Governo Bolsonaro: apenas 4 dias ou ainda faltam 1457 dias para acabar?

Agora, a bola está nos pés de Bolsonaro. Ou ele assume a braçadeira de capitão e conduz seu time (e, por conseguinte, o Brasil) ao título, ou será mais uma equipe que ficará “só no cheirinho” da história.

É inegável que Jair Messias Bolsonaro soube tirar proveito e canalizar para si próprio o sentimento de revolta da população com a velha política. Não por acaso, quem foi às urnas em outubro de 2018 viu em Jair Messias a esperança de renovação da política e de suas práticas, fato que foi reforçado pela eleição de inúmeros deputados, senadores e governadores que surfaram na “onda Bolsonaro”.

Porém, passou o momento do palanque e chegou o momento das ações e da busca de resultados. Afinal de contas, Bolsonaro agora é o Presidente da República Federativa do Brasil. E o que o povo espera dele é a coerência que seus antecessores não tiveram entre o discurso eleitoral envolvente e as ações governamentais evidentes. Coerência essa que não deve ficar adstrita à pauta da segurança pública, carro-chefe da campanha de Jair Bolsonaro, mas que deve abarcar as reformas estruturais (administrativa, previdenciária, política, tributária e trabalhista) e o combate à corrupção sistêmica.

Acompanhando estes primeiros quatro dias de Governo Bolsonaro, observou-se muito discurso e muita pirotecnia em torno de medidas de curto alcance. Questões como flexibilização do Estatuto do Desarmamento, exonerações de comissionados e a definição da estratégia a ser adotada no encaminhamento da reforma da previdência são bons exemplos do aqui exposto.

Todavia, a população brasileira deseja muito mais do que discursos. Isso, inclusive, poderia estar centralizado na figura de um porta-voz do governo, visto que o risco de ruídos de comunicação aumenta quando há muitas pessoas querendo aparecer e falar. A população espera que sejam apresentados objetivos estratégicos, metas, projetos e ações de curto, médio e longo prazos para os diversos assuntos de responsabilidade de cada pasta ministerial, além, é claro, do formato e da maneira como serão implementadas as reformas estruturais supracitadas. Afinal de contas, existem dezenas de milhões de pessoas em situação de desemprego, subemprego ou desocupadas.

Em vista disso, quando Bolsonaro e sua equipe falam em cortar cargos comissionados, por exemplo, não faz mais do que a obrigação assumida por ele durante a campanha. E não adianta dizer que “não foi bem isso o que foi dito”, pois isso é chavão típico de quem quer sair pela tangente. Logo, não só uma grande parcela desses cargos deve ser extinta, mas também diversos postos de trabalho terceirizados, na medida em que muitos desses postos só estão aí por interesse pessoal de alguém que licita, contrata, fiscaliza e/ou gerencia essa mão de obra.

Por fim, falou-se muito em passar um pente-fino nos atos e contratos administrativos, a fim de identificar impropriedades e irregularidades. Se é para fazer, que esse pente-fino seja amplo, geral e irrestrito, abarcando os órgãos ministeriais, suas entidades supervisionadas (autarquias, fundações públicas e empresas estatais) e, até mesmo, os convênios firmados com entidades do terceiro setor e a OPAS (Organização Panamericana de Saúde), que foi auxiliou na intermediação de mão de obra cubana para o programa Mais Médicos.

Em tempo, e considerando o pouco destaque dado nos discursos de Bolsonaro e de seus assessores diretos, é preciso fazer uma varredura nas agências reguladoras, a fim de apurar as ingerências políticas de PT e MDB nessas instituições, possíveis “ativismos regulatórios”, bem como a execução orçamentária dos recursos repassados a essas instituições. Ademais, urge a construção de um arcabouço legal comum a essas agências, estabelecendo requisitos mínimos de governança e gestão a serem observados por essas autarquias, sem os quais o risco de feudalização dessas entidades se manterá presente. Infelizmente, o PLS nº 52/2013 (convertido na Câmara dos Deputados no PL nº 6621/2016) foi obra inacabada e cujo texto está longe de alinhar as agências reguladoras aos objetivos de Estado e aos anseios da sociedade, materializados em políticas públicas de governo.

Agora, a bola está nos pés de Bolsonaro. Ou ele assume a braçadeira de capitão e conduz seu time (e, por conseguinte, o Brasil) ao título, ou será mais uma equipe que ficará “só no cheirinho” da história.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

Avalie este artigo:
(1)
Tags: Administração Brasil cidadania economia estratégia negócios política