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O impacto da falta de planejamento em MPE´s

“A probabilidade de fechamento de uma empresa cujo proprietário gastou até cinco meses planejando o negócio é maior do que daquele que gastou um ano ou mais nesse planejamento."

Planejar e definir metodologia de gestão para qualquer que seja o tamanho e origem da empresa não é tarefa fácil. Mas, em geral, empresas de origem familiar, costumam oferecer maior resistência à mudanças. Aquelas que apresentam crescimento sucessivo fazem com que a gestão tenham ainda mais resistência a mudanças, pois “em time que está ganhando não se mexe”. Para quê correr riscos de uma mudança que pode não dar certo se a metodologia atual (ou falta dela) está funcionando?


Para Taleb, o crescimento econômico é fruto de riscos assumidos. Mas algumas pessoas jogam “roleta-russa” e acham que é uma boa ideia continuar agindo como sempre, simplesmente porque estão “sobrevivendo”. Segundo ele, a tese sobre os seres humanos serem otimistas, parece justificar que correr riscos seja um empreendimento positivo, glorificado na cultura comum.


O psicólogo Danny Kahneman mostrou evidências de que “costumamos correr riscos não por arrogância e sim por ignorância e cegueira em relação à probabilidade!” E defende que, o fato de chegar com sucesso à qualquer que seja o objetivo não significa validação para continuar seguindo nos mesmo riscos. O suposto “sucesso” apenas sinaliza que fomos os “outliers” da vez, mas não é uma garantia de perpetuidade.

 

Ignorar os riscos é a primeira das muitas armadilhas que os empreendedores enfrentam. Negligenciar a necessidade de um plano sobre o que fazer, como fazer e onde chegar (o “famoso” Plano de Negócios) pode ser uma passagem só de ida para as estatísticas de empresas que fecham antes dos 5 anos de vida.


A maioria dos empreendedores brasileiros costumam abrir um negócio por entusiasmo ou necessidade de sobreviver num mercado sem emprego. Uma pesquisa divulgada pelo IBGE em 2014 e em 2017 destacou ainda, que as empresas de pequeno porte são mais suscetíveis ao fechamento. (http://www.valor.com.br/brasil/5144808/maioria-das-empresas-fecha-portas-apos-cinco-anos-diz-ibge)

 

As MPEs representam 27% do PIB do país e empregam a maioria dos funcionários com carteira assinada. No entanto, esse número não contempla a quantidade de pequenas empresas que fecham com menos de dois anos. Quase metade das micro empresas que abriram em 2012 estavam fechadas em 2014, segundo uma pesquisa realizada e apresentada pelo SEBRAE em 2016. http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/sobrevivencia-das-empresas-no-brasil-102016.pdf


Já é fato conhecido que, no Brasil, cerca de ⅓ das empresas fecham em dois anos. Um dos motivos, levantados pela FGV e SEBRAE, é a falta de planejamento e preparo, principalmente para momentos de crise. (http://www.infomoney.com.br/negocios/noticia/5997459/terco-das-empresas-fecham-anos-brasil-conheca-segredos-das-que)


A maioria dos empreendedores brasileiros costumam abrir um negócio por entusiasmo ou necessidade de sobreviver num mercado sem emprego. O IBGE divulgou que em 2014 e em 2017, as empresas de pequeno porte são mais suscetíveis ao fechamento. (http://www.valor.com.br/brasil/5144808/maioria-das-empresas-fecha-portas-apos-cinco-anos-diz-ibge)


Uma pesquisa do IBMEC e do SEBRAE, ambos de São Paulo, revelaram alguns motivos para o fechamento precoce das empresas, entre eles:

“A probabilidade de fechamento de uma empresa cujo proprietário gastou até cinco meses planejando o negócio é maior do que daquele que gastou um ano ou mais nesse planejamento. Esse resultado indica que, mesmo que o empreendedor não tenha experiência no ramo, ele pode compensá-la capacitando-se antes de abrir o negócio, buscando informações e novos conhecimentos que podem ser úteis na antecipação de problemas e na inclusão no mercado.”


Na prática, o mito compartilhado entre MPEs de “está funcionando como está”, esconde as oportunidades de alavancagem do negócio e blinda a iniciativa e a vontade do empreendedor em definir métodos. No entanto, convencer um empreendedor de que metodologias utilizadas na TOYOTA ou na GOOGLE vão ajudá-lo, não é o melhor dos argumentos para convencê-los a melhorar seu sistema de gestão. Os microempreendedores consideram essa realidade muito distante das suas e por isso demandam maior atenção de órgãos como SEBRAE para ações de apoio e conscientização.

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Tags: empreendedorismo gestão metodologias negócios planejamento