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O futuro da saúde suplementar no Brasil

Não é de hoje que o setor de saúde suplementar agoniza e frequentemente operadoras tem fechado as portas por não conseguirem manter a sua saúde financeira estável

Não é de hoje que o setor de saúde suplementar agoniza e frequentemente operadoras tem fechado as portas por não conseguirem manter a sua saúde financeira estável. Regulações impostas pela ANS (Agencia Nacional de Saúde Suplementar), custos e novas tecnologias, controle de preços, concorrência, modelo de pagamento, envelhecimento da população, fraudes, pouca profissionalização na sua gestão, são algumas das dificuldades encontradas pelo setor para se manterem saudáveis no mercado.

Mas, o maior problema ainda se concentra no relacionamento com prestadores de serviços hospitalares. É fato que muitas clinicas, hospitais, laboratórios e outros, também enfrentam muitas dificuldades para equilibrar o seu fluxo de caixa e tendem a exagerar na elaboração das cobranças apresentadas as operadoras fazendo com que hajam glosas e recusas criando um ambiente de atrito. Em uma linguagem popular, inicia-se uma queda de braço para saber quem pode mais, quem é o mais forte neste relacionamento, que deveria ser harmonioso já que um depende diretamente do sucesso do outro.

No meio desta queda de braço estão os beneficiários que são obrigados pela situação caótica e vergonhosa da saúde pública no país, a pagar altos valores para tentar (muitas vezes não conseguem) ter atenção quando acometidos por algum problema de saúde. Também é verdade que com a presença do Dr. Google muitos se auto medicam e exigem tratamentos (exames, medicamentos, etc) que não possuem necessidade obrigando médicos a um enfrentamento e em muitas ocasiões, a atender à solicitação. Ainda existe a cultura de que médico que não solicita exames não é bom médico.

Junte-se a este cenário o poder judiciário que interfere diretamente neste relacionamento chegando ao ponto de rasgar contratos fazendo valer o seu entendimento sobre o que é urgência, emergência, certo ou errado.

Mas, então como sobreviver? Como manter a saúde financeira oferecendo qualidade no atendimento as necessidades reais de seus beneficiários? Como superar todos os obstáculos impostos por um cenário cada vez mais regulado e com interferência do judiciário?

Para tentar responder a estas perguntas, entendemos que todos os atores envolvidos devem realizar uma sequência de ações para que no médio e longo prazos todos se beneficiem de um sistema, que apesar de todos os problemas, é essencial para uma grande parcela da população.

OPERADORAS: não há ganho real algum em estabelecer uma política de glosas, recusas, punições ou regras restritivas internas. A única ação que irá produzir resultados é a abertura para um diálogo franco e honesto com os atores do processo onde todos coloquem as suas reais dificuldades sobre a mesa e juntos busquem uma solução. Além disso, profissionalização da gestão, atenção aos seus custos diretos e indiretos (administrativos, financeiros, médicos), planejamento estratégico de médio e longo prazos estabelecendo objetivos a serem alcançados, abertura de um canal de comunicação com o mercado orientando e educando beneficiários, foco em resultados e na valorização dos serviços medico hospitalares, são ações básicas que devem ser implementadas.

PRESTADORES DE SERVICOS (Hospitais, clinicas, laboratórios, etc): o mais importante para este segmento é a profissionalização da sua gestão estabelecendo KPI’s diretamente ligados ao setor e ao desempenho econômico financeiro da instituição. Este processo exige vontade e inteligência para sua implantação. Vontade é saber que é preciso e inteligência é permitir que aconteça. Conhecendo e gerenciando seus custos diretos e indiretos qualquer instituição será capaz de identificar os serviços que precisam se especializar e aqueles que – apesar de atenderem a uma parcela de pessoas – são apenas geradores de custos que consomem seu tempo e recursos. Geralmente a vaidade esta indiretamente envolvida neste processo. Pensamos mais na pessoa física do que na pessoa jurídica. Mas, não interessa a ninguém manter colaboradores cumpridores de ordens e uma instituição vivendo eternamente na corda bamba.

Pode até parecer obvio, mas tenha absoluta certeza de que atender as essas recomendações é extremamente difícil e em algumas instituições, impossível de acontecer.

Procurar culpados, discutir, negar, glosar, punir, cortar, criar regras restritivas, são ações com tempo de vida limitado, e quando não houver mais “bengalas”, o que restará será apagar a luz e ir para casa com a consciência de que não fizemos tudo o que podíamos para resolver os nossos problemas. Será conviver eternamente com o pensamento do SE... (se tivéssemos feito isso... porque não fizemos aquilo...)

Saia do campo do choro e reclamação e entre em ação. Nizan Guanaes diz que “enquanto uns choram outros vendem lenço”. E você, vai fazer o que?

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