A crise da Realização

Há uma lista de medos que faz com que não se corra mais os riscos que se deve correr, de não investir no momento que tem que se tem que investir, isso faz com que você acabe por acionar mecanismos que amortecem a consciência do que fazemos de errado e no final o medo acaba por transformar a nossa confiança natural na vida em desconfiança da existência, e aí vem a crise da Realização de forma sorrateira e sutil!

Tenho percebido de uma certa forma que muitos sujeitos de negócios como empresários, empreendedores, executivos e outros têm sofrido de uma certa crise de realização. Estão em busca de algo que muitas vezes se resume em faturamento, crescimento da empresa, condições socioeconômicas para si e em alguns casos para sua família. Porém, quando me aproximo e faço um mergulho buscando ampliar as minhas percepções noto que tem algo mais que isso, há uma certa frustração acompanhada por um estado de aprisionamento, que toma conta de todo espaço disponível que ele tem para se movimentar e pensar, fazendo com que o ceticismo se torne mais forte, que a falta de coerência se torne muito mais latente e além disso, no geral, demonstra-se sinais de amortecimento no impacto da realidade como ela é, como por exemplo, a falta de disposição em falar sobre assuntos relevantes e delicados.

No fim tudo que se faz e se percebe, esconde a mais pura realidade, a de que não se faz e se desempenha tanto quanto acreditava.

Essa falta de coragem em ver a realidade como é, se torna um vício que age silenciosamente no momento em que se precisa assumir um compromisso para ir além. Mesmo que seja com você mesmo, nas coisas mais simples do dia-a-dia, como por exemplo, parar de comer desmedidamente, levar os filhos na escola, dedicar um tempo a você e assim por diante. Existe promessa, mas não existe compromisso em fazer de verdade.

Essas faltas acabam por influenciar em outras áreas, principalmente as que acabam por condenar o seu desenvolvimento no mundo dos negócios e um exemplo claro é a busca por inovação, e veja como isso tem movimentado e provocado o mercado: tem muita empresa em que seus líderes sentem a importância desse quesito, mas como ir adiante se sentindo em falta e sem energia para buscar algo do tipo? A curiosidade sobre o caminho não existe em seu íntimo. Portanto não espere a elaboração de boas perguntas, que o colocaria em um bom movimento, que pode ser divertido inclusive, o que importa é a resposta pronta, e a boa pergunta é trocada por outra do tipo, pago quanto por ela? Essa é a conversa mais comum que vemos na prática.

Tudo pode ser comprado na visão dos que sofrem dessa crise de realização, mas nada pode ser criado, uma outra opção seria copiar, mas criar não.

Em geral existe uma falta de energia para dar continuidade daquilo que se criou e se estagnou, note que muitas empresas estão nessa triste situação há um bom tempo.

Estou trazendo para o nosso dia-a-dia essa reflexão para que tenhamos a convicção de que o mercado não tem culpa dos nossos resultados, um dos maiores venenos para a consciência que empreende e esta no comando de uma empresa ou de um projeto especial em busca de resultados abundantes é o medo e sua família, como o medo de dar certo, de agradar, de ficar sem, de morrer sem condições financeiras e assim por diante, assim nos comportamos nesse mercado azul e disponível.

Incrível dizer isso, mas essa família de medos faz com que não se corra mais os riscos quando se deve correr, de não investir no momento que tem que se tem que investir, faz com que você acabe por acionar mecanismos que amortecem a consciência do que fazemos de errado e no final o medo acaba por transformar a nossa confiança natural na vida em desconfiança da existência.

E olha que noto que, em geral, estamos passando por um momento muito mais delicado nesse quesito do que podemos imaginar, pois a falta de coragem para enxergar a realidade faz com que não exista disposição para realização, por isso que a crise ganha tantos adeptos assim, pois é mais fácil ficar preso nela do que se posicionar e assumir uma entrega dos negócios que nos leve para outro patamar de resultados.

Estamos numa era em que as pessoas falam muito de autoconhecimento, mas tem uma sutileza grande aí, no qual o verdadeiro autoconhecimento que pode fazer os líderes levarem seus negócios e projetos adiante é diferente do que vemos. Estou falando que para fazer a ponte e atravessar do mundo do medo para o mundo da confiança, da falta de resultado para os resultados abundantes, é preciso voltar a correr riscos e necessariamente para não sermos loucos desenfreados e muito menos abraçadores de árvores, precisamos conhecer de verdade, e não é parar tudo para conhecer e depois agir, essas coisas acontecem juntas e ao mesmo tempo.

Precisamos conhecer outras dimensões dos negócios, da empresa, das lideranças e de seus liderados, precisamos nos conhecer realmente, entrar em contato com as nossas insatisfações, sem colocar a culpa no outro e aí sim, criar o nosso impulso que pode mudar tudo, ou se preferir, a nossa motivação para a verdadeira mudança, que é a do olhar e não das coisas de lugar ou até das fórmulas prontas.

Mas quando estamos diante desse momento, com aquele friozinho na barriga, o medo pode agir e ligar o seguinte pensamento: É muito mais fácil deixar as coisas como estão, pois sempre será mais seguro, afinal desmontar um sistema já estruturado é criar um enorme problema e como controlar se não vou saber me manter no controle? Está aí um momento complicado, pois criamos o nosso maior problema, queremos dar certo, mas essa atitude incoerente e descompromissada nos faz renunciar o tesouro que há no caminho a ser desbravado.

Iniciamos ações, até que essas nos demonstram resultados rápidos e que estamos num bom caminho, mas é dar o primeiro problema que começamos a entrar num certo influxo ou algo que nos deixa abatido, nessa hora sempre há aquele reforço de pensamento no questionamento básico, será que fiz bem em fazer essa escolha?

O que não compreendemos e não aceitamos é que para dar certo temos que estar liberados, prontos e realmente envolvidos para valer, pois essas dificuldades que surgem são sempre caminhos que irão nos desenvolver.

Precisamos nos aprofundar e seguimos adiante, pois esse processo de liberação que precisamos fazer, geralmente é desagradável pois requer enfrentar a saída da zona de conforto. Quando nos colocamos em outro fluxo, esses pontos de superação se transformam em pontos de melhoria e história de superação.

Na prática conseguimos realmente sair dos achismos e nos tornar aquela referência de mercado que precisamos ser.

Isso sim é ser capaz de gerar os fatores de reputação e consequentemente a abundância de resultados econômicos e financeiros surgem e para isso precisamos pensar nas perguntas e não nas respostas.

Uma boa pergunta é: o que você tem feito efetivamente para sair do estado de medo e mudar os seus resultados?

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Tags: negocios; empreendedorismo; resultados. consciencia

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