O que aprendemos com Obama

A eleição presidencial americana foi histórica, mas não só porque levou à Casa Branca o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. A campanha eleitoral de Barack Obama foi a primeira que usou fortemente os novos recursos da internet para ganhar visibilidade, reunir simpatizantes ao candidato e angariar recursos. O mesmo pode ser feito para uma marca, um produto ou uma empresa. E, se o seu público for jovem ou infantil, a internet já é um dos principais meios de relacionamento com ele, mesmo no Brasil.

A campanha presidencial não utilizou apenas um website convencional. Ela incluiu blogs e redes sociais, as quais agrupam e permitem a interação de muitas pessoas com objetivos comuns. Uma das redes sociais online utilizadas foi o Facebook. Criada em 2004, se tornou uma das maiores do mundo. Nela, formou-se um grupo que teve como missão reunir um milhão de simpatizantes de Obama. Lançado no dia 16 de janeiro de 2007, conseguiu mais de 100 mil participantes já no dia 25 do mesmo mês.

Incluindo as outras comunidades relacionadas, Obama conseguiu até as vésperas da eleição 3 milhões de simpatizantes no Facebook, contra pouco mais de 600 mil do rival McCain. Outras redes e portais, como o MySpace e YouTube tiveram proporção semelhante a favor do candidato democrata.

Não por coincidência, Chris Hughes, um dos jovens fundadores do Facebook foi contratado para ajudar na longa campanha de Barack Obama no início de 2007. Um dos pontos centrais das ações online foi a página my.barackobama.com. Além de fazer a conexão com uma série de comunidades online favoráveis a Obama, os usuários puderam montar sua própria página, publicar textos, fotos, vídeos, organizar eventos e trocar idéias, além de fazer doações para a campanha utilizando seu cartão de crédito. Pequenos doadores, em número recorde, levantaram mais de 200 milhões de dólares para a campanha.

Esse tipo de participação coletiva também pode acontecer espontaneamente em torno de outros interesses, como um produto ou uma marca. As empresas já não conseguem controlar o que se fala sobre elas. Se você tiver uma loja, rede de lojas ou indústria de bens de consumo, deve se juntar a essas comunidades e dialogar com o seu público, esteja ele falando bem ou mal dos seus produtos e serviços. Com a sua participação, você pode fazer algo fundamental: escutar. Com isso, estará em condições muito melhores para atender seus clientes.

O Brasil já tem mais de 40 milhões de pessoas conectadas à internet. Segundo o Ibope/NetRatings, 79% dos internautas residenciais brasileiros visitam redes sociais e blogs pelo menos uma vez ao mês. A sua empresa pode aproveitar esse interesse e oferecer espaços interativos que tratem do tipo de produto que você oferece. Ao invés de falar apenas sobre a sua marca e seus produtos, procure orientar o público sobre as diferenças entre os produtos oferecidos no mercado para que ele possa escolher a melhor solução. Não só uma grande quantidade de usuários deve ser almejada nesses ambientes virtuais, mas também uma interação intensa e de qualidade.

Os consumidores estão se transformando em produtores de conteúdo. Agora eles não são mais mera audiência. São o próprio meio de divulgação e indicação de produtos ou serviços. Para acessar as comunidades de seu interesse, usam computadores de mesa, laptops, LAN houses e até celulares conectados à internet.

As crianças também têm redes sociais dedicadas a elas. Alguns sucessos são as redes Club Penguin, Webkinz e Neopets. Entre as iniciativas brasileiras, destacam-se os portais SmartKids e Canal Kids.

Muitas vezes, os usuários dessas comunidades virtuais indicam tendências, que serão seguidas depois pelo mercado de massa. Na área artística, muitos talentos têm surgido dessa forma. Na publicidade, novas linguagens de comunicação têm se desenvolvido. No design, usuários avançados de determinados produtos têm dado sugestões inovadoras.

Podem já existir dezenas de comunidades online que falam sobre a sua empresa. Por outro lado, se a sua marca ou produto não despertam o interesse e o entusiasmo de milhares de usuários, para que formem comunidades a respeito, atenção. Pode ser um sinal de que você precisa ajustar primeiro sua empresa ou seus produtos.

O preço de não ajustar seus produtos às mudanças do mundo é alto. A Kodak perdeu mercado e muito dinheiro por não acreditar que câmeras digitais – inicialmente de baixa resolução – poderiam ameaçar seu negócio de câmeras fotográficas com filmes químicos de alta qualidade. Hoje, até celulares já registram imagens de alta qualidade. As pessoas não querem só um produto. Querem a melhor solução. Se a empresa não acompanha as inovações e as incorpora, corre o risco de perder o mercado para concorrentes que o fizerem.

Fica evidente que a matéria-prima para o sucesso de qualquer empresa é, cada vez mais, o conhecimento. Mas as inovações têm vindo muito mais do conhecimento coletivo e compartilhado do que do conhecimento individual. Barack Obama é a síntese mais atual da velha frase: “Informação (ou conhecimento) é poder”.

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Tags: comunicacao internet redes sociais

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