As duas piadas que deram certo e provaram que o mundo deu errado

Donald Trump e Kim Jong-Un não eram levados a sério até bem pouco tempo atrás. Agora são os responsáveis por decidir se entramos ou não numa nova era de tensão nuclear

Cheguei à conclusão de que, se não exercitamos a leitura crítica do mundo pelas vias tradicionais (lendo, debatendo, ouvindo pensadores de diferentes matizes etc.), que comecemos pelo menos a ver um pouco mais de... desenhos animados. É sério. Essa não é a primeira piada. Nas histórias infantis de heróis, um dos perfis mais populares entre os vilões é o dos bestalhões, menosprezados por todo mundo, vistos como piadas, que acabam ganhando força e colocando a paz mundial em risco. Lembre-se, por exemplo, do Gurincrível, o pequeno fã do Sr. Incrível que, desprezado durante toda a vida pelo ídolo, acabou virando um super malvado. Ninguém lhe dava crédito, mas ele foi bem longe. A história do retardado Vector, de Meu Malvado Favorito, é semelhante. E os exemplos não acabam, basta procurar.

Mas, e aí, o que isso tem a ver com a vida real?

Donald Trump e Kim Jong-Un são, assim como o Gurincrível e Vector, duas piadas que deram "certo". Pouca gente achava que Trump poderia vencer. Os americanos o subestimaram. Os democratas o subestimaram. Kim Jong-Un nunca foi levado a sério pelo mundo. Todos sempre acharam que era só um falastrão, que ficava ameaçando soltar umas bombinhas na Coreia do Sul quando queria mover alguma peça em seu favor no tabuleiro geopolítico, mas que não tinha arsenal nem para brincar de tiro ao alvo no quintal. 

O que aconteceu: Donald Trump se tornou o homem mais poderoso do mundo. E Kim Jong-Un finalmente conseguiu colocar uma ogiva nuclear num foguete capaz de alcançar Seattle, nos EUA (a inteligência americana reconheceu). E o planeta chegou a um ponto de onde não tem mais volta. No Ocidente, temos um louco disposto a brincar de guerra com outro louco do Oriente, que tem a mesma disposição.

A Coreia do Norte finalmente conseguiu construir seu instrumento de dissuasão bélica. Agora pode negociar de igual para igual com as potências nucleares que têm lhe imposto sanções, mesmo sendo um nanico na economia global. O tempo de intervir belicamente para impedi-lo de desenvolver uma arma nuclear passou. Mesmo assim, Trump tem feito declarações que demonstram uma percepção diferente. 

Um conflito nuclear nos dias de hoje parecia inconcebível. Mas tudo é possível quando lunáticos são os responsáveis por apertar o botão. Isso vale para o mundo, nesse caso. Mas vale para as organizações, para as prefeituras, os governos estaduais, nossa presidência da República.

Mais do que em qualquer outro momento, é tempo de refletirmos bem antes de decidirmos a quem vamos dar o poder de tomar decisões por nós.

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