Governança Corporativa: contemporaneidade e desafios

Apesar das primeiras discussões terem surgido na década de 90, no Brasil, a Governança Corporativa tem se mostrado um tema cada vez mais importante e desafiador, considerando o atual cenário político e econômico.

A continuidade das empresas está atrelada a diversas questões, dentre elas, a divulgação de informações de qualidade que irão subsidiar a tomada de decisão de investidores e demais stakeholders. Nesse sentido, a Governança Corporativa funciona como um conjunto de mecanismos que garantem o alcance desse objetivo.


As discussões acerca desse sistema de gestão ganharam força na década de 90, a partir de escândalos financeiros nos quais estavam envolvidas empresas americanas renomadas. No Brasil, esse tema se mostra cada vez mais importante se observarmos o cenário atual em que os casos de corrupção e lavagem de dinheiro se mostram cada vez mais frequentes.


Sendo assim, gestores de pequenas e grandes organizações têm se esforçado para obter uma estrutura interna eficaz o suficiente para se distanciar de parcerias que possam afetar negativamente o próprio nome da empresa e de seus envolvidos, bem como o funcionamento do mercado.


No entanto, é importante mencionar que, mesmo com a existência de práticas que buscam satisfazer os interesses das partes interessadas, conflitos sempre existirão. Isso porque os agentes (acionistas majoritários, minoritários, gestores e credores) possuem interesses diferentes, que podem afetar a gestão das organizações. O desafio é identificar a prioridade desses interesses e gerenciar o grau de satisfação dos agentes, uma problemática que varia de um país a outro.


A implementação das práticas de Governança Corporativa envolve principalmente a auditoria, conselho fiscal e o conselho de administração. A aplicabilidade desses mecanismos independe do tamanho da organização, contudo, para as companhias listadas na Bolsa de Valores é obrigatória a adoção de tais práticas, que prezam pela transparência na prestação de contas, equidade de tratamento entre os indivíduos, eficiência e efetividade da gestão.


Os benefícios da adoção de boas práticas de governança, segundo diversos estudos acadêmicos, são: um mercado de capitais mais desenvolvido; maior acesso a crédito para as empresas, permitindo assim a aprovação de um número maior de projetos e consequentemente, a maximização de utilidade para stakeholders; além da preservação de valores perante a sociedade, contribuindo para que as organizações sejam mais sustentáveis e tenham melhores avaliações a respeito da percepção de risco.


Todavia, o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro ainda é um grande desafio, pois, não depende somente da divulgação de informações de qualidade e sim, da perspectiva econômica (por vezes incerta) e o posicionamento sistêmico interno e externo da firma.

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Tags: desempenho estratégia negócios