Gestão e agronegócio

As ferramentas de gestão fazem a diferença para quem quer fazer sucesso no agronegócio. Se a produção de grãos no Brasil já tem status de "Agricultura de precisão", o mesmo não podemos dizer da pecuária de corte.Ela ainda é administrada de forma conservadora e tradicional. É hora do fazendeiro virar empresário rural

Há muito que o Brasil é destaque no agronegócio mundial, sendo hoje um dos mais importantes “players”, na produção de alimentos para o planeta. Sejam de commoditties como soja, milho, café, açúcar ou de proteína animal como carnes bovina, suína e frango. Estima-se que há disponível no território brasileiro cerca de 62 milhões de hectares de terra em condições de produzir e 200 milhões em pastagens, sendo que destes, 90 milhões aptos para agricultura. 

E para atender a uma demanda cada vez mais crescente do mundo por alimentos é necessário um conjunto de fatores, que vão desde a disponibilidade e qualidade da terra; um clima favorável sem grandes variações; oferta de água doce e, ainda, o domínio da tecnologia. Sem falar da preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente.

O Brasil está no topo em produtividade e quantidade, revezando esta posição apenas, com os Estados Unidos. Podemos dizer que fazemos uma agricultura de precisão e competente! Apesar dos entraves burocráticos, políticos e estruturais como: logística precária, barreiras sanitárias, técnicas e tarifárias e a insegurança jurídica que inquieta nas questões ambientais e fundiárias. Mas, para fazer uma agricultura com estas demandas, é preciso utilizar com competência as ferramentas de gestão. E isso os nossos produtores fazem com a maior competência.

Lembro-me de uma reportagem que fiz sobre uma família de gaúchos que há 13 anos deixaram o sul do país para se aventurarem no sul do Piauí. Venderam uma propriedade de 1,2mil hectares para comprar duas outras, que somadas hoje, passam de 21 mil hectares: uma vocacionada para grãos (soja e milho) e outra para a produção no sistema de integração LPF- Lavoura Pecuária e Floresta-.

Além disso, administram um secador e armazenador de grãos, uma transportadora com uma frota de 15 caminhões e uma fábrica de sementes. Tudo feito em família utilizando técnicas da administração: seja no relacionamento e qualificação profissional de seus colaboradores, no uso de recursos tecnológicos como GPS e TI, nas operações financeiras em Bolsa e na realização de pesquisa de novas tecnologias.

E o resultado disto se reflete no nosso produto interno bruto, nos sucessivos recordes de produção e exportação e na boa imagem do país mundo afora. Aliás, em uma entrevista de TV, ao ser perguntado a um operador do mercado financeiro da Bolsa de Chicago nos EEUU, sobre a importância do Brasil na produção de grãos e carnes, ele respondeu: “não se toma nenhuma decisão de mercado hoje no mundo, sem primeiro ouvir o Brasil”!

Mas, se por um lado a agricultura esbanja eficiência, o de proteína animal bovina, carece de profissionalismo e de gestão, ou seja, ainda produzimos de forma conservadora e tradicional. Ao contrário dos produtores de frango e suínos, que são extremamente eficientes.

A pecuária moderna e de resultados ainda é praticada por poucos, somente uma minoria está preparada. E olha que temos um rebanho de 200 milhões de cabeças de gado, sendo que entre 80% e 90% são de Bos Indicus, das raças zebuínas. A grande maioria ainda não compreendeu que para fazer sucesso hoje, e se manter no negócio de produção de carnes, é preciso deixar de ser apenas um fazendeiro, para ser um empresário rural, que utilize de forma inteligente e racional estas ferramentas.

Antigamente para se “fazer” um boi levava-se até 5 anos. O gado era solto em grandes áreas de pasto (hoje boa parte dela degradada) e a própria natureza se encarregava de lhe fornecer alimentos. Só ai o boi estava preparado para o abate. Hoje, com áreas bem menores- pressionadas pela grande expansão da agricultura- e exigências do mercado quanto a volume, qualidade e preço, busca-se o abate entre 18 e 24 meses. E o gado ideal para a pecuária comercial é aquele que é criado a pasto, é abatido entre 17 e 18 arrobas, tem a carne macia e marmorizada e uma boa cobertura de gordura. Ou seja, são muitas as exigências.

E para fazer esta pecuária é preciso ter um plano de negócios; fazer uma análise dos pontos fortes e fracos do seu negócio, do mercado, da propriedade e do rebanho; estabelecer metas possíveis e confiáveis; ter uma missão, valores e visão empreendedora; saber fazer contas, balanços; capacitar a equipe de trabalho para operar máquinas e equipamentos cada vez mais modernos; lançar mão da biotecnologia através do melhoramento genético e de suas mais variadas aplicações como inseminação artificial, transferência de embriões, fertilização In Vitro; e ainda, utilizar das ferramentas de controle e mensuração de forma constante e disciplinada.

E depois, da “porteira à fora”, saber sobre preços e como se comporta o mercado, a exportação e muitas outras exigências, como as de caráter conjuntural, legislação, política e ambiental. Lembrando sempre que o que vale é o “boi no gancho”!
Enfim, é preciso ser um bom gestor, pois não se chega ao sucesso sem incorporar as boas práticas administrativas e a adoção de uma postura cada vez mais moderna, tecnológica e empresarial.

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Tags: agricultura de precisão agronegócio pecuária