Textões ou Textinhos?

Também escrevo notícias para sites institucionais e presto assessoria na área de marketing. Novamente o dilema: texto grande ou texto pequeno.

Nos meus mais de 20 anos de profissão de radialista, atuando ainda como colaborador de sites e blogs, praticamente todos eles dedicados à redação de notícias, atualmente me vejo em um dilema: escrever pouco ou escrever muito. Faço textões ou textinhos. 

Antes escrevia menos, praticamente pela falta de tato com as palavras, mesmo que, modéstia à parte, tivesse algum talento para tal. Mas me sentia barrado pela falta de conhecimento mais apurado sobre determinados assuntos. Isto só veio a melhorar, quando resolvi enfiar a cara nos livros, voltar às aulas enfrentar os bancos da universidade e ler e ler muito. 

Claro que ainda tenho dificuldades para lidar com certos temas, mas, pelo menos deu para melhorar.

Bem, mas voltando ao dilema dos textinhos e textões. No caso da redação de notícias, a exigência é um texto direto, informativo, sem palavras difíceis, de forma que o leitor assimile o conteúdo com facilidade. O mesmo não acontece quando o texto é um artigo, quando o assunto deve ser esmiunçado, baseado no esquema: problema, questionamento, embasamento e solução. Isto posto, é claro que os textões também são imprescindíveis para desenvolver determinados temas. Por exemplo: como falar da greve dos caminhoneiros sem esmiunçar os motivos, causas, implicações sociais, governança, liderança ou falta dela e as complicações políticas que isso ocasiona ao país internamente e externamente? 

Para uma breve notícia, falar que os caminhoneiros estão em greve por conta dos preços abusivos do diesel e que a culpa é do governo, pode ser o suficiente para informar sobre o que ocorre em relação à questão. Porém, para que todos saibam de fato o que levou os caminhoneiros à revolta e à greve, informações complementares são necessárias e num resumo poderia deixar se perder muita informação de elevada importância. 

Também escrevo notícias para sites institucionais e presto assessoria na área de marketing. Novamente o dilema: texto grande ou texto pequeno. 

Hoje, todo mundo entende de tudo e o conhecimento não é privilégio de poucos. Vale o diploma, mas há de se respeitar a capacidade empírica, ou seja, prática, sendo que esta não deve de tudo ser desprovida de base, digo, de conhecimento mínimo. Isto posto para afirmar que temos que separar as peças. Um texto publicitário, não é uma propaganda, assim como uma notícia não é um artigo e um release é a base para composição de notícias, sendo assim, fonte de pesquisa importante. 

Com a liberdade aberta pela internet e ainda mais, a liberdade de expressão garantida pela nossa democracia, as pessoas encontraram espaço para expressar opiniões, serem notadas e os blogs, sites de notícias se multiplicam. Isto é de fato muito bom, porém, encontramos nas redes sociais, em blogs e sites, desconexões textuais grotescas, expondo de forma extirpada pouco tato com as palavras de alguns que se propõem a escrever. São desconexões entre ideia e texto que evidenciam o fosso entre o que se pretende escrever e a dificuldade para tal. Até mesmo os períodos mais curtos sofrem. São frases mutiladas pelos constantes erros na escrita e assassinadas pela falta de semântica. 

Entre textões e textinhos, os dois são essenciais e dependem do momento certo para serem devidamente empregados. Há uma máxima que diz que quem muito fala muito erra. Lógico que a mesma máxima se aplica para quem escreve. 

Mas, não podemos viver apenas de textinhos, sob pena do empobrecimento dos conteúdos. Embora em raridade, há quem se interesse pelo textão. Há quem necessite de fontes de pesquisas mais ricas de detalhes. 

Não podemos pensar o mundo da escrita restrito aos leitores de manchetes e de textinhos. Esses preguiçosos que leem as manchetes de jornais, de revistas, blogs ou portais de notícias, e que, por suposição, afirmam conhecer os fatos, cometendo erros no repassar dos acontecimentos. 

Não esqueço mais o seguinte fato: Escrevo para um site de notícias da cidade. Publiquei a notícia sobre um acidente de trânsito e a compartilhei na minha página no Facebook. Um internauta, curioso, perguntou no espaço dos comentários quem era a vítima e onde havia ocorrido o acidente. É demais. Ele estava a um clique de saber tudo sobre o ocorrido, mas a preguiça não deixou. 

Em suma, textinhos e textões servem, basta que deixemos de lado a preguiça para aproveitar o melhor de seus conteúdos.

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