O planejamento estratégico e a inovação no ambiente de trabalho: o coworking

Será que sucesso de novos negócios está relacionado com o Planejamento Estratégico e com a Inovação Organizacional especialmente no que tange a novos métodos de trabalho, em especial a espaços de trabalho compartilhado, os Coworkings?

Segundo o site Coworking Brasil (2012), escritórios compartilhados, são uma tendência mundial, uma vez que são sustentáveis, proporcionam economia financeira e promovem a troca de ideias entre diversos profissionais das mais diversas áreas. Coworking é uma forma totalmente nova de trabalhar. É basicamente um grande escritório onde não há paredes ou salas individuais. A estrutura toda é compartilhada, onde diversos profissionais desenvolvem seus projetos de forma independente e fazem negócios juntos. A princípio não existe ligação nenhuma entre as pessoas, mas não quer dizer que precise ser assim. É chegar e trabalhar para desenvolver sua empresa. A burocracia fica toda por conta do ambiente.

Segundo a pesquisa do site Movebla (2012), já são 2150 espaços de coworking no mundo todo até agosto de 2012, houve um aumento de 61% a mais do que em 2011. No Brasil são mais 45 espaços até o momento.

Um dos objetivos das organizações segundo autores como Michael Porter e Peter Drucker, referenciais para as modernas organizações, é criar desejos e necessidades nas pessoas. A inovação efetiva vem da busca das necessidades do mercado para que possa atendê-las com ofertas de produtos e serviços adequados, e para isso a organização deve estar constantemente examinando os horizontes para buscar novas oportunidades e satisfazendo as necessidades de seus clientes, pois para inovar e ter sucesso a partir desta inovação, a organização precisa cativar os clientes e satisfazê-los CHIAVENATO E SAPIRO (2004 p.193-209).

Portanto inovação é a palavra de ordem do Século XXI, segundo Carvalho (2009). Já Chiavenato e Sapiro (2004) salientam que inovação organizacional pode ser conceituada como o desenvolvimento de uma nova estrutura organizacional ou de um novo modelo de gestão das atividades do negócio da empresa, na estruturação do trabalho ou nas relações externas. Refere-se a fazer algo que ninguém fez ou melhorar o que já existe. A inovação é de extrema importância para as organizações, pois as tornam competitivas no mercado e possibilita maximizar suas riquezas.

A inovação, para Bes e Kotler (2011) é um processo desarticulado, pois sua mensuração e gestão são de extrema complexidade. Na maioria das vezes, em tempos de recessão alguns executivos concluem que processos de inovação não tiveram grande valia e talvez a falha não foi do processo e sim da falta de mensuração do planejamento estratégico. Drucker (1975, p. 866) salienta que “inovação não é um termo técnico, é um termo econômico e social, pois seu critério não é ciência ou tecnologia, mas uma mudança no meio ambiente econômico ou social, uma mudança no comportamento das pessoas...”.

Quando se fala em inovação, tem-se a ideia de que a mesma está relacionada ao lançamento de um novo produto ou serviço, porém não se trata especificadamente disso, pois segundo Gallo (2010) inovação não se trata de mais recursos e sim de como usá-los. Continua o mesmo autor dizendo que num mundo que enfrenta constantemente crises financeiras e que exige muitos recursos naturais, os inovadores e os criativos transformam os problemas em oportunidades de crescimento.

De fato inovar não é algo fácil, segundo Bes e Kotler (2011) a inovação é um processo difícil de mensurar e difícil de administrar, pois a maioria das pessoas só enxerga sua necessidade quando a empresa precisa crescer, sendo que em tempos de recessão alguns executivos concluem que o processo de inovação não vale a pena.

E para que a inovação possa acontecer, o planejamento estratégico é de extrema importância para as empresas, sejam elas, micro, pequenas ou grandes, pois através dele é possível identificar seu mercado alvo, as oportunidades, ameaças, forças e fraquezas, além de mostrar a direção e os limites dos negócios e produtos, de modo que gere lucro e crescimento sustável. Drucker (1984) conceitua o planejamento estratégico como um processo contínuo de tomar decisões atuais que envolvem riscos, além de organizar sistematicamente as atividades necessárias à execução dessas decisões e, através de uma retroalimentação organizada e sistemática, medir o resultado dessas decisões em confronto com as expectativas alimentadas, ou seja, o planejamento estratégico não é uma caixa de mágicas, nem um amontoado de técnicas, e sim um pensamento analítico e conexão dos meios a certas medidas (grifo do autor).

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, SEBRAE 2012, por meio do planejamento, será possível prever os recursos necessários para alcançar os objetivos traçados e se preparar para problemas que possam aparecer.

