Amor


AMOR
DOMINAÇÃO OU SUBMISSÃO?

Baseado nos livros: A Arte de Amar, O Coração do Homem: Eric Fromm,
Textos: Elizabeth Queiroz,- Psicanalista. Registro Terapêutico SBPH nº 2009.
Email: elizabeth.tibet@gmail.com ; psicoterapias.integradas@gmail.com – Fone: 011 – 32052936- 97726039.

O amor pode ser reconhecido como uma resposta amadurecida do problema da existência humana, ou pelas formas imaturas que são conhecidas como “União Simbiótica”.
A união simbiótica tem seu modelo biológico na relação entre a mãe grávida e seu feto, vivem juntos e necessitam um do outro.
Na união simbiótica psíquica os dois corpos são independentes, mas a mesma espécie de ligação existe psicologicamente.
A “forma passiva” de união simbiótica é o da submissão, ou pelo termo clínico, “masoquismo”.
A pessoa masoquista foge da angustia de separação, tornando-se parte da outra pessoa (projeção).
O masoquista não toma decisões isoladas e não precisa assumir riscos, nunca está só, mas não é independente, ainda não nasceu totalmente. No amor masoquista, o mecanismo essencial é a idolatria. A relação masoquista se mistura com o desejo sexual, saindo assim da área psíquica e entra no campo físico e corporal (perversão).
Existe também a “forma ativa” dessa fusão simbiótica, e usando o termo clínico, o sadismo. A pessoa sádica quer escapar da solidão, fazendo com que outra pessoa faça parte de si mesmo, incorpora a outra pessoa. (introjeção). Formando assim uma simbiose neurótica, uma não pode viver sem a outra.
A pessoa sádica, ordena, humilha, explora e a masoquista, é mandada, explorada, ferida e humilhada.
Spinoza foi o primeiro a diferenciar os afetos entre ativos e passivos, ações e paixões. A inveja, o ciúmes, a ambição, qualquer espécie de cobiça, são paixões. O amor é uma ação, a prática de um poder humano, que só pode ser exercido na liberdade e nunca como resultado de uma compulsão. O amor é uma atividade e não um afeto passivo.
O caráter ativo do amor se consiste em dar e não em receber. O amor é uma força capaz de produzir o amor. Impotência é a incapacidade de produzir o amor e o que faz a pessoa atraente aos olhos das outras é a capacidade de amar.
A capacidade de dar, depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. Além do elemento dar, no caráter ativo do amor, existem elementos básicos comuns a toda a forma de amor, são eles; cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.
A necessidade básica da fusão com outra pessoa, de modo a transcender a prisão da própria separação, relaciona-se com outro desejo do ser humano, o de conhecer o segredo do homem e existe apenas um meio de conhecer o segredo; é o completo poder sobre a outra pessoa, possessão. E o grau derradeiro dessa tentativa de conhecer reside nos extremos do sadismo, desejo e capacidade de fazer um ser humano sofrer, tortura-lo e força-lo a trair seu segredo em seu sofrimento. Nessa necessidade de penetração no segredo do homem, está uma motivação essencial da crueldade e da destruição.
A crueldade em si é motivada por algo mais profundo; o desejo de conhecer o segredo das coisas e da vida. O segredo é amar. O amor é penetração ativa na outra pessoa, e o desejo de conhecer o segredo é destilado pela união. O sadismo é motivado pelo desejo de conhecer o segredo, e contudo permanece tão ignorante quanto era antes.
Freud em seu escrito “Psicologia de Grupo” fez o seguinte comentário sobre essa abertura simbólica para o outro: - Em muitas formas de escolha amorosa, é fato evidente que o objeto serve de sucedâneo para algum inatingido ideal do ego de nós mesmos. Nós o amamos por causa das perfeições que nos esforçamos por conseguir para nosso próprio ego e que agora gostaríamos de adquirir, dessa maneira indireta, como meio de satisfazer nosso narcisismo.
Até agora falamos do amor como superação da separação humana. Porem acima da necessidade existencial da união ergue-se outra, a biológica, o desejo de união entre os pólos masculinos e femininos. Essa idéia de polarização é reforçada pelo mito de que originalmente o homem e a mulher eram um só, de que foram partidos ao meio e daí por diante, cada ser masculino vem procurando a parte feminina de si mesmo, a fim de voltar a unir-se com ela. Essa metáfora também está na bíblia, no Gêneses, reforça a idéia da bi-sexualidade proposta por Freud, de Animus e Anima por Jung, e da consciência pré-natal do feto, antes da definição da sexualidade, que só acontece a partir da terceira semana de gestação.
