Lucro Presumido x Lucro Real - mitos e verdades

O advento do Sistema Público de Escrituração Digital, conhecido como SPED, vem mudando profundamente o cenário de negócios no Brasil. Acredito que transição será difícil, mas o resultado final será um mercado onde a concorrência se dará por meios mais justos, sobressaindo aquelas empresas que buscarem competitividade por meio de melhores produtos, serviços e processos.

Um fato chama muito a minha atenção: Empresas com baixas margens ou até deficitárias continuam a operar no regime de Lucro Presumido. Ora, como o próprio nome já deixa claro, neste regime a Receita presume que um percentual do faturamento declarado desta empresa seja sua margem de lucro. E neste percentual incide a tributação. Já no regime de Lucro Real, a empresa é tributada com base em seu lucro real apurado, segundo critérios que a receita estabelece.

A origem da grande quantidade de empresas “Lucro Presumido” é bem pouco romântica. Basicamente o cálculo é bem mais simples, sendo possível apurar os impostos em empresas desorganizadas. O outro motivo é a maior facilidade de sonegação, pois bastava não escriturar parte das saídas para reduzir a base de cálculo a ponto de valer a pena ser tributado pelo regime de Lucro Presumido.

A partir da adoção do SPED NFe – Nota Fiscal Eletrônica e dos outros SPEDs (Fiscal, Contábil e outros por vir) as empresas passam a ficar expostas por definição. Não dá mais para emitir nota e não escriturar, pois as notas já nascem escrituradas. A sonegação vai ficando cada vez mais difícil e algumas empresas começam a ter suas margens mais justas. Neste ambiente faz todo o sentido avaliar a mudança para o regime de Lucro Real, pois o que pode acontecer com a redução da sonegação é a situação esdrúxula de se ter menos lucro e se pagar mais impostos, pois os impostos ainda estão sendo calculados pelo lucro presumido, que é um percentual da receita declarada. Este contra-senso pode até tornar a empresa deficitária, o que seria mais um forte motivo para se avaliar a adoção do regime de Lucro Real.

Mitos e Verdades:

Mito: Não quero ir para o regime de Lucro Real pois a empresa vai ficar mais exposta
Verdade: Com a adoção dos SPEDs as empresas ficarão expostas, independentemente do regime adotado

Mito: Meu contador me recomendou continuar no regime de Lucro Presumido
Verdade: Muitos contadores não sabem trabalhar no regime de Lucro Real e ainda não compreenderam totalmente o SPED

Mito: É preciso menos controles no regime de Lucro Presumido
Verdade: Os controles necessários para a apuração do Lucro Real são importantes e serão mais ainda num ambiente de maior competitividade, independente do regime de apuração ser Lucro Presumido ou Real

Ouça uma segunda opinião. Procure um especialista, faça uma simulação e opte pelo regime mais adequado à realidade da sua empresa. Refaça os cálculos de tempos em tempos. Se para adotar o regime de Lucro Real for preciso implementar melhorias, encare isso como uma grande oportunidade de rever e otimizar seus processos.
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Tags: competitividade gestao lucro presumido real tributacao

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