No contexto atual, o planejamento tornou-se fundamental para o atingimento dos objetivos e ele vem sendo estudo há muito tempo, pode-se perceber que já na antiguidade a estratégia passou a ser tratada de maneira diferenciada, pois de acordo com Chiavenato e Sapiro (2003 p. 28),

(...) na antiguidade, há 2.500 anos, Sun Tzu, um general filósofo chinês – ainda reverenciado nos dias de hoje, escreveu um livro sobre a arte da guerra no qual trata da preparação dos planos, da guerra efetiva, da espada embainhada, das manobras, da variação das táticas, do exército em marcha, do terreno, dos pontos fortes e fracos do inimigo e da organização do exército. As lições de Sun Tzu ganharam versões contemporâneas de muitos autores e seus princípios, como método, disciplina e moral, dignificam o estrategista CHIAVENATO E SAPIRO (2003 p. 28).

Para Ansoff e McDonnell (1993) apud Gomes (2007), “a partir da década de 50, devido à descontinuidade ambiental, o conceito de estratégia passa a fazer parte do vocabulário das empresas”. Continuam os autores dizendo que planejamento estratégico é um conjunto de regras sobre tomada de decisão para que a organização encontre o caminho correto a seguir.

O SEBRAE em sua missão de pesquisar e contribuir com as micro e pequenas empresas e que vem sendo um grande referencial técnico para as mesmas, detectou que:

(...) mais de 70% das micro e pequenas empresas brasileiras fecham as portas nos primeiros cinco anos de vida. Vários fatores explicam o elevado índice de mortalidade, tais como a não realização de estudos sobre o negócio, a falta de experiência do empreendedor no segmento escolhido e a dedicação parcial ao empreendimento. Na maioria dos casos, um bom planejamento estratégico pode fazer a diferença SEBRAE (2011, p.1).

Porter (2004), importante autor no campo da estratégia, afirma que uma empresa sem planejamento corre o risco de se transformar em uma folha seca, que se move ao capricho dos ventos da concorrência. De fato, o administrador que não exerce a sua função enquanto planejador acaba por se concentrar excessivamente no operacional, atuando principalmente como um “bombeiro” que vive apagando incêndios, mas que não consegue enxergar onde está a causa desses incêndios. (grifo do autor)

No contexto atual pensar estrategicamente e inovar para a empresa é fundamental, pois a concorrência está cada vez mais acirrada e para ser competitivo, todo empresário necessita planejar, inovar e ter estratégias que possibilitem além do nascimento, também o crescimento sustentável e para que isso ocorra, o planejamento estratégico e a inovação são algumas das ferramentas disponíveis que podem tornar o negócio viável.

REFERÊNCIAS

BES, Fernando Trías de; KOTLER, Philip. A Bíblia da Inovação: Princípios fundamentais para levar a cultura da inovação contínua às organizações. 1. Ed. São Paulo: Leya, 2011

CARVALHO, Marly Monteiro de. Inovação: Estratégias e Comunidades de Conhecimento. São Paulo: Atlas, 2009

CHIAVENATO, Idalberto e SAPIRO, Arão. Planejamento Estratégico. 12. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003

___, Idalberto e SAPIRO, Arão. Planejamento Estratégico. 9. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004

COWORKING BRASIL; O Coworking. Disponível em: < http://coworkingbrasil.org/sobre>. Acesso em 04 de ago. 2012

DRUCKER, Peter. Administração, Responsabilidades, Tarefas, Práticas. São Paulo: São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 1975

___, Peter F.. Introdução a Administração. São Paulo: São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 1984

GALLO, Carmine. Inovação: a arte de Steve Jobs. São Paulo: Lua de Papel, 2010

GOMES, Francisco Rodrigues. Difusão de Inovações, Estratégia e a Inovação. O Modelo D.E.I para os Executivos. 1. Ed. São Paulo: E-Papers, 2007. Disponível em: < http://books.google.com.br/books?id=xxj2NsryKEEC&pg=PA3&dq=inova%C3%A7%C3%A3o&hl=ptBR&source=gbs_selected_pages&cad=3#v=onepage&q=inova%C3%A7%C3%A3o&f=false>. Acesso em 21 jun. 2012

MOVEBLA, Site. Disponível em: < http://www.movebla.com/618/pesquisa-mundial-sobre-coworking-parte-2-o-perfil-do-coworker/#ixzz1Wzhe85bb>. Acesso em: 04 de nov. 2012

PORTER, Michael E. Estratégia Competitiva. 2. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004

SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Análise de Mercado. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/momento/quero-melhorar-minha-empresa/entenda-os-caminhos/analise-de-mercado>. Acesso em: 01 abr. 2012

___, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Planejamento Estratégico. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/customizado/desenvolvimento-territorial/como-fazer/planejamento-estrategico>. Acesso em 18 de nov. 2011


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