10 motivos para ter um conselho administrativo em empresas familiares

“Se você quiser sobreviver em uma empresa familiar, você precisa organizar a família.”. A afirmação foi de John Davis, considerado a maior autoridade mundial em gestão de empresas familiares, Presidente do Owner Managed Business Institute, líder do programa de educação executiva Families in Business: from Generation to Generation na Harvard Business School, na abertura do Fórum Mundial de Gestão de Empresas Familiares, realizado pela HSM do Brasil em São Paulo.

Uma forma de organizar uma empresa familiar é entender o sistema de uma empresa familiar. Ele é composto por três pilares: família, propriedade e negócios. O que acontecer em um desses grupos, afeta todos os outros. “É preciso entender a dinâmica e a interação de cada um desses sistemas, para entender o sistema da empresa familiar. E práticas de governança corporativa podem ajudar”, explica John Davis, chamando a atenção para a diferença entre governança e gestão. “Governança não é gestão. É direção. Você não precisa de conselho definido para ter governança, mas ajuda. Boa governança ajuda a unir e prosperar”.

Ele destaca que governança é um processo a ser amadurecido a longo prazo. Uma boa governança corporativa envolve algumas questões-chave como:

Identidade – Quem somos nós? Como estamos nos diferenciando? Quais são os nossos valores fundamentais?
Direção – Para onde nós estamos indo? Quais são os nossos propósitos e missão? Qual é a nossa estratégia para alcançar nossas metas?
Disciplina – Quem tem autoridade? Quem toma as decisões-chave? Quem supostamente vai fazer o que?

John Davis afirma que é preciso que haja alinhamento entre família, empresa e proprietários. A governança desses três grupos (família, propriedade e negócios) tem de estar alinhados. “É como separar Igreja de Estado. Conselho Consultivo de Administração e Conselho Familiar. Os grupos precisam estar coordenados”.

E com base em suas pesquisas, o professor afirma que quanto maior a estabilidade da família, que é promovida pela governança corporativa adequada, mais as empresas ficam satisfeitas com seus conselhos. Essa estabilidade é promovida pelo uso de mecanismos que abrangem os seguintes aspectos:
- declarações de missão e valores;
- acordos de acionistas, como os de compra e venda de ações entre familiares (utilizados por apenas 22% das empresas familiares brasileiras);
- políticas de dividendos (60% das empresas brasileiras), de regras para as decisões dos proprietários (70%), de qualificações para tornar-se um proprietário (23%);
- planos de herança (43%) e protocolo familiar (13%);
- estruturas como os encontros anuais gerais (42%), reuniões de conselho de acionistas (40%), de conselho familiar (34%) e a assembleia familiar (15%).
Ele destaca que a governança de uma empresa familiar é diferente da de outro tipo de companhia em função da presença da família e da influência que ela exerce no sistema.

Conselho para Empresas Familiares
Quanto maior a estabilidade que você oferece, melhor o funcionamento da empresa, e maior o valor do conselho de administração. Para Davis, um conselho é efetivo contém até dez membros, na sua maioria independentes. Um bom conselho também protege os interesses dos acionistas e da empresa. Por esse motivo, ele se posiciona contra a distribuição de dividendos para os seus membros. E justifica: “Se eles tiverem ações, pensarão como proprietários. É melhor que recebam apenas honorários”.

Davis também lembra que os membros do conselho têm de ser qualificados e ter mandatos definidos desde o início de sua atuação como conselheiros, “para não pensarem que é um cargo vitalício”. Ele sugere adotar a idade de 65 anos para a aposentadoria dos membros, sejam eles familiares ou não. “Um bom conselho costuma agilizar também um processo decisório. O custo deste conselho se paga pela qualidade das decisões e benefícios que essas decisões trazem para a empresa”.

Davis recomenda que a empresa familiar constitua conselhos administrativos ou consultivos, mesmo quando não são exigidos por lei (como no caso das S.A.s), pois são ferramentas importantes da governança corporativa, e observa que apenas 37% das empresas familiares adotam o conselho, enquanto 54% das empresas não-familiares o fazem. Esses índices foram levantados em pesquisa com as empresas brasileiras.

Mas há conselhos e conselhos. Davis explica que os conselhos variam em estrutura e funções. Alguns permanecem só no papel, há os “conselhos-carimbos”, que são mera formalidade e apenas aprovam as decisões do líder da empresa, e há os conselhos efetivos, que oferecem aconselhamento aos gestores. “O conselho consultivo não tem autoridade formal, enquanto que o administrativo toma algumas decisões e pode, inclusive, vetar decisões do presidente”, explica.

Embora a maioria das empresas prefira ter um conselho consultivo, John Davis não se posiciona em favor deste ou daquele, apenas chama a atenção para um ponto importante, que é o de que o conselho consultivo atue como orientador de verdade. E quais os benefícios de se ter um conselho na empresa?
- Diferentes perspectivas - oferecendo perspectivas úteis e diferentes da gestão
- Nível mais elevado de perspectivas - oferecendo uma perspectiva sobre o nível mais elevado negócio (ver a floresta, não apenas as árvores)
- Desafio de apoio dos negócios para a direção dos líderes da empresa - utilmente desafiando a direção da liderança da empresa
- Ajuda para que o líder da empresa atinja uma perspectiva estratégica - apoio ao líder na ordem de trabalhos e progressos encorajadores sobre esta ótica
- Identificação de mudanças e oportunidades - contribuindo para identificar e perseguir oportunidades e desafios.
- Melhor compreensão uma má situação - girando em torno do negócio familiar e restabelecendo a riqueza e herança da família
- Rompimento de impasses – ajudando gestores e proprietários de decidir questões cruciais para o negócio
- Objetividade nas grandes decisões - proporcionando um fórum para a tomada de decisão quando a família está dividida ou incerta: estratégia, sucessão
- Fortalecimento da disciplina familiar – restaurando a disciplina da família para os negócios
- Orientação da próxima geração – orientando e oferecendo mentoring para os membros da próxima geração

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Tags: administrativo conselho empresas familiares familias gestao governanca mudancas

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