O desvio homossexual é exatamente o fracasso em atingir essa união polarizada, e por isso o homossexual sofre a dor da separação nunca solucionada, fracasso que é compartilhada com o heterossexual comum que não consegue amar.
A atração sexual é apenas em parte motivada pela necessidade de remover esta tensão. Existe masculinidade e feminilidade no caráter, tanto quanto na vida sexual, muitas vezes se os traços do caráter masculino de um homem se enfraquecem, porque ele permanece emocionalmente criança, e tentará compensar essa falta pela acentuação exclusiva sobre seu papel masculino no sexo. O resultado é o Don Juan que necessita provar a sua potencialidade masculina no sexo, por estar inseguro da sua masculinidade. Quando a paralisia de masculinidade é mais extrema o uso da força, ou sadismo, torna-se substituto principal e pervertido da masculinidade. Se a sexualidade feminina se enfraquece ou perverte, transforma-se em masoquismo, ou possessividade.
O amor erótico é o anseio de fusão com a outra pessoa, é também talvez a mais enganosa forma de amor que existe. O desejo sexual pode ser estimulado pela ansiedade da solidão, pela vontade de conquistar ou ser conquistado pela vaidade, pelo gosto de ferir e mesmo destruir inconsciente, assim como pode ser estimulado realmente pelo amor. Se o desejo de união física, não for estimulado pelo amor, se o amor erótico também não for amor fraterno. Nunca levará a união mais que num sentido orgíaco e transitório.
Voltando a falar da destruição – formas malignas da destrutividade, precisamos abordar as formas patológicas da violência.
A distinção entre os vários tipos de violência se baseia em motivação inconsciente. Geralmente a violência tem suas raízes no medo, medo real ou imaginário, consciente ou inconsciente. As pessoas sentem-se ameaçadas e para defender-se dispõem-se a matar e destruir. No caso das ilusões paranóides de perseguição encontramos o mesmo mecanismo numa base individual. A violência reativa é produzida por frustração, quando um desejo ou necessidade é frustrado. Relacionada com a agressão resultante da frustração, há a hostilidade gerada por inveja e ciúmes, outro tipo de violência relacionada com violência reativa, está numa direção mais patológica é a violência vingativa. Na reativa, o fim é evitar a ameaça e por isso essa violência serve à função biológica da sobrevivência. Na vingativa pelo contrário, o mal já foi feito e por isso a violência não tem função defensiva. Tem função irracional, de desfazer magicamente o que foi feito realisticamente. Dois fatores exercem papel decisivo, no primeiro o ambiente de escassez psíquica impregna o indivíduo e torna a vingança um meio necessário para restituir a perda, o segundo é o narcisismo. Vamos falar agora de violência compensatória, que é a forma mais patológica, porem a menos drástica que a necrofilia.
A violência compensatória é empregada como substituta de atividade produtiva por uma pessoa impotente.
O homem impotente, se tem uma faca ou um revolver pode transcender a vida destruindo-a em outros e em si mesmo, assim vinga-se da vida por ter se negado a ele. A violência compensatória , é exatamente a violência oriunda da impotência e que serve de compensação para está, relacionado de perto com a violência compensatória existe o impulso para o controle absoluto e completo sobre um ser vivo, esse impulso é a essência do sadismo. Todos as diversas formas de sadismo. Remontam à um impulso básico, o de exercer domínio completo sobre outra pessoa, torna-la um objeto indefeso à nossa vontade, tornar-se o Deus dela, humilha-la, escraviza-la. O prazer do domínio completo sobre outra pessoa, é a essência do impulso sádico. Existe ainda um ultimo tipo de violência, a “sede de sangue”, ainda envolvida em seu vinculo com a natureza (instinto) . A sua paixão de matar é uma forma de transcender a vida. No homem que busca uma solução para a vida, regressando a um estado de existência, pré individual, virando animal, o sangue se torna a essência da vida. Matar passa a ser a grande embriagues, a grande auto-afirmação. Reciprocamente ser morto é a única alternativa para matar. Quando a vida estiver saciada com sangue, ela estará pronta para ser morta, nesse sentido matar não é amor à morte, é afirmação e transcendência da vida no plano da mais profunda regressão.


