O que é discernimento?

Ter ou não ter razão nunca terá um desfecho positivo quando a opinião ou o ponto de vista alheio não é respeitado ou aceito livremente. O convencimento deve ser natural, espontâneo, transformador.

Jerônimo Mendes,
Jerônimo Mendes, Administrador, Professor Universitário e Palestrante, Especialista em Desenvolvimento Pessoal e Profissional, apaixonado por Empreendedorismo

Discernimento pode parecer uma palavra complexa e talvez você não tenha a definição na ponta da língua, mas o conceito é simples. Para exemplificar, deixe-me relembrar a história do juiz sufi, convocado para resolver uma pendência entre dois amigos que afirmavam ter razão sobre determinada questão, cada um à sua maneira.

- Pois bem, pode expor suas razões - decretou o juiz a um deles, depois de colocar os dois, lado a lado, e nomear um escrivão para anotar as declarações de cada indivíduo. Enquanto o primeiro argumentava, o juiz ouvia com atenção e paciência.

- Senhor juiz, acredito que eu tenho razão por isso e por isso e por isso. E assim continuou discorrendo longamente durante alguns minutos. Acontece que o sujeito o fez com tanta propriedade e tanta eloquência que o juiz não teve melhor alternativa senão olhar para ele e afirmar: - tem razão!

- Como assim, seu juiz? Manifestou-se o oponente. Eu ainda não tive a oportunidade de falar. – Pois bem, pode expor suas razões – decretou o juiz ao segundo, tendo o escrivão por testemunha.

- Senhor juiz, acredito que eu tenho razão por isso e por isso e por isso. E continuou discorrendo longamente durante alguns minutos. Da mesma forma, a exemplo do seu oponente, o sujeito o fez com tanta propriedade e eloquência que o juiz não teve alternativa senão olhar para ele e afirmar com toda segurança: - tem razão!

- Espera aí, seu juiz, os dois não podem estar certos ao mesmo tempo – declarou o escrivão, surpreso com a decisão. E prontamente o juiz observou: - tem razão! Moral da história: ter ou não ter razão sobre determinada questão é algo que depende muito do ângulo de observação de cada um em particular.

Assim como na parábola do juiz sufi, tudo na vida é uma questão de ponto de vista e, de uma forma ou de outra, em qualquer situação, sempre temos razão. Obviamente, sob determinado juízo de valor, fruto de modelos mentais previamente estabelecidos, ninguém quer abrir mão de nada e, por conta disso, os relacionamentos se deterioram, a violência aumenta, os casamentos desmoronam, os filhos se revoltam e o ambiente de trabalho se transforma em palco de disputas, inveja, ganância e competição desenfreada.

Tudo o que ser humano precisa na vida é de discernimento. Bem ou mal, certo ou errado, bom ou ruim, melhor ou pior, puro ou impuro são conceitos que dependem exclusivamente da sua escala de valores pessoais. Não podemos estar certos nem errados o tempo todo, portanto, discernimento é uma qualidade imprescindível para o crescimento pessoal e profissional das pessoas em qualquer parte do mundo.

Discernimento nada mais é do que a sua capacidade de absorver o ponto de vista alheio sem deixar que isso interfira no seu modo de pensar ou provoque qualquer juízo de valor equivocado a respeito do seu interlocutor. Discernimento é a capacidade de respeitar a opinião, o modo de vida, a opção sexual, a religião e a argumentação alheia.

Apesar das diferenças de opinião, comum em tempos de democracia e fruto da necessidade de evolução do ser humano, não é necessário concordar com tudo nem discordar de tudo para viver em harmonia. Entretanto, quando você tenta convencer as pessoas de que o seu ponto de vista é o melhor, surgem os conflitos, as desavenças e as diferenças de valor.

Em qualquer situação, ter ou não ter razão nunca terá um desfecho positivo quando a opinião ou o ponto de vista alheio não é respeitado ou aceito livremente. O convencimento deve ser natural, espontâneo, transformador. Na medida em que você respeita uma idéia diferente, sem necessidade de fazer valer o seu ponto de vista, você amadurece, assegura o equilíbrio e tende a sofrer menos.

A cada momento que você se dispõe a julgar, criticar, rotular, prejulgar ou preconceber determinado comportamento, você se afasta ainda mais da sua sabedoria. Ter discernimento é ter capacidade de transitar por todas as diferenças de opinião, credos, cores e culturas sem necessariamente se apegar a nenhuma delas ao mesmo tempo em que você aproveita o que existe de melhor em todas elas.

Experimente isso e seja feliz!

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