Gerenciamento de Mudanças & Recursos Humanos

Você conhece o "Filtro Triplo"? Ele pode ser útil, entre outras coisas, para reduzir a margem de boicotes éticos.

Nascido em Atenas, 470 a.C. , Sócrates, considerado patrono da filosofia, por ter conseguido reconhecer a própria ignorância e, fazer dela uma fonte de pesquisas críticas; construía suas hipóteses através da dialética, visando chamar a atenção dos astrônomos da época – preocupados apenas com as origens do ser e do universo - para uma necessidade maior: uma gestão de mudanças capaz de adotar padrões mais probos, embasados na ética, a partir do autoconhecimento.
Isso porque, para Sócrates – e, quem sabe, também para você?! – mesmo que não haja nenhuma irracionalidade deliberada, se alguém pratica o mal, é porque ignora valores éticos.

Na tentativa de fazer com que uma pessoa não fosse maledicente, Sócrates a induziu ao autoquestionamento, para que refletisse sobre a importância da verdade, da bondade e da utilidade – princípios transversais éticos – utilizando para tanto, seu método dialético, para elucidar o que hoje se conhece como “Filtro Triplo”:

“«Sabes o que ouvi sobre o teu amigo?». «Espera um momento - replicou Sócrates -, antes de me falares sobre o meu amigo, pode ser uma boa ideia filtrar três vezes o que vais dizer. «O primeiro filtro é a verdade: estás absolutamente seguro de que o que vais dizer-me é certo?» «Não - disse o homem -, na realidade ouvir falar sobre isso e...» «Bem - disse Sócrates -, então não sabes se é certo ou não. Permita-me agora aplicar o segundo filtro, a bondade: é algo bom o que me vais dizer sobre o meu amigo?» «Não - disse o homem -, pelo contrário.» «Então - respondeu Sócrates - desejas dizer-me algo de mal sobre ele, mas não estás seguro de que esteja certo. Mas ainda assim poderia querer ouvi-lo... Só que me falta o terceiro filtro, o da utilidade: serve-me de alguma coisa saber o que vais dizer-me do meu amigo?» «Não - disse o homem -, a verdade é que não.» «Bem - concluiu Sócrates -, se o que desejas dizer-me não sabes se é certo, nem é algo de bom e inclusivamente não é algo útil para mim, para que quero sabê-lo?» Desta forma Sócrates cortou o comentário que pretendiam dizer-lhe sobre o seu amigo.” (Disponível em: <http://www.snpcultura.org/o_triplo_filtro_de_socrates.html>. Acesso em: maio/2015)

Levando-se em grande consideração que na atualidade, as organizações necessitam caminhar conforme a Lei 12.846/13 (Compliance) para que consigam sustentar-se, caberá ainda na linha de importância frente a um dos papeis em Recursos Humanos, atuar como parceiro de gerenciamento para mudanças mais éticas, oferecendo suporte comunicativo estratégico suficiente em demandas que, se relacionem a esse tipo de comportamentos no público interno.

E, sendo fato que nesse processo a comunicação deva ser direcionada, sugiro que uma das formas possa ser justamente a do diálogo em sintonia com a razão, tal qual, utilizada por Sócrates, para que por autossugestão, os colaboradores possam sofrer a influência propícia do meio, de forma que apoiem e reforcem o Gerenciamento de Mudanças, diminuindo a margem para boicotes éticos.

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