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Em defesa da compaixão nos negócios

O termo 'responsabilidade social corporativa' virou comum no mundo dos negócios. Qual a vantagem para as empresas?

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O doutor Larry Brilliant entrou em uma multidão numa estação de trem na Índia e uma mulher em pânico entregou seu filho para ele, implorando por uma cura. A criança, percebeu Dr. Brilliant, tinha manchas de varíola da cabeça aos pés e já estava morta.

Dr. Brilliant estava nessa estação de trem em Tata Nagar - uma espécie de Pittsburgh da Índia - para descobrir por que a varíola estava se espalhando de lá para todas as partes da Índia. A equipe Organização Mundial da Saúde que combatia a doença havia visto a doença diminuir em todos os lugares, até esse surto.

Aquela criança foi a gota d'água para Dr. Brilliant. Ele foi até a casa do gerente das fábricas da Tata Industries naquela cidade, pedindo ajuda. E, embora os executivos da Tata não soubesse que aquilo estava acontecendo até então, eles ajudaram: doaram meio milhão de dólares (muito mais no câmbio atual), 50 jeeps e o tempo de milhares de funcionários da Tata que se voluntariaram para mapear novos casos.

O ato corporativo teve um impacto humanitário enorme: um ano depois, o último caso de varíola no mundo foi registrado.

A história completa, um testamento das possibilidades da cooperação global em nome da humanidade, é contada no fascinante livro de Dr. Brilliant, Sometimes Brilliant.
Eu e ele estávamos conversando sobre como empresas podem fazer o bem, não apenas financeiramente bem, durante a Dreamforce, a conferência anual organizada pela Salesforce. O que a empresa Tata fez, eu disse, me lembrou da política de 1:1:1 da Salesforce - um por cento das pessoas, lucro e produto para a caridade.

Muitas empresas hoje em dia possuem esforços similares para atingir objetivos humanitários, e incentivam os funcionários a usarem um pouco de tempo nisso. 'Responsabilidade social corporativa' é um dos muitos termos utilizados para isso. A Patagonia aparece como uma empresa que tornou as questões ambientais e sociais inerentes da marca.

Em meu próprio livro, A Force for Good, Dalai Lama argumenta a favor do mérito de tais esforços, uma maneira de conter a tendência dos ricos serem insensíveis com aqueles que precisam.

Mas isso levanta uma questão que qualquer empresa encara: como você pode justificar o uso de recursos - seja dinheiro, o tempo das pessoas ou produto - quando há a responsabilidade fiduciária aos investidores para maximizar o produto? Eu fiz essa pergunta para o Dr. Brilliant, que durante sua carreira fez parte de diversas empresas, incluindo sua antiga startup tecnológica, e foi o primeiro responsável pela Google.org, o ramo filantrópico da marca.

Estávamos sendo assistidos por cerca de cinco mil pessoas num salão no Centro de Convenções de Moscone em São Francisco, em um evento que também estava sendo transmitido ao vivo para outras cinquenta mil. E a resposta de Dr. Brilliant foi ovacionada pelo público: "Existe um valor excepcional", ele disse, "em reter os melhores talentos. E ninguém quer trabalhar para um filho da mãe".

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