A reinvenção das operadoras e a gestão corporativa de saúde

A Reinvenção das Operadoras e a Gestão Corporativa de Saúde

Qual será o futuro das Operadoras de Planos de Saúde?

Certamente, o modelo de operadoras de planos de saúde, como conhecemos hoje, sofrerá mudanças significativas, sendo que algumas já estão em andamento.

Inicialmente, as operadoras terceirizaram as suas áreas de vendas, fortalecendo e até mesmo criando grandes corretoras de seguros. A ideia era que pudessem dar foco na gestão de carteiras de Saúde de seus clientes, o que fazia bastante sentido. Isto funcionou por alguns anos, mas muitas coisas aconteceram de lá pra cá: muitas crises, dentro e fora do segmento; forte regulamentação; inflação médica elevada; perda de beneficiários; tudo o que temos acompanhado e discutido em reuniões, em eventos, nos corredores, na mídia e mesmo nas ruas.

Era preciso buscarmos soluções e elas já estão por aí. Assim como Uber, WhatsApp, Waze, Airbnb, só para citar alguns exemplos, tais iniciativas têm vindo de fora, ou seja, não são frutos da reinvenção das próprias empresas do setor. Aliás, a Uber entrou recentemente no segmento da Saúde. Chinesas como a Alibaba e Tencent atuam há algum tempo em consultas médicas on-line e sistemas de controle de medicamentos. Recentemente passaram a fortalecer as suas soluções com o uso de inteligência artificial.

Preocupadas em domarem e superarem suas crises financeiras, e com a maior competição entre elas, as operadoras abriram brechas para que empresas fossem criadas e para que outras criassem ofertas de Gestão Corporativa de Saúde. É o caso da Aon, da benCorp, da GST Gesto, da Deloitte e outras, que por meio de estudos epidemiológicos, muita tecnologia da informação, processos, monitoramento de pacientes, especialmente os com casos crônicos, ações de prevenção de doenças e promoção da saúde, oferecem serviços que antes eram exclusividade de algumas operadoras de planos de saúde. Mas há operadoras que já estão atuando de forma diferente e mais inovadora: Optum e Healthways, que pertencem a grupos de duas das maiores brasileiras, atuam exatamente com esta oferta.

Outro fator importante neste cenário foi o surgimento das chamadas "clínicas populares". Embora algumas pessoas pensem que essas clínicas surgiram há pouco tempo, Adiel Fares criou a Clínica Fares há mais de 30 anos, exatamente no modelo das mais recentes Dr. Consulta, Doutor Agora e MegaMed, por exemplo. Com foco em pacientes particulares das classes C e D, também competem por uma fatia dos clientes das operadoras de planos de saúde. Aliás, ainda não está muito claro para o mercado como será a relação entre tais clinicas e as operadoras, em futuro breve. Serão aliados ou competidores?

Mais recentemente, começaram a aparecer as plataformas digitais que se propõem a competir com os planos tradicionais ou regulamentados. São a modernização de modelos mais antigos de Tabelas de Descontos, que ficaram famosos por meio da empresa Nippomed. E há aqui um enorme ponto a ser observado e monitorado: a regulamentação, ou não, dessas novas ofertas por parte da ANS. A Vida Class alega que não se envolve na definição dos preços cobrados pelos médicos e outros prestadores, mas que os orientam a oferecer preços competitivos em sua plataforma. A Cognizant Healthcare criou uma plataforma que se propõe a atender a chamada estrutura “Triple Aim”, tornando o atendimento mais objetivo e resultando em melhor experiência dos pacientes. Para isso utiliza ferramentas de social, móvel, analytics e nuvem, e promete estimular o engajamento no tratamento e na mudança para hábitos de vida mais saudáveis.

Mas há algo ainda mais novo! Os hospitais estão criando suas próprias áreas de Gestão Corporativa de Saúde, como é o caso do Hospital Sírio-Libanês e do Leforte. Por hora, o modelo está sendo testado apenas entre os próprios colaboradores desses hospitais. Assim que tudo for validado, iremos presenciar "mini sistemas de saúde corporativos", onde as Operadoras parecem ter pouco ou nenhum protagonismo. É um movimento comportamental de consumo, iniciado no segmento B2C, no qual o objetivo é a eliminação de intermediários que não ofereçam claro valor à cadeia. São os hospitais buscando os seus pacientes "diretamente na fonte": as empresas; as verdadeiras fontes pagadoras. E isso tudo não começou no Brasil. Empresas como Apple, Amazon + Buffett + JP Morgan, Wallmart, entre outras, já criaram os seus "sistemas próprios de saúde", também dirigindo a oferta inicialmente apenas para os seus colaboradores.

Este movimento é irreversível. Com tudo isso, eu peço que você me responda: Qual será o futuro das Operadoras de Planos de Saúde?

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