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Neurotudo sim! Porque sem neurologia não existe nada!

Estamos vivendo mais um momento histórico que juramos que não merecemos. Bem, eu não tenho nenhuma intenção de argumentar sobre isso. “Tô” no time dos que preferem usar tempo, recursos e inteligência pra fazer acontecer aquilo que pode melhorar a situação. A minha e a de todos!

Minha base, há mais de 30 anos, para fazer isso tem sido a Neurociência, mesmo quando ela ainda nem era famosa. Sabe por quê? Porque, enquanto o objeto foco de estudo e interesse da Psicologia é o indivíduo (do latim indivisível; aquele que não se divide; único) o objeto foco de estudo da Neuropsicologia é o Humano, ou seja, não o que nos diferencia, mas o que nos torna iguais, enquanto espécie: Um cérebro/Sistema nervoso e suas características.

Veja bem, nossa individualidade é fundamental! Trabalhar a gestão da singularidade é a única forma de ser justo e equitativo nas relações. Acontece que existem atalhos para problemas quando conseguimos sensibilizar ou, melhor ainda, tocar a consciência de todas as pessoas que estão, de alguma forma, à serviço dos resultados esperados.

Para conseguir “acessar” não algumas, mas todas as pessoas, só mesmo via neurologia.

Outro ponto importante é que toda transição requer um "X" de mudança. O mercado mudou e ainda está mudando logo, eu preciso mudar e continuar mudando. O que está ótimo, já que nunca somos mesmo a mesma pessoa. A questão não é mudar ou não, a questão é mudar como e para quê.

Vou partir também do princípio de que não existe mudança sem novas aprendizagens. O que eu fazia da forma como fazia não me dá mais o que eu preciso; não me dá mais os mesmos resultados satisfatórios que dava antes da mudança ocorrer. "Toca" aprender a fazer o mesmo de forma diferente, ou fazer outra coisa.

Meu propósito aqui, com base em todas essas premissas, é oferecer uma super dica da neurociência aplicada à aprendizagem. Imagine essa leitura como uma sessão de mentoring onde a questão para tutoria seria “Como lidar com a aprendizagem a partir da única ferramenta que existe para isso: a comunicação?".

A palavra “mentor” vem da ‘Odisseia’ de um poeta grego chamado Homero. Na ‘Odisseia’, Homero relata que Ulisses parte para a guerra e deixa seu filho Telêmaco – seu único herdeiro, aos cuidados de um amigo da família chamado Mentor para o ser o orientador.

Um mentor precisa, entre outras coisas, de uma comunicação clara para ajudar seu pupilo na direção do seu melhor desenvolvimento. Por isso, minha dica será no sentido de ajudar você com sua comunicação. Mais que isso, com uma das questões de Neurocomunicação, ou seja, o que funciona da mesmíssima forma para você e para toda a humanidade. Inclusive, ultrapassando a barreira do idioma.

Nosso sistema, como um todo (cérebro e sistema nervoso são uma e a mesma coisa) recebe cerca de 400 bilhões de bits de informação por segundo, mas só libera para nossa consciência 2 mil bits. Uma coisizinha de nada. Só que não. Se tivéssemos consciência de mais do que isso, ficaríamos malucos. Segundo li, autistas recebem mais do que 2 mil bits/seg. Esta é uma das razões pelas quais eles ficam balançando o corpo o tempo todo. Fique, pois, bem feliz com seus 2 mil bits/seg., tá bom? Apenas leve em consideração uma consequência fundamental desta condição de funcionamento do cérebro: Se todo e qualquer ser humano "normal" só recebe uma pequeníssima parte do todo de um evento, como uma comunicação, por exemplo, ensinar é impossível! Isso mesmo. Se eu não tenho como saber quanto nem que parte dos 400 bilhões de bits de informação que eu te dei você efetivamente assimilou, ensinar é impossível. Mas olha só que lindo isso agora. Se recebemos cerca de 400 bilhões de bits de informação por segundo, ou seja TUDO que está à nossa volta entra como informação no nosso sistema, APRENDER É INEVITÁVEL! Então, ensinar é impossível, mas aprender é inevitável! O que posso fazer como mentora ou coach de alguém é criar um contexto, um conjunto de circunstâncias, onde o coachee, possa aprender aquilo que seja mais importante e urgente para ele, sacou?

A primeira coisa a fazer é checar constantemente se o que você disse entrou nos 2 mil bits dele. Não porque você seja incompetente pra explicar ou ele pra entender, mas porque é assim que o sistema nervoso funciona.

Daqui pra frente, aconteça o que acontecer, torne sua vida e suas relações mais leves. Em casos de

- Você não me disse isso, não!

- Eu te disse isso sim!

Relaxa e responde só:

- Desculpa. Talvez você tenha dito sim. Só não entrou nos meus 2 mil bits. Isso é passado. O que poderemos fazer agora?

Em tempos de dificuldades, essa regrinha vale pra tudo. O que foi é (s)ido. O que podemos fazer AGORA?

Ines Cozzo

Diretora da T'AI Consultoria, Dir. de Comitês do Neurobusiness.org, Palestrante, Consultora e escritora Internacional, Formada em Psicologia, Coautora dos Manuais de T&D, Autora do Livro "Neuroaprendizagem e Inteligência Emocional”; Criadora do curso de formação em Gestão Estratégica com Neurociências (desde 2006) - falecom@inescozzo.com

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Tags: Adm. Emocional Coaching Comportamento Comunicação Mentoring Neurociências

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