.

Nos dias de hoje, o Brasil conta com campeonatos regionais e nacionais, além de possuir times espalhados por vários estados, o que começou como uma brincadeira nas praias e simples gramados pelo país, agora leva milhares de pessoas aos estádios. Será que um dia a bola oval será tão popular quanto a redonda em terras brasileiras?

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Tags: Brand Branding Esporte NFL SuperBowl