A importância do storyteller para o Terceiros Setor: a arte de contar histórias para educar, capacitar e motivar voluntários e clientes, o bom exemplo do movimento escoteiro

Este artigo trata do uso do storyteller no terceiro setor apresentado sua utilização no movimento escoteiro como exemplo.

Nos últimos tempos tem se falado muito em storyteller e como ele pode ser importante para empresas, mas ainda se fala pouco do storyteller em Organizações Não Governamentais (ONGs) e demais instituições do terceiro setor.

Adilson Xavier em seu livro Storytelling Histórias que deixam marcas, apresenta o storyteller como a “tecnarte de elaborar e encadear cenas, dando-lhes um sentido envolvente que capte a atenção das pessoas e enseje a assimilação de uma ideia central”. Assim o storyteller nada mais é do que uma técnica de contar histórias que busca ensinar e/ou orientar.

Já o terceiro setor são as instituições privadas de utilidade pública e não-lucrativos muitas vezes composta em sua maioria por voluntários. Essas organizações cada vez mais vêm buscando profissionalizar sua gestão para alcançarem maior eficiência e eficácia.

Muitas dessas organizações têm storyteller presente desde de sua fundação como o movimento escoteiro onde o fundador contava histórias de suas aventuras como explorador e militar comparava os escoteiros com bravos cavaleiros errantes e contava histórias que buscava instruir adultos e crianças.

Apesar de esquecido o movimento escoteiro foi capaz de contribuir com a formação de grandes empresárias como Bill Gates, Walt Disney, Steven Spielberg e muitos outros que tiveram a oportunidade de conhecer no escotismo histórias de liderança, superação, valores, trabalho em equipe entre outras.

As histórias são contadas desde do primórdio do escotismo, sendo contadas para crianças e adultos voluntários, as crianças ouviam histórias de cavaleiros, como nesse trecho onde o fundador do escotismo Robert Stephenson Smyth Baden-Powell afirma "como os antigos cavaleiros, você, sendo um Escoteiro, é, sem dúvida, polido e atencioso com as mulheres, velhos e crianças. Mas, além disso, você é polido mesmo com aqueles que estão contra você. Aqueles que têm razão, não precisam perder a calma; aqueles que não têm razão, não podem se dar ao luxo de perdê-la." Baden-Powell (1986), nesse trecho podemos observa a instrução dos valores de educação, cortesia e respeito.

As histórias não buscam apenas educar as crianças, mas também servem para motivar a equipe de voluntários, fortalecer a cultura organizacional e auxiliar na capacitação estando presente em diversos momentos, um exemplo é visto quando o voluntario ao concluir sua formação recebe como prêmio uma cota de madeira em um colar de couro, um prêmio simples e singelo.

Apesar do pouco valor financeiro do símbolo, o storyteller é fascinante, pois a cotas de madeiras originais pereceram a um grande líder tribal africano que derrotado entregou um imenso colar decorado com cotas de madeiras ao fundador do escotismo.

As histórias estão presentes não só no amago da organização, mas também ao “vender seu produto” um candidato a escoteiro é recebido com histórias de aventuras e desafio além de contos sobre acampamentos, trilhas em matas, onde o jovem poderá dormir ao pé do fogo ou ainda praticar rapel, arvorismo, velejar, entre outras atividades naturalmente repleta de histórias contadas conforme a idade de cada de jovem e pelos próprios jovens que já são escoteiros. O storyteller é tão presente na organização que para criança de até 10 anos as atividades são baseadas no Livro do Jângal, de Rudyard Kipling, a famosa história do Mogli o menino lobo.

Aos pais o “produto” é uma educação pautada  em valores como honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso,respeito pela propriedade e auto-confiança.

Desta forma o storyteller no escotismo encanta crianças, jovens, adultos e voluntários sendo dentro da organização um cimento que uni seus membros tão forte que é capaz de atravessar países, continentes e culturas tão distintas, não é de se espantar a presença doescotismo em 216 países. Sendo este um bom exemplo de como ONGs podem utilizar o storyteller. 

Referencias

NAGY, Laszlo. 250 milhões de escoteiros. Rio Grande do Sul: Editado pela União dos
Escoteiros do Brasil, 1987.

 POWELL, Baden. Escotismo para Rapazes. Edição da Fraternidade Mundial. Rio: União dos Escoteiros do
Brasil – UEB, 1986.

XAVIER, Adilson. Storytelling: histórias que deixam marcas. Editora Best Seller,
2015.

 

 

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