Aonde foi parar o ‘plus’?

O mais simples pode ser o mais importante, já pensou nisso? Seja nas relações pessoais ou profissionais. Confira este novo artigo do Consultor e Coach Uilker Benkendorf e entenda o poder transformador de fazer algo inesperado por alguém.

A palavra ‘plus’ está relacionada a ação de fazer algo a mais, algo extra, algo adicional. Por mais que esse assunto seja amplamente debatido em reuniões ou conversas informais, poucas empresas e pessoas entendem de fato o poder transformador de fazer algo inesperado por um cliente ou por um funcionário.

Por que algo tão simples é tão complexo na prática? Por que ‘pensar fora da caixa’ é tão difícil, sendo natural para a maioria das pessoas? Sim, é natural! Pensar fora da caixa não é como ‘descobrir a roda’, mas ajuda a entender o ambiente em que estamos
inseridos e racionalizar possíveis mudanças ou ideias. Não sei vocês, mas por
mais que eu tente fazer o contrário, estou sempre pensando em muitas coisas ao
mesmo tempo e nestes momentos surgem inevitavelmente ideias mais simples ou
estapafúrdias que podem ou não ter aplicabilidade prática no dia a dia.

Tirando de lado questões mais complexas, por que o básico não é feito? Na minha modesta opinião, o ‘plus’ é mais do que enxergar uma ação inovadora, é simplesmente a ação de fazer algo que não é rotineiro, que não é padrão.

Muitas vezes, recorremos a grandes personalidades para ilustrar o básico. Dale Carnegie, grande escritor e orador norte-americano, cita em seu “Livro de Ouro” atitudes básicas que deveriam ser seguidas como regras, para que você atinja patamares avançados de performance em várias áreas da vida. Veja o nível de ‘complexidade’ de algumas ações:

Torne-se, verdadeiramente, interessado na outra pessoa;

Sorria;

Seja um bom ouvinte. Incentive as pessoas a falarem sobre elas mesmas;

Faça a outra pessoa sentir-se importante e faça-o com sinceridade;

Se estiver errado, reconheça o seu erro rápida e enfaticamente;

Comece com um elogio e uma apreciação sincera;

Empregue o incentivo. Torne o erro mais fácil de ser corrigido.

Entre outros. Em resumo, questões básicas que deveriam ser praticadas com mais frequência em negociações e conversas para que relações fossem maximizadas. Vejam que a base não está vinculada a fórmulas mirabolantes mas, sim, a gestos simples que marcam e criam profundas raízes, transformando tudo com alicerces sólidos, ou seja, com confiança e credibilidade.

Muitas vezes, ficamos tão preocupados em construir algo inovador que esquecemos de questões muito simples que, se fossem praticadas com frequência, trariam resultados mais extraordinários que grandes investimentos em ferramentas sofisticadas.

E o mais bacana (ou não) dessas ações é que tudo se propaga. O bom e infelizmente o ruim. Gosto muito de uma teoria de Augusto Cury, descrita no livro “O futuro da Humanidade”, que trata da Corresponsabilidade Inevitável. Ele diz que todos nós somos influenciados pelos outros. Todos os nossos atos, quer sejam conscientes ou inconscientes, quer sejam atitudes construtivas ou destrutivas, alteram os acontecimentos e o desenvolvimento da própria humanidade. Ele aponta neste livro que nossos comportamentos afetam de três maneiras as pessoas: alteram o tempo delas; alteram a memória delas, através do registro desses comportamentos, e alteram a qualidade e frequência de suas reações. Alterando o tempo, a memória e as reações das pessoas, modificamos seu futuro e sua história.

Isto significa que para mudarmos algum comportamento, basta o incorporarmos como uma rotina, pois ele vai se propagar. Se você privilegiar ações positivas, inevitavelmente você maximizará reações positivas ao seu redor. Se você sorrir, elogiar, aprender a ouvir, for sincero, potencializar os pontos positivos em detrimento dos negativos, praticar a humildade, entre outras coisas, isso se transformará em uma cadeia inevitável
de mudanças e de postura que ao longo do tempo farão diferença no seu negócio e
nas suas relações. Um detalhe muito importante: os nossos valores são “imãs”
poderosos. Faça um exercício! Pratique e fale daquilo que você acredita com
veemência. Existem duas reações imediatas: atração ou reação.

Cito como exemplo o nosso trabalho. Assim como todas as outras empresas, a Florença está envolvida diretamente em ações e no desenvolvimento de soluções que possam transformar a realidade dos nossos clientes e das pessoas envolvidas e, em nosso trabalho social, em ações e soluções que possam transformar a vida das pessoas.

A cada novo trabalho e a cada nova ação, o intuito é transformar, quebrando rotinas, trazendo soluções e mudando paradigmas. Mas, uma boa parte do sucesso dessas ações está relacionado diretamente à forma como fazemos as coisas. Assim como em muitos projetos e outras empresas, há muito esforço envolvido, dedicação e pensamento no que pode surpreender o cliente, mas o que faz realmente a diferença é a forma como todo o processo é conduzido, com base em nosso propósito maior e em nossos valores como consultores e gestores.

Eu poderia usar exemplos externos, mas não existe nada melhor do que falar da nossa realidade e do privilégio de poder pensar nos outros com um olhar que vai além da solução técnica.

Voltando ao ‘plus’, é isso que temos que racionalizar constantemente. O que o outro precisa de fato? De mais desconto ou de algo que traga confiança? De argumentos técnicos ou de exemplos que evidenciem credibilidade? No aspecto pessoal, de disposição para discutir ou de sabedoria para pedir perdão? No trabalho social, a ênfase exclusiva em uma série de regras de conduta ou um abraço que pode transformar uma vida?

A solução muitas vezes está na frente dos nossos olhos e não custa muito. Repense e exercite o que faz bem, e lembre-se que a mudança consistente não é a que é executada em tempo mais rápido, mas, sim, a que cria perenidade, ou seja, que permanece impregnada na cultura das pessoas e dos profissionais.

 

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