Conexão Interna
Texto: Elizabeth Queiroz - Psicanalista: Registro Terapêutico SBPH - Nº 2009
Email: elizabeth.tibet@gmail.com ; psicoterapias.integradas@gmail.com _ Fone: 011- 3205 2936 – 9772 6039

CO-DEPENDÊNCIA AFETIVA

As vezes nos defrontamos com situações emocionais singulares, difíceis, mas aparentemente normal, afinal todos nós temos problemas afetivos, certo?... Errado!
Comportamentos afetivos que nos parecem tão familiares e generosos, é um dos grandes males da nossa sociedade atual, e a fonte de grande sofrimento para uma parcela considerável da nossa população
– A Síndrome da Co-Dependência Afetiva . O termo, conhecido principalmente nas esferas psicanalíticas, define a síndrome das pessoas que só sabem estabelecer relacionamentos baseados em problemas, brigas, como diz o ditado popular entre tapas e beijos.

Um co-dependente é uma pessoa que desenvolve relações baseadas em problemas. São relações pouco saudáveis, em todas as esferas. O foco está sempre no outro e o vínculo não é o amor ou a amizade, mas a doença, o poder e o controle. No fundo, o co-dependente acredita que pode mudar os outros e seus relacionamentos são criados não com a perspectiva de respeitar as pessoas, mas de ensinar o que acredita ser melhor para elas. O co-dependente é motivado pelo desejo de transformar o outro - e mandar nele ou como vimos no texto acima, ser dominado pelo outro.

Com certeza você, conhece um casal assim, ou mesmo já vivenciou uma relação, baseada na co- dependência afetiva. Por exemplo, um caso clássico: A mulher que casa com um drogado achando que ela pode ajudá-lo a parar com o vício. Só que ele só vai parar, se ele próprio quiser parar. Essa mulher entra nesse casamento porque provavelmente tem um histórico que a torna dependente da 'adrenalina' que experimenta na relação. Ela melhora sua auto-estima sentindo-se necessária para o marido. Ele, por sua vez, nunca vai se livrar do vício enquanto se escorar nela. O vínculo desse casal não é o amor, mas a doença que eles têm em comum. É a dinâmica em torno do vício.

Quando você analisa os casos de dependência, percebe que, além da predisposição genética, existe a disfuncionalidade da família. As duas coisas se somam, mas não dá para saber qual é a causa. Se houver predisposição genética, mas a família for saudável, pode ser que o vício não se desenvolva. Numa família saudável ninguém usa drogas ou abusa de álcool. Também sabemos que o viciado só vai se curar se a família inteira entrar em tratamento. Ou, em outra hipótese, se ele se distanciar emocionalmente da família, que geralmente é o fator reativo.
Nem sempre existe algum dependente de drogas ou de álcool na família de um co-dependente. Na família de um viciado, todos são co-dependentes, mas, nem todo co-dependente tem um viciado na família. Fica mais fácil enxergar a síndrome quando existe o vício, mas o problema é muito mais amplo do que isso.

Geralmente a co-dependência se manifesta quando não está associada ao vício.
Em relações neuróticas de qualquer natureza: entre pais e filhos, marido e mulher, namorados, chefe e subalterno, entre amigos, até mesmo entre um terapeuta e seu paciente. Aquele amigo que todo mundo gosta de consultar quando tem um problema pode ser um co-dependente. Ele adora dar conselhos e sempre começa com a clássica frase 'Se eu fosse você...'. Esse conselho não é bom. Ele é diferente de você e o que é bom para ele provavelmente não será bom para você. Ele não está respeitando a sua personalidade nessa conversa, está tentando fazer você agir como ele, transformá-lo. Enfim, são relações de poder que descambam para o controle. O co-dependente joga o foco na outra pessoa, faz muito por ela e pouco por si. Não porque seja altruísta, mas porque se acha onipotente. Controlando a vida de outra pessoa, ele acredita que a dele estará sob controle também. O codependente tem muito medo de ficar sozinho, por isso faz tudo para garantir afeto e se sentir indispensável - até mesmo alimentar a fraqueza alheia.
Por exemplo - Há o caso de uma mulher co-dependente, casada com um alcoolatra. Toda vez que ele melhorava, ela se desestruturava completamente e a relação entrava em crise. Ela tinha medo de perdê-lo se ele não precisasse mais dela para lutar contra o vício. Uma vez ela se jogou no chão, diante da porta, para impedir que ele saísse de casa.
Os dois são vitimas nesse tipo de história. Existe uma alternância de papéis, um se alimenta do outro, mas o co-dependente sofre desesperadamente. Ele se mede pelo sentimento do outro em relação a ele, como uma criança faz com seus pais. A pessoa se sente incompleta sem o outro, busca no outro o que lhe falta. Há expressões típicas usadas pelos co-dependentes: 'Fulano é minha cara-metade', 'Fulana é minha alma gêmea' ou 'o ar que eu respiro'.
Essa síndrome se desenvolve de uma forma muito simples. O co-dependente vem de uma família disfuncional e sofreu algum tipo de abuso na infância: mensagens controversas emitidas pelos pais, abuso físico e assim por diante. Essas mensagens controversas são aparentemente inocentes, mas fazem grande estrago. São coisas do tipo 'estou batendo em você porque o amo'. Dá um nó na cabeça da criança, e ela inconscientemente associa o amor à violência física. A co-dependência também se apresenta em adultos que, quando jovens, presenciaram situações de conflito entre familiares ou eram usados por um dos pais para obter coisas junto ao outro.
"As crianças crescem recebendo estímulos de co-dependência no dia-a-dia porque nossa sociedade é doente. Exalta casais que se completam e a busca de almas gêmeas, como se ninguém fosse inteiro."
"Pais que brigam na frente dos filhos ou que os usam para atingir um ao outro dão um nó na cabeça deles. Frases como 'Estou batendo em você porque o amo' também provocam grande dano a longo prazo."
A síndrome afetiva atinge mais as mulheres. A tradição judaico-cristã estimula o altruísmo, o sacrifício e a culpa em todos, independentemente do sexo. Mas nossa cultura exerce uma pressão muito grande para que a mulher assuma papéis que, se extremados, podem levar à co-dependência. Ela é criada para ser mais doadora, mais maternal, a grande Mãe, e isso a deixa mais suscetível.
Nossa sociedade é extremamente individualista, mas prega o eu de forma equivocada, desequilibrada, sem respeito nenhum pelo alheio. 'Vale tudo para eu me dar bem, até mesmo passar por cima do outro.'
O co-dependente é alguém controlador, exigente consigo mesmo e com os outros, com baixa auto-estima, minucioso, rígido, com dificuldade de perdoar e compreender, muito crítico mas refratário a críticas. Todo mundo reconhece esses comportamentos. Mas é preciso avaliar quantos desses sintomas a pessoa tem, em que intensidade e com que freqüência. É isso que faz a diferença entre uma pessoa que se preocupa com os outros e um co-dependente. É como o fetichismo, por exemplo. A pessoa pode gostar de uma mulher com determinada peça de roupa, mas não ser necessariamente um fetichista, alguém que só consegue se excitar se a pessoa desejada vestir a peça.

O Controle
"Precisamos mudar nossa atitude e passar a cuidar das nossas emoções, crenças e dos nossos pensamentos da mesma maneira que cuidamos do nosso corpo."
"A recuperação começa quando o co-dependente conquista distanciamento emocional: deixa de falar do outro, deixa de pensar no outro, volta-se para si mesmo e estabelece limites para não invadir ou ser invadido."
O tratamento geralmente se consiste em psicanálise, em consultório, e também em grupos de Co-dependentes . No consultório, tenta-se resgatar a criança que foi ferida na família disfuncional. No grupo, lida-se com a culpa e a vergonha. O co-dependente não é criticado. Ao contrário, vê que há várias pessoas como ele. Assim, não se sente isolado e consegue melhorar sua auto-estima.
É difícil falar em cura, é melhor falar em controle e conscientização, porque é uma síndrome emocional, é diferente do vício em drogas, em que geralmente há uma dependência química e física. No entanto, as pessoas só admitem a doença e procuram terapia quando a vida fica incontrolável.










Avalie este artigo:
(0)
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

Fique informado

Receba gratuitamente notícias sobre